Quem é leigo e olha o muro de pedras e a escadaria no Hotel Serra Verde não imagina que as estruturas abrigam registros arqueológicos de 400 milhões de anos. 

Além dessa curiosidade, outras partes do hotel também foram reaproveitadas, como as vigas de madeira que decoram os corredores que eram de pontes antigas de estradas pantaneiras.

O estabelecimento, que fica às margens da BR-163, em Rio Verde de Mato Grosso, distante a 213 km de Campo Grande, foi construído há 24 anos, em 1999, e sempre esteve no mesmo endereço. 

O hotel com arquitetura de estilo colonial e que levou um ano para ser finalizado conta com “curiosidades” desde o primeiro passo ao chegar no empreendimento, com os fósseis e icnofósseis gravados nas pedras da escadaria e do muro de pedras. 

“Linhas” nas pedras apontam que algum organismo deixou marcas na superfície milhões de anos atrás. (Nathalia Alcântara, Jornal Midiamax)

Os fósseis são os restos de animais ou vegetais conservados nas rochas e os icnofósseis são os vestígios da passagem de um organismo enquanto vivo por uma superfície, como as marcas das pegadas.

São linhas e relevos que guardam registros do período devoniano e mostram que Mato Grosso do Sul já foi coberto por um oceano há 400 milhões de anos.

De acordo com a pós-doutora em geociências e coordenadora do GeoPaLab (Laboratório de Geologia e Paleontologia) da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Professora Edna Maria Facincani, esses organismos já foram extintos eras atrás, sendo a maioria invertebrados, ou seja, não tinham coluna vertebral e nem ossos.

“A anta não passa e deixa as marcas? Esses animais também passaram e deixaram registros”, explica a professora da UFMS sobre o que são os icnofósseis.

Ela também aponta que a paisagem em volta do Hotel Serra Verde conta histórias de milhões de anos quando se olha para os relevos do outro lado da BR-163. 

Relevos também “contam” histórias sobre Mato Grosso do Sul. (Nathalia Alcântara, Jornal Midiamax)

“O relevo está sendo esculpido por essas rochas. O relevo é atual, mas as rochas são antigas. Existia uma quantidade de sedimento de 2 a 3 km para cima, mas isso foi erodindo com o tempo”, ela observa.

Fósseis foram uma surpresa

A primeira ideia dos proprietários era fazer um muro com grama, porém o plano foi alterado e, graças a essa decisão, fez com que o hotel tivesse fósseis e icnofósseis na estrutura sem querer.

“Na época uma mineradora estava tirando argila para as empresas de cerâmicas, em um local aqui na cidade chamado Morro da Lua. Os antigos proprietários tiveram a ideia de fazer esse muro e a escadaria de pedras. É uma pedra argilosa que foi tirada do subsolo e colocada aqui”, relembra a gerente Stefani do Amaral Alves. 

Contudo, a gerência do hotel não tinha ideia que as pedras tinham icnofósseis de milhões de anos até que um paleontólogo se hospedou no local e fez a descoberta. 

Museu Pantaneiro mostra cultura da região. (Alexandre Fotografia, Hotel Serra Verde)

Depois disso, pesquisadores da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) também foram ao hotel conferir as pedras e, a partir disso, a “curiosidade” sobre os fósseis na pedra começou a ser compartilhada com os clientes. 

“Eles [os clientes] assim como nós [que trabalham no hotel] ficam maravilhados. Atendemos aqui em sua maior parte turismo e turismo de negócios, temos um espaço muito bonito e amplo”, conta a gerente. 

Outra curiosidade no espaço é o “Museu Raízes Pantaneiras”, inaugurado em novembro de 2021, para fomentar a parte turística e cultural do povo pantaneiro. O Hotel Serra Verde também conta com serviços como trilhas e passeios a cavalo.