Saudades da risada, da voz que ficou guardada na lembrança e até das birras quando queria alguma coisa: é o que restou para Jean Carlos OCampo, após a morte da pequena Sophia Ocampo, de 2 anos, em janeiro deste ano, em Campo Grande. Hoje, dia 2 de junho, a menina faria 3 anos, e uma festa já era programada para a comemoração que não aconteceu. O tema seria fundo do mar, nova paixão de Sophia na época em que foi morta.

Para Jean ficaram só as lembranças da filha. Em entrevista ao Jornal Midiamax neste dia marcado pela dor, ele afirma que espera por Justiça. O pai de Sophia contou que a última vez que viu a filha foi 12 dias antes da morte dela. Segundo Jean, no dia em que tinha de devolver a filha à mãe, ele não queria e falou à ex-mulher que levaria Sophia no dia seguinte, mas ela não aceitou, mandando a avó de Sophia buscá-la. 

“Quando eu falava para a Sophia que precisava devolvê-la para a mãe, ela sempre dizia que não”, fala Jean que ainda afirmou que via a filha a cada 15 dias e os hematomas no corpo da menina sempre eram leves, já que se passava muito tempo até vê-la novamente.

Jean conta que quando questionava a mãe de Sophia sobre os machucados, ela dizia que eram brigas entre as crianças e que isso era normal. “Eu sabia que alguma coisa estava acontecendo, mas não sabia da gravidade”, diz Jean que ainda contou ter levado a filha até a DEPCA para ser ouvida em depoimento especial. “Não acreditaram nela”, disse.

Segundo o pai da menina, a psicóloga teria perguntado a Sophia quem a machucou e ela respondeu, ‘papai’, mas o que foi descoberto é que a criança chamava o padrasto de ‘papai’. “Eu levei um susto com a resposta dela no dia”, fala. Em seguida, a psicóloga perguntou de novo quem a teria machucado, e ela respondeu a ‘mamãe’.

Assim, a psicóloga afirmou que não havia como creditar a história da criança porque ela não sabia verbalizar. “A Sophia disse, só não acreditaram nela”, falou Jean que agora luta por Justiça para que a morte da filha não fique impune. 

Eu tentei pegar a Sophia, mas não consegui. “A Justiça só via um casal gay e não olharam para a bebê”, disse Jean. “Não tivemos ajuda, procuramos e não tivemos”, afirmou Jean ao lembrar sobre os últimos momentos que passou com a filha. “Ela era o sol, da casa, era a nossa alegria e quando foi embora foi muito difícil, até pela forma como aconteceu”, finalizou. 

Audiência caso Sophia

A audiência do dia 26 de maio acontece após ter sido remarcada. No dia 19 do mesmo mês, o juiz Carlos Alberto Garcette suspendeu a sessão após um bate-boca com os outros dois advogados da defesa do padrasto. Os advogados Willer Souza Alves e Pablo Gusmão, foram retirados durante audiência de instrução e julgamento.

A confusão ocorreu quando Willer discutiu com o juiz ao dar um copo d’água para uma testemunha durante o depoimento dela. A testemunha prestava depoimento e respondia às perguntas do juiz, quando começou a se emocionar e chorar no plenário. O advogado Willer, do padrasto de Sophia, teria passado em frente ao magistrado e entregue um copo d’água para a mulher.

O juiz teria dito ao advogado que era permitido que ele fizesse apenas a função de defesa durante a audiência, e explicou que o copo de vidro não era permitido para as testemunhas. O advogado teria falado que “poderia fazer a função que quisesse, de advogado ou copeiro”, quando foi advertido pelo juiz.

Então, o magistrado pediu para que os policiais militares que acompanhavam as audiências retirassem o advogado, que no primeiro momento se negou. O outro advogado, Pablo Gusmão, ainda teria tentado amenizar a situação, e também foi retirado do Plenário.

Morte da menina Sophia

Sophia morreu aos 2 anos, na noite do dia 27 de janeiro. Ela foi levada pela mãe a um posto de saúde, onde as médicas que atenderam a menina constataram que ela já estava morta há pelo menos quatro horas. Tanto a mãe como o padrasto de Sophia foram presos e já indiciados pelo crime. 

O casal ainda tentou alterar as provas da morte da menina para enganar a polícia. A prisão preventiva foi decretada no dia 28 de janeiro. Em sua decisão, o magistrado afirmou que: “A prisão preventiva se justifica, ainda, para preservar a prova processual, garantindo sua regular aquisição, conservação e veracidade, imune a qualquer ingerência nefasta do agente. Destaca-se que, conforme noticiado nos autos, a criança somente foi levada para o Pronto Socorro após o período de 4 horas de seu óbito, o que evidencia que os custodiados tentaram alterar os objetos de prova.”

O juiz ainda citou que caso o casal fosse solto, haveria a possibilidade de tentativa de alteração de provas “para dificultar ou desfigurar demais provas”. O casal foi levado para unidades penitenciárias, sendo a mulher para o interior do Estado e o padrasto da menina para a Gameleira de Segurança Máxima. 

A menina passou por vários atendimentos em unidades de saúde, entre eles febres, vômitos, queimaduras e tíbia quebrada. Em menos de 3 meses, a criança foi atendida diversas vezes sem que nenhum relatório fosse repassado sobre os atendimentos a menina.