“Prossiga, 573”. A atendente, em casa, acompanhando a modernidade que o home office trouxe, inicia a conversa, acionando o profissional pelo seu código. De lá, pelo aplicativo próprio, recebe a mensagem da corrida e vai até o cliente. É neste ritmo que cerca de 350 taxistas congregam um time, em Campo Grande, em busca da superação diária diante da concorrência avassaladora, iniciada em meados de 2016.  

Na época, com propaganda em todo canto e distribuição de cupons para a população, os passageiros não tiveram dúvidas em baixar o aplicativo da concorrência. Assim, muitos taxistas ficaram abalados com o que chamaram de desleal e houve debandada do setor. Na sequência, outras empresas do ramo apareceram, também com preço competitivo. No entanto, o que grande parte da população não sabia é que os taxistas já tinham se modernizado, muito antes disto, inaugurando um aplicativo próprio três anos antes.

Flávio Panissa (Graziela Rezende/Jornal Midiamax)

“Não foi fácil, foi qualificado como dumping na época. A concorrência chegou injetando dinheiro, dando cupom para sociedade e com motoristas de fácil adesão. Hoje, para ser taxista, cada um tem que ter o seu curso e o seu credenciamento, então, como se tornou uma coisa desordenada, nosso setor foi uma presa fácil. Nós sofremos um impacto muito grande, mas, sobrevivemos “, afirmou Flávio Panissa, presidente da Coopertáxi MS.

Desta forma, de 700 taxistas, o número caiu pela metade. “Eu já fiz um teste, divulgando para as pessoas que temos o nosso aplicativo e, com o tempo, acontece da pessoa se perder. Não foi algo que massificamos, como o concorrente fez, anunciando nas redes sociais e dando cupons. E a gente, por ser uma empresa local, nunca tivemos condições de criar esta marca. A marca que criamos foi aquela do passado, a Rádio taxi, que não é uma empresa de rádio taxi hoje. Isso nem se utiliza mais. Nós temos aplicativo desde 2013 e atendimento robotizado pelo Whatsapp”, argumentou Panissa.  

Avaliando a trajetória, o presidente diz que a empresa se reinventou e a mão de obra melhorou, além do nível dos carros. “O taxista que ficou aprendeu ainda mais a fazer o seu serviço. Eles o entregam com qualidade e, não só com a prestação do serviço em si, mas, a sua ferramenta de trabalho, forma de pagamento e evolução. Não é só aquela de aceitar só dinheiro, porque o pagamento hoje, embora tenha a cooperativa, a gente não negocia o pagamento, é direto com o motorista, então, o taxista acompanhou a evolução e, a meu ver, está no ramo do transporte concorrendo com um serviço de altíssima qualidade”, avaliou.  

Veículos modernos surpreendem

Marlos Rogério do Amaral trabalha com táxi há 24 anos (Graziela Rezende/Jornal Midiamax)

São, ao todo, 70 pontos espalhados pela capital sul-mato-grossense. E neste vai e vem, a chamada por uma corrida pode surpreender. A reportagem do Jornal Midiamax fez um teste, indo até a Praça do Papa e solicitando uma corrida ao Aeroporto Internacional de Campo Grande. Ambos, tanto o carro por aplicativo como o táxi deram R$ 17, apenas com uma diferença de centavos.  

Desta forma, para conhecer mais sobre estes profissionais, a escolha pelo táxi foi evidente. Estando nas proximidades, Marlos Rogério do Amaral, de 47 anos, é quem me atendeu. A chegada do taxista, a bordo de um BYD Song Plus 2023, avaliado em R$ 229.800, já foi surpreendente.  

Há um mês com o veículo, pasmem, já percorreu pouco mais de sete mil quilômetros e diz que a maioria dos clientes tem reação parecida, assim que ele se apresenta. “As pessoas ficam impactadas com o carro, com a qualidade e duvidam se realmente é um táxi. E, em pouco tempo, já rodei muito, não só em Campo Grande, mas, diversas cidades do Estado. Atendo também viagens fora de Mato Grosso do Sul e até do país, se o cliente quiser”, ressaltou.  

Preço da cooperativa e do aplicativo concorrente (Print dos aplicativos/Reprodução)

No entanto, nem sempre Marlos teve um carro de luxo para ofertar aos passageiros. “Moro em Campo Grande há 30 anos, sendo 24 que trabalho no táxi. Mesmo sendo filho de um taxista – meu pai trabalhava no Rio Grande do Sul – nunca pensei em trabalhar no ramo, foi meio que uma coincidência. Vim para trabalhar em outro setor, depois outro, aí acabei caindo no táxi. E hoje digo que é a profissão que sustento minha família, é a profissão do meu coração, é o que gosto e procuro sempre fazer com excelência, da melhor forma possível”, disse.  

Quando começou, Marlos disse que atendia os clientes em um carro popular. “Eu sonhava em ter o meu táxi, o meu alvará, a minha licença. E depois sonhava em ter um Corolla, mas, era uma corrida andando no Uno 98 e outra empurrando na volta ou então vindo no guincho. Lembro que tinha gente que ria, que falava que eu estava sonhando alto demais. A situação daquele momento realmente era impossível, mas, tive foco no meu alvo”, relembrou.  

De acordo com o taxista, foram inúmeros os “plantões 24 horas” e confraternizações de Natal e Ano Novo, que ele ficou distante da família e focado no trabalho. “Aí as coisas foram acontecendo e, em 2016, arrendei um ponto. Comprei um Voyage e veio o baque da Uber em Campo Grande, que derrubou muitos taxistas. Só que eu finalmente tive a minha licença, teve a licitação e eu troquei por um Cobalt, mantendo o alvo no Corolla. Quando consegui, fiquei dois anos com ele e surgiu a oportunidade de comprar este carro atual”, contou.  

‘Intenção é inovar e fazer a diferença na frota’, diz taxista

Ao adquirir o carro ultramoderno, Marlos explica que a intenção é inovar e fazer a diferença na frota. “Eu busco mostrar a todos que a gente pode chegar onde almeja, basta não desistir. Uns chegam mais rápido, outros mais devagar e só não vai chegar aquele que desistir. Este fracassou na metade do caminho, então, é necessário ter foco e fé. Penso que é uma mão dupla: proporciono conforto para o passageiro e faço economia de combustível e tenho mais lucro”, opinou.  

Enquanto fazíamos o trajeto, o carro híbrido – que possui tanto o motor elétrico como a combustão – estava funcionando com energia elétrica, apontando cerca de 60% de bateria. “Quando atinge 20%, ele começa a entrar no motor a combustão, começa a mesclar, então, tanto o carro pode ser carregado na tomada quanto se autorregenerar, gerando a economia de combustível”, ponderou Marlos. 

Taxista tem orgulho da sua profissão (Graziela Rezende/Jornal Midiamax)

Ao falar sobre o conforto e modernidade, Marlos mostra algumas opções do veículo, como o fato dele ser ligado também pelo celular e a persiana e o teto solar abrirem por comando de voz, por exemplo. Assim, brinco que é possível chamar a corrida e passar por “dublê de rico” na capital sul-mato-grossense.  

“Com certeza dá. Eu atendo gente que leva o maior susto e passa sim por dublê de rico. Tira foto, filma. E o legal é que fideliza o serviço. Mas, também atendo profissionais que sempre pedem carro de luxo, como gerentes de bancos, por exemplo, que precisam ir de uma cidade a outra. São pessoas que já conhecem nosso aplicativo, sabem do preço competitivo que temos e preferem motoristas credenciados”, disse Marlos.  

Na rotina de trabalho, o taxista diz que sempre aconselha as pessoas ao defenderem o preço da concorrência. “O ideal é comparar os preços. Nós não temos o preço dinâmico, por exemplo. Nosso valor é o mesmo se estiver chovendo, com baixa ou alta demanda, é sempre pautado pelo taxímetro. Já os outros aplicativos dependem muito da oferta e procura, então, as vezes, uma corrida de táxi que estaria R$ 15 chega ao dobro na tarifa dinâmica do aplicativo”, ressaltou Amaral.  

Taxista Olegário Pereira de Araújo (Graziela Rezende/Jornal Midiamax)

O taxista Olegário Pereira de Araújo, de 51 anos, tem uma história de vai e vem no “mundo do táxi”. “Quando chegou a concorrência, desleal na minha opinião, ficou bastante difícil pra gente. Eu saí e me ausentei, fiquei quatro anos fora e retornei no ano passado às atividades”, contou.

Agora, orgulhoso em trabalhar na cooperativa que tem aplicativo próprio e preço competitivo, Olegário diz que tem mais um agravante.

“A liberdade de você trabalhar em algo seu me fez voltar. E tem ainda a questão do concorrente, com mal atendimento, e com isso estamos ganhando ainda mais espaço. Estou sempre cuidando do meu carro. E aqui a nossa corrida chega rápido, é confiável, não deixa o cliente esperando muito tempo”, opinou.

Sobre ser taxista, Olegário também fala em orgulho. “Esta, sem dúvidas, é a minha profissão, a minha paixão. A gente é ouvinte também, tem amor em conviver com pessoas diferentes no dia a dia, com suas histórias, é muito bacana”, finalizou.

Plantão home office continuou após a pandemia

E as modernidades da Cooperativa não se resumem só ao aplicativo e aos carros, já que muitos trabalhadores também passaram por adaptações. Funcionária há quase uma década, Maria Angélica Nazário, de 50 anos, relembra os tempos em que o serviço acumulava, em média, duas mil corridas ao dia, na capital sul-mato-grossense.

Sede em Campo Grande (Graziela Rezende/Jornal Midiamax)

“Trabalhei a maioria do tempo no formato presencial e agora eu atendo e direciono as corridas da minha casa. Lembro muito dos plantões quando chovia, era muito corrido e nem temos mais o rádio como era antes, era por lá que liberávamos as corridas. As meninas da equipe tinham que saber o ponto mais próximo, ficarem atentas onde era cada bairro e região e também todas as saídas da cidade. Tinha que ter uma noção como um todo, enquanto os motoristas ficavam ligados naquele radinho. Hoje o sistema é todo diferente, já vai para o ponto mais próximo automaticamente”, explicou Nazário.

Cooperativas são as que mais crescem como instituições financeiras

Amante do modelo corporativista, o professor Ivan Correa Leite possui 25 anos de experiência no assunto, publicando artigos, livro e também ministrando aula de direto dos contratos, na ESAN (Escola Superior de Administração e Negócios), da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), além de percorrer diversos estados brasileiros para conhecer o modus operandi de diversas cooperativas no país.

“Tenho sim este livro sobre o corporativismo, com base na Constituição, e também artigos publicados a respeito da legislação corporativista. A intenção é explanar o cooperativismo e seus vários planos de atividade, envolvendo as cooperativas de trabalho, transporte e produção. Em Campo Grande, temos muitos exemplos de sucesso e fato é que a Sicredi [Sistema de Crédito Cooperativo] e Sicoob [Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil] são as que mais cresceram como instituições financeiras”, explanou o professor.

De acordo com Ivan, enquanto outros bancos fecharam milhares de agências e postos de trabalho, fazendo também incorporações, desde o ano de 2002, perdendo inúmeras vantagens, as cooperativas de crédito cresceram, entraram no meio rural e também em universidades, por exemplo.

Professor possui 25 anos de experiência e já escreveu livro sobre o cooperativismo. (Arquivo Pessoal)

“Foram preenchendo estes buracos, chegando em pequenas comunidades e também atendendo aos servidores. É o caso da UFMS. Lembro que, quando entrei na cooperativa de lá, era só para os funcionários, sendo professor ou servidor. Depois, virou Sicredi União e se estendendo, em Campo Grande, Maracaju, Dourados, Ponta Porã, Itaporã, Rio Brilhante, Caarapó, todos os locais onde tinham polos da universidade. Agora é impossível dizer todos os lugares onde tem uma cooperativa, pois, são vários os campos de atuação”, disse o professor.

‘Nova roupagem do sistema financeiro’, opina professor

Nesta profusão de cooperativas, conforme Leite, tivemos também um crescimento operacional e percentual representativo de produtos. “Os envolvidos dão essa roupagem jurídica e criam uma associação, seja por questões tributárias, de infraestrutura e logística e todos vão crescendo junto. É um modelo que se espalhou a nível Brasil e eu acho muito interessante. Lembrei até de um passeio em um local turístico, recentemente, em que é tudo areia e só anda caminhonete ou bug por lá. O pessoal se juntou e montou uma cooperativa de transporte. Compram pneu em conjunto, pelas em conjunto, combustível, tudo fica mais fácil”, explanou.

Assim, ainda conforme o professor, “muitos sonhos são realizados”. “É o verdadeiro significado da cooperativa: trabalhar em conjunto. E é algo antigo. Eu estudei antigas corporações de ofício, lá da Idade Média, em que se uniam para levar mercadoria, rachavam o transporte, a segurança, gerando maximização para todo mundo. É a nova versão, a nova roupagem do sistema financeiro que vai mexendo com o sistema bancário tradicional e modificando o plano social e econômico. Eu fico muito alegre em ver todo este desenvolvimento”, comemorou.

Para explanar ainda mais o assunto, o presidente do Sistema OCB/MS (Sindicato e Organização das Cooperativas Brasileiras no Mato Grosso do Sul), Celso Ramos Régis, concedeu entrevista ao Jornal Midiamax. Acompanhe:

Presidente da OCB/MS, Celso Ramos (Graziela Rezende/Jornal Midiamax)

1) O cooperativismo de transporte nasceu e sempre se mostrou de forma muito organizada, em Campo Grande. No entanto, tudo mudou no ano de 2016, quando chegou a concorrência avassaladora dos carros por aplicativo. Muitos motoristas não suportaram o baque e houve uma debandada, mesmo os cooperados do táxi já tendo um aplicativo e prática em toda a cidade. O que faltou na época e como o setor pode se alavancar atualmente, na sua opinião?

O principal desafio que foi encontrado pelos taxistas, naquele momento, era compreender o novo momento que estava se avizinhando, que é de modernidade, de ter como princípio maior, propósito do profissional do táxi, em Campo Grande, de que o cliente, o usuário, precisava ser melhor tratado. E este ambiente, que foi encontrado pelo concorrente, naquele momento, foi fértil para ele, porque chegou fazendo uma oferta nova e mostrando para o usuário que poderia ser melhor do que aquele serviço oferecido pelos cooperados da Coopertáxi, em Campo Grande.

E isso foi um baque inicial, com uma questão simples, de cultura das pessoas. Eles não estavam preparados, não foram preparados. Nós todos aqui, tanto da casa do cooperativismo, como a direção da própria cooperativa naquele momento, não enxergamos que aquilo poderia dar um impacto grande neles [taxistas]. E como deu. E aí o que aconteceu? Eles se assustaram e, com o susto, muitos deles não enfrentaram a realidade.

Ao invés deles partirem pra cima e buscarem parcerias, porque cooperação e cooperativa, compreende parceria entre as pessoas e não parceria de capital, de dinheiro. Neste caso, é um profissional da socidade, os motoristas de táxi, de transporte, buscando melhorar os seus rendimentos, através de uma oferta de serviços que seja atrativa para o usuário. Chegou um concorrente, demonstrando ser melhor, o usuário foi para lá, o que é muito natural em qualquer atividade econômica na socidade. E aí alguns deles abandonaram, o que eu acho que foi uma grande perda nisso tudo.

Tivemos, então, muitos dos nossos colegas, cooperados que abandonaram a profissão e foram para outro lado. Outros ficaram incrédulos, outros exigiram providências da própria cooperativa, o que não tinha o que fazer, porque a cooperativa são os próprios cooperados. Ela sozinha, o presidente sozinho, não fazia nada. E naquele momento foi difícil realmente, mas, só permaneceu a existência da cooperativa por ser um ente corporativo. Se fosse uma empresa convencional, comercial, de mercado, tinha fechado, praticamente sucumbido. E a única que deixou de ser Rádio Táxi, para ser um serviço alternativo de transporte, por um aplicativo, foi a própria Coopertáxi. E ela se reiventou com isso.

Aplicativo está disponível para Android e iPhone (Graziela Rezende/Jornal Midiamax)

Eles enfrentaram – aqueles que ficaram – é claro. É como a gente costuma dizer: ‘Foi chacoalhado este limoeiro, alguns se perderam, foram embora, outros apodreceram’. E os que ficaram já estão colhendo os frutos, porque enfrentaram a realidade e só juntos conseguiram vencer este desafio, porque foi em cooperativa, porque se fosse individualmente, já tinham ido embora. A cooperativa é dos cooperados e, neste caso em específico, graças a Deus a cooperativa permaneceu e está aí em atividade, comn condições de ofertar, da mesma forma, os produtos e serviços realizados pelos concorrentes. E aí o cooperado, os limões que ficaram, conseguiram, realmente, se reiventar, a começar pelo seu próprio instrumento de trabalho, que são os veículos.

Se antes, no passado, os veículos eram amassados, com frota mais antigas, eles começaram a se modernizar, verificando inclusive legislação de compra de veículos, com subsídios de impostos, não é de graça e sim um financiamento diferenciado. Aqui, inclusive, fizemos treinamentos e capacitações, para melhorar até a aparência do nosso condutor do táxi, tudo para atrair e encantar o usuário. Passamos a ter cheirinho no carro, passamos a abrir a porta, ou seja, a inteligência da própria gestão da cooperativa proporcionou isso aos cooperados. E deu muito certo. Não foi 100%, mas, com certeza foi acima de 80% a adesão dos cooperados, dos limões que ficaram e hoje temos essa forma empreendedora do cooperativismo.

E a Coopertáxi, hoje, não perde em nada, mas nada mesmo. Acho que tem até vantagens, pois, a renda deste empreendimento fica em Campo Grande. E neste acreditamos mais porque promove o desenvolvimento da nossa comunidade, da cidade. São os nossos motoristas recebendo o resultado deste empreendimento e encarando os desafios.

2) Eu soube que o senhor é filho de taxista e tem toda uma história de envolvimento com o cooperativismo de transporte. Neste sentido, muitos cooperadores também carregam histórias semelhantes em seu DNA, já que “herdam” a profissão. Como, então, o cooperativismo de transporte, faz esta gestão de negócio familiar e busca oportunidades?

É verdade. Sou de origem rural, junto com meu pai e meus tios. Somos uma família de catarinenses, que veio para o Mato Grosso do Sul para plantar café. E aí, quem é da região sabe, que em 1975 deu uma geada aqui na região que dizimou o café. Deu no sul do Brasil inteiro, mas, Campo Grande, como era um forte produtor de café, na década de 60 e 70, o café acabou. E minha família cuidava disto. Bom, lavoureiro que vinha para cidade e que tinha pouca instrução formal, naquele momento, como tinha um pouquinho de caixa ainda, foram trabalhar no táxi. E assim foi com meu pai e meus tios, dois irmãos dele.

(Graziela Rezende/Jornal Midiamax)

E eu tinha 15, 16 anos na época. E o primeiro lugar que eles foram buscar apoio foi em uma cooperativa e como já éramos envolvidos em cooperativas da área rural, de leite, do agro, eu passei, então, a ter em casa a cultura da cooperativa.

Essa palavra, dentro da minha casa, da casa dos meus tios, dos meus avós, era muito comum. Alguém dizia: ‘Ah, onde você vai?’ Vou lá na cooperativa, tem uma reunião lá, tinha o sindicato dos taxistas também ou era na cooperativa de leite, então, eu tinha todo esse envolvimento com o cooperativismo, desde pequeno.

Mais tarde, depois, junto com um grupo de colegas, tenho muito orgulho de ser egresso da UFMS [Universidade Federal de Mato Grosso do Sul], nós criamos, em 1988, a primeira cooperativa de crédito de Mato Grosso do Sul, a Sicredi União. E a cooperativa se manteve lá por muitos anos e depois se espalhou pelo país todo e acabou me trazendo até aqui, para a casa do cooperativismo. Eu era conselheiro e acabei virando presidente, então, todo esse envolvimento nos permitiu valorizar o trabalho que esta cooperativa do transporte faz. Para nós, é muito importante e eu sou um usuário permanente e, quando não tenho o meu veículo, uso e minha família usa também.

E outro fator importante: a segurança. Eu acho que é muito maior que em qualquer outro aplicativo. Primeiro que, a gente entra no carro e a autorização, a credencial, já está ali no painel. Você pegou outros, não tem logomarca nem na porta e isso, com o aspecto segurança, em horários mais complicados, como é o noturno, acho isso primordial. E essas pessoas passam por preparações constantes, com cursos, trabalhos de reciclagem e que as demais não passam. E eu, enquanto usuário, sou um defensor destes condutores autônomos que, aliás, é assim que eles são credenciados na prefeitura. E o mais nos gratifica hoje é que, em 2016, lá se vão oito anos, e sabemos que o preço é muito competitivo e ainda ganha no fator segurança.

3) Todos nós sabemos que transportar é preciso. E a frota da agora possui carros modernos e ultra modernos circulando pela cidade. É esta modernidade, aliada aos aplicativos e o cooperativismo que vai garantir a sobrevivência das cooperativas deste setor?

Sem dúvida. Modernização e profissionalização cada vez mais. Modernização da gestão da própria empresa cooperativa. Não é uma filantropia, não é assistencialismo, não é nada disso e sim um mundo empresarial, tanto é que a cooperativa tem todo um processo. E a Casa do Cooperativismo, que é o sistema OCB e Sescoop está aqui preparado e como guardião, desta forma de organização econômica da sociedade, através do empreendimento corporativo. E cada um dos cooperados é um empreendedor, que se juntam na grande empresa chamada cooperativa.

E este processo todo é de extrema solidariedade, sustentabilidade e que garante a renda justa aos profissionais do táxi, então a gente tem certeza que, doravante, esta cooperativa do transporte já está em igual e condições com qualquer um destes grandes aplicativos que concorrem aí no mercado. E digo mais, com uma certa vantagem, porque, como eu disse, a solidariedade, o conhecimento e o relacionamento que há entre os cooperados não existe no concorrente. Este é um grande diferencial, já que juntos são mais e mais fortes. E podem, através de diversas modalidades, de boa governança e gestão, oferecer realmente um serviço de qualidade a população.

Conheça um dos táxis ultramodernos que circulam por Campo Grande: