Geral

Especialistas dizem que é quase impossível Schumacher ficar sem sequelas

O futuro de Michael Schumacher ainda é uma incógnita para fãs e familiares que torcem e fazem orações por sua recuperação. Mas para médicos especialistas em neurologia, é quase impossível que o heptacampeão da Fórmula 1 escape ileso do acidente de esqui e sobreviva sem sequelas. O UOL Esporte consultou especialistas no assunto e eles […]

Arquivo Publicado em 04/01/2014, às 16h10

None

O futuro de Michael Schumacher ainda é uma incógnita para fãs e familiares que torcem e fazem orações por sua recuperação. Mas para médicos especialistas em neurologia, é quase impossível que o heptacampeão da Fórmula 1 escape ileso do acidente de esqui e sobreviva sem sequelas.

O UOL Esporte consultou especialistas no assunto e eles são unânimes em dizer que as chances de o traumatismo craniano causado pela forte pancada não deixar rastros são quase zero.

Essa é a opinião do neurocirurgião e mestre em neurociência Francinaldo Gomes. “É praticamente impossível que não traga graves consequências. É difícil prever até se ele vai sobreviver. E as sequelas podem ser de vários tipos e podem atuar juntas também”, disse.

O mesmo pensamento tem Norberto Luiz Cabral, neurologista e membro da Academia Brasileira de Neurologia. “É pouco provável que saia ileso”, disse.

Os dois médicos apontam diversos tipos de sequelas comuns nesse tipo de caso, como motora (dificuldade de se movimentar e mexer partes do corpo, como perna e braço), cognitiva (perda da memória e raciocínio lento), psiquiátrica (causar psicoses como depressão) e sensitiva (não sentir determinadas partes do corpo).

O paciente também pode passar a apresentar dores que ele nunca sentiu, como fortes dores de cabeça, além de dificuldade de controlar funções fisiológicas, como urina e fezes. De acordo com os médicos, só quando os sedativos forem retirados é possível saber os reais danos que o acidente causou a Schumacher.

O ex-piloto sofreu um grave acidente no último domingo, quando esquiava com seu filho de 14 anos em Méribel, na França. O atleta entrou em uma área perigosa da montanha, onde a neve é mais fofa. Ele acabou se chocando com algumas pedras, foi catapultado para longe, e acabou batendo a cabeça em uma rocha.

Schumi sofreu um traumatismo craniano considerado grave. Os médicos ainda detectaram lesões hemorrágicas e hematomas no cérebro, que precisaram de uma cirurgia para serem retirados, além de um edema cerebral difuso, que faz o cérebro inchar com o acúmulo de líquido e provoca o aumento da pressão intracraniana.

Norberto Cabral ainda alerta para um outro processo grave que se desencadeou com Schumacher, a chamada lesão axonal difusa. Esse tipo de lesão ocorre quando há um forte impacto e o cérebro se move para trás, para frente ou para os lados batendo no crânio de forma violenta. Nesse caso, as células nervosas que permitem funções neuronais normais são rompidas.

Além de ser submetido a cirurgias, Schumacher foi colocado em coma induzido e em hipotermia. Segundo Francinaldo Gomes, a temperatura corporal deve ficar entre 32ºC e 35°C. A diminuição de poucos graus já faz diferença para a atividade cerebral.

Ainda de acordo com o neurocirurgião, essas condições reduzem o consumo de energia do cérebro. Com menos ‘esforço’, o órgão tem mais chances de se recuperar e desinchar, um processo que demora entre sete e dez dias.

“Agora o processo é aguardar o cérebro desinchar. Do mesmo jeito que acontece quando você tem um hematoma no braço ou na perna. O local incha e com o tempo vai desinchando. Só quando desinchar, é possível diminuir os sedativos e ver o que de fato foi afetado, de acordo com as reações do paciente”, conta ele.

A partir daí, começa outro processo que também é muito importante. Uma equipe de terapeutas ocupacionais, psicólogos, fisioterapeutas e outros profissionais da saúde entram em ação. Nesse período, o apoio da família e a idade do paciente são fundamentais. Schumacher, de 45 anos, tem a seu favor o fator de ser atleta e ter praticado atividade física durante toda a vida.

“É um processo fundamental. Esses especialistas ajudam o paciente a estimular o cérebro e fazer com o que o órgão estabeleça novas conexões, novas ligações elétricas e se adapte a uma nova realidade”, diz Norberto Luiz Cabral.

Jornal Midiamax