No funeral, na tarde deste domingo (7), familiares, amigos, ambientalistas e personalidades do setor cultural de Mato Grosso do Sul homenagearam a pesquisadora, que escreveu livros com receitas regionais.

Faleceu na noite deste sábado (6), em Campo Grande, a jornalista e culinarista Iracema Sampaio. Autora de livros com receitas regionais sul-mato-grossenses, ex-editora da revista Executivo, e esposa do ambientalista Francelmo, ela tinha 73 anos.

Iracema morreu na sala de emergência do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, onde realizava tratamento contra o câncer nos últimos dois anos. O corpo foi velado na manhã deste domingo (7) na capela do Cemitério Jardim das Palmeiras, em Campo Grande e o funeral foi realizado às 15 horas, com presença de amigos, personalidades do setor cultural e familiares.

Sampaio nasceu na Bahia, mas se mudou para Mato Grosso do Sul ainda nos anos 50, quando tinha apenas 17 anos de idade. Recém-casada, foi na região do Porto XV de Novembro, na divisa entre MS e São Paulo, que ela aprendeu a ‘ser dona-de-casa’, como dizia.

Foi na culinária que Iracema mais se identificou com a cultura sul-mato-grossense. Para conservar os ensinamentos que recebia de amigas, começou a registrar num caderno as receitas e dicas para cozinhar, conservar alimentos e até criar pequenos animais que serviriam na alimentação.

A bahiana sempre se identificou como ‘lutadora’, e contava que desde muito cedo aprendeu a importância de ‘trabalhar para fora’, ajudando no orçamento doméstico. Esperta, se envolveu com os trabalhos de fiscalização que eram realizados na divisa dos estados e logo começou a editar uma revista sobre os assuntos fiscais do estado, chamada Executivo Fiscal.

Com o sucesso da publicação, ganhou notoriedade no mundo político e, já em Campo Grande, passou a editar a Executivo Plus, que falava também da cultura, turismo e administração pública de MS. Chegou a ter dois títulos em circulação, com a Executivo Rural, voltada para agronegócios.

No começo dos anos 2000, interrompeu a circulação das revistas devido às dificuldades financeiras e passou a se dedicar mais aos projetos editoriais ligados à gastronomia. Foi assim que editou o livro “Cheiros e Sabores de Mato Grosso do Sul”, nome inspirado numa série de artigos que a amiga Vera Tylde, havia publicado na revista Executivo Plus.

Já lutando contra o câncer, editou ainda as obras “Milho Sabor do Brasil” e “Mani-Oca: delícia brasileira”, com 220 páginas de receitas, entrevistas e artigos ligados ao uso da mandioca na culinária nacional.

Viúva de um ambientalista

Iracema Sampaio sempre se  envolveu na causa ambientalista com o marido, Francisco Anselmo Gomes de Barros, o Francelmo. Desesperado com a implantação de usinas e avanço do setor sucro-alcooleiro na região do Pantanal, ele surpreendeu todos quando, em novembro de 2005, ateou fogo ao próprio corpo durante um protesto no centro de Campo Grande.

Viúva de Francelmo, que morreu no protesto, Iracema assumiu a missão de lutar contra as manobras políticas para liberar a instalação de usinas no Pantanal. O projeto contra o qual Francelmo protestava não foi aprovado pelos deputados.

Mas, em 2006, o autor da matéria, então deputado estadual Dagoberto Nogueira conseguiu aprovar outro texto, que permite a ampliação das usinas existentes no Alto Paraguai. Na Assembleia Legislativa, com o Projeto de Lei 097/08, foi ainda extinguida a necessidade da distância mínima de 25 quilômetros entre usinas de álcool e açúcar em Mato Grosso do Sul.(Texto editado às 16h36 para acréscimo de informações)