Nos pés as chuteiras sujas de lama. Nas mãos, os calos e bolhas típicos dos trabalhadores de serviço pesado. Entre os lances no campo de futebol e o movimentos das enxadas, jovens promessas começam a trilhar o sonhado caminho do futebol.

Essas é a trilha escolhida por Felipe e Virlan, que nos gramados cercados por quatro linhas de cal querem construir uma carreira e oferecer algo melhor à família, principais responsáveis em apoia-los na busca por esse sonho futebolístico.

Contudo, nem sempre se pode depender só do futebol. Daí, a vida se divide entre a bola e a enxada: se de manhã o tempo desses garotos é todo dedicado aos treinos no Esporte Clube Comercial, à tarde eles se dedicam a outros trabalhos, seja carregando mudanças ou carpindo quintais e cortando gramas pela cidade.

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Nas mãos os calos e nos pés, a garantia de um futuro no futebol (Foto: Bruno Rezende/Governo de MS)

“Terminamos o Ensino Médio e agora até penso em fazer uma faculdade online, mas o sonho agora é o futebol. Enquanto isso, trabalhamos juntos fazendo bicos ajudando meu pai, que tem um caminhão de mudanças, ou meu avô, que é jardineiro”, explica o jovem Felipe Mohr, de 20 anos, lateral-esquerdo.

Rivalidade dentro de casa

O Comerário de domingo (29) deu início definitivo ao sonho de Felipe e Virlam de vingarem no futebol. Logo de cara, um clássico contra o maior rival, o Operário – que coincidentemente é o time de coração do pai de Felipe, o que rende brincadeiras em casa e até a recusa de um presente provocador: a camisa do rival.

“O Estadual é a nossa vitrine, é nele que temos que nos projetar, buscar dentro do futebol reconhecimento e até ir para outros mercados. Somos novos e estamos aqui buscando isso, o nosso espaço no mundo da bola”, frisa o lateral.

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Felipe e Virlan, jogadores do Comercial (Foto: Bruno Rezende/Governo de MS)

Esse será o segundo ano do campo-grandense pelo profissional do Comercial, já tendo jogado o Estadual do ano passado. Apesar da derrota por 3 a 1, o Comercial segue vivo dentro da competição.

“Joguei a Copinha [Copa São Paulo de Juniores] neste ano e já fui campeão pela base do Almirante Barroso, de Santa Catarina. Já passei pelo Nacional-SP, pelo Santos, e comecei aqui no Cene. Sei que tudo tem seu tempo, o tempo de Deus, e agora sei que chego com mais bagagem agora”, comenta Mohr sobre sua expectativa neste ano.

Longe de casa, uma oportunidade

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Clássico Comerário (Foto: Marcos Ermínio/Jornal Midiamax)

Mais de 1,3 mil quilômetros e 17 horas de estrada. Essa é a distância que Virlan topou ficar da família para buscar a oportunidade no futebol. De Florianópolis, capital catarinense, ele encontrou na base comercialina a chance que procurava.

Após a disputa do Estadual Sub-20 no ano passado e da Copinha neste ano, o zagueiro conta com a ajuda da família de Felipe, que oferece a casa para ele morar enquanto está em Campo Grande.

“É uma experiência nova em minha vida para eu conseguir meu primeiro ano como jogador profissional. Quero fazer um bom campeonato e aqui começar uma boa carreira, quero ser reconhecido e ganhar títulos, jogar fora do Brasil e ajudar a minha família”, diz.

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Treino do Comercial (Foto: Bruno Rezende/ Governo de MS)

Virlan encara tudo como um aprendizado, conhecendo novas pessoas e uma nova cultura, aprendendo também a encarar a saudade. “A gente sente falta, mas acostuma. Não é de hoje que estou longe de casa”, destaca o jovem, de 20 anos.

Estadual 2023

Para a temporada 2023, Fundesporte (Fundação do Desporte e Lazer de Mato Grosso do Sul) fechou um valor de R$ 1.014.490 de apoio ao Estadual, dinheiro usado para custeio de viagens, pagamento da arbitragem e aquisição de material esportivo dos 10 clubes participantes do torneio. O repasse é feito à Federação de Futebol.

O grupo A tem Costa Rica, Operário de Campo Grande, Comercial, Sociedade Esportiva Recreativa Chapadão (SERC) e Coxim. Já a chave B é composta por Dourados, Aquidauanense, Operário Caarapoense, Novo e Ivinhema.

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Clássico Comerário (Foto: Marcos Ermínio/ Jornal Midiamax)

Na fase classificatória, todos se enfrentam dentro do grupo, em turno e returno. Os quatro melhores de cada chave avançam para as quartas de final, depois semifinal e final, com partidas de ida e volta. O sistema “mata-mata” volta ao Estadual após dois anos. O pior time de cada grupo na primeira fase será rebaixado.

O Operário, de Campo Grande, é o atual campeão. Neste ano, o vencedor e o vice-campeão representarão Mato Grosso do Sul na Copa do Brasil em 2024. Na Série D do Campeonato Brasileiro, apenas o campeão estadual tem direito à vaga no ano que vem, segundo regulamento da CBF (Confederação Brasileira de Futebol).