Campo Grande amanheceu sem transporte coletivo na manhã desta quarta-feira (18) após os motoristas anunciarem paralisação na terça-feira (17). Nesta manhã, as garagens amanheceram lotadas e veículos que sairiam para os itinerários permaneceram estacionados.

O STTCU (Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo Urbano) havia definido que a paralisação dos motoristas para hoje após pedido de reajuste salarial com o Consórcio Guaicurus não ser atendido. A categoria pede 16%, mas empresários ofereceram 6,4%.

Nesta manhã, a frota das empresas Viação São Francisco, Cidade Morena, Campo Grande e Jaguar, permaneceram nos pátios e os motoristas ‘cruzaram os braços’. A Polícia Militar acompanha de longe a concentração de grevistas na Jaguar.

O Terminal General Osório, um dos principais da Capital, está vazio. Algumas vans estão fazendo o serviço de transporte de passageiros que estão sem o transporte coletivo nesta quarta.

Justiça não aceitou pedido do Consórcio Guaicurus

Em decisão na tarde desta terça-feira (17), a Justiça do Trabalho negou pedido do Consórcio Guaicurus que tentava impedir a paralisação dos motoristas do transporte coletivo de Campo Grande.

O advogado do Consórcio Guaicurus, Felipe Barbosa, informou à reportagem que o juiz plantonista negou o pedido em carácter de urgência.

“Nosso pedido de liminar foi indeferido, o juiz destacou no despacho dele que ainda não apresenta riscos. E disse que se houver a paralisação, vai reavaliar o pedido e notificar o sindicato”, relatou.

Sem reajuste salarial

Em ata do encontro encaminhada ao Jornal Midiamax nesta terça-feira (17), os empresários alegam que o reajuste solicitado não será realizado porque, segundo eles, o valor da nova tarifa do transporte público ainda não está definido.

Com a negativa do Consórcio, o sindicato sinalizou a paralisação dos motoristas ‘a partir’ desta quarta-feira (18), porém não é detalhado se a mobilização segue nos demais dias da semana.

O presidente do Consórcio Guaicurus, João Resende, disse ao Midiamax que a empresa ingressará ainda nesta tarde de terça-feira com ação trabalhista para impedir o movimento, que segundo legislação, estaria irregular.

“Nós pedimos para que não fizesse, pedimos para que seguissem a lei. Vamos protocolar agora a tarde com o juiz de plantão”, disse. Resende afirmou que a Prefeitura Municipal não se manifestou a respeito da nova tarifa, que há mais de um mês vem sendo tratada pela empresa.

Negociação de reajuste

Há cerca de um mês os motoristas estão em diálogo com a empresa detentora do transporte público de Campo Grande. Eles pedem reajuste de 16%, mas empresários ofereceram 6,4%.

Desde 22 de dezembro, motoristas alertam sobre a paralisação. Então, neste dia o Consórcio afirmou que a formalização de acordo de reajuste salarial com os trabalhadores passa pela definição da prefeitura a respeito do reajuste tarifário.

Em reunião da empresa com a categoria no dia 27 de dezembro, foi proposto aos motoristas um reajuste de 6,4%, mas o sindicato rejeitou inicialmente a proposta. Um novo encontro foi marcado para o dia 29 de dezembro, mas adiado após pedido do Consórcio.

Reajuste da tarifa

A categoria pede o reajuste salarial de 16%, enquanto empresários pontuam o limite de 6,4%. Desde 22 de dezembro, debatem o valor do reajuste, mas não alcançaram um acordo.

O Consórcio Guaicurus pede aumento da passagem do transporte público de R$ 4,40 para R$ 8. De acordo com o diretor-executivo do consórcio, Robson Strengari, o novo preço considera diversos fatores, como a alta do combustível e INPC (Índice Nacional de Preço ao Consumidor).