O HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul) suspende a partir desta segunda-feira (15) as cirurgias eletivas e restringe as visitas como medida de reorganizar recursos e segurança sanitária na unidade, diante de um possível surto de covid-19. A situação, segundo o hospital, é ainda mais complicada devido ao baixo estoque de álcool 70% e substituição para clorexidina 0,5%, que teria a mesma eficácia para limpeza dos setores.

Serão cinco dias de suspensão dos procedimentos eletivos, considerados de menor urgência. Apesar de não citar diretamente a covid-19 motivando os afastamentos temporários, o hospital salienta as medidas utilizadas durante a pandemia, como a limitação de apenas um visitante do paciente e o uso obrigatório de máscaras dentro do HR.

“Estas ações são temporárias e visam garantir o melhor atendimento e a máxima segurança para nossos pacientes, visitantes e profissionais de saúde. Estamos monitorando a situação de perto e reavaliaremos essas medidas conforme necessário”, diz o comunicado.

Falta de álcool

Segundo funcionários, produtos com clorexidina estão sendo usados no hospital há uma semana. A servidora, que preferiu não se identificar, disse que a equipe de limpeza é terceirizada, mas também estaria com o álcool em falta. “Todos os setores do hospital estão usando clorexidina”, disse.

De fato, o HR conformou o baixo estoque de álcool 70%, adotando o uso racional do insumo e, em alguns casos, a substituição com o uso da clorexidina 0,5%, que tem a mesma eficácia do produto em questão.

“A fim de garantir a segurança e a assistência aos nossos pacientes, toda essa estratégia é acompanhada pela CCIH (Comissão de Controle de Infecção Hospitalar) e o processo para a aquisição do álcool 70° está em fase final”, esclarece.

A clorexidina é um antisséptico químico que atua no combate a fungos e bactérias. É uma substância atóxica, não poluente e que não exala gases. Também é utilizada na higienização das mãos, limpeza de superfícies, equipamentos e roupas em hospitais, consultórios odontológicos e em outras unidades de saúde. A substância também é recomendada para antissepsia da pele e membranas mucosas, e no tratamento de feridas e queimaduras, segundo a indústria do ramo Cottonbaby.

“No caso dos produtos antissépticos à base de álcool e de clorexidina, esses compostos atuam de formas diferentes, mas, em termos de eficácia na higienização de mãos e superfícies, são bem similares”, descreve a empresa.

Falta de concursos

O presidente do Sintess-MS (Sindicato dos Trabalhadores em Seguridade Social de MS), Ricardo Bueno, disse que está apurando a motivação dos afastamentos. Para ele, a falta de concursos públicos afeta a demanda de atendimento e estrutura do hospital.

“A gente já está sem concurso há muito tempo. As pessoas acabam saindo na contratação, porque não é segurança, se acha alguma coisa mais segura ele acaba saindo. Então, não passa só por alguns funcionários estarem com covid, porque tinha paciente com covid, automaticamente alguns outros funcionários pegam, mas é um número não significativo, não chega a 10 funcionários. Seria normal se você tivesse um RH completo, o problema é que hoje você não tem o RH completo, o RH ele está menos na metade do que é necessário para tocar o hospital todo, não é nem só enfermagem. Tanto o governo anterior como este autorizaram o concurso para o Regional, mas não acontece”.

O último grande edital foi lançado em maio de 2023, com 279 vagas para diversos cargos, envolvendo profissionais, técnico e auxiliar de serviço hospitalar.

A reportagem entrou em contato com o hospital para atualização sobre as medidas aderidas e com a SES (Secretaria Estadual de Saúde). O espaço segue aberto para um posicionamento.