Apoena já estava prestes a vir para o Pantanal de Mato Grosso do Sul e continuar o legado de sua mãe Amanací – resgatada com as patas queimadas nos incêndios de 2020 -, mas um diagnóstico mudou todo o seu destino.

Apoena, em tupi-guarani, significa “aquele que enxerga longe”, mas os cuidadores do grande bebê onça começaram a notar comportamentos que indicavam possível problemas de visão. Exames realizados no Apoena revelaram que a onça-pintada tem lesões nas retinas dos dois olhos.

O Instituto Nex No Extinction, responsável por Apoena, divulgou que o quadro é irreversível e degenerativo. O DNA dele foi enviado para os Estados Unidos para tentar entender como surgiu o problema.

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Amanaci e Apoena (Fotos: (Foto: Reprodução/TV Anhanguera e Conexão Planeta)

Enquanto isso, o local de preservação de onças luta para que Apoena não fique completamente cego. De acordo com a oftalmologista veterinária, Ana Carolina Rodarte, a equipe suspeita de uma doença genética.

“A princípio, baseados nos achados encontrados até agora, estamos suspeitando de uma doença genética. Daí vamos nos focar para tentar confirmar. Pretendemos examinar os genes responsáveis por essa alteração e ver se o Apoena é portador desse gene mutante. Se for, confirmaremos o seu diagnóstico”, explica.

Como a onça-pintada tem hábitos noturnos, Apoena teria dificuldade em caçar e conseguir alimentos, comprometendo a sua vida na natureza – inclusive representando perigo de morte, já que poderia não conseguir se alimentar.

Pantanal perdeu toda a ‘braveza’ de Apoena

Apoena não vem mais, mas, segundo o Nex, o plano de reintrodução de um novo exemplar da espécie no Pantanal segue vivo. Os esforços por agora são para que a oncinha não fique cega.

Entretanto, o Pantanal perdeu toda a ‘braveza’ de Apoena, que desde que nasceu já demonstrava toda a natureza de uma onça-pintada: “Eu tenho só 24 dias de vida e já sou muito bravo”, publicou o instituto, quando a ferinha ainda não tinha nem 1 mês de vida.

De lá para cá, o ainda filhote cresceu e já estava quase do tamanho da mãe. Eles já estavam em um recinto cercado no meio da mata, com lago, gruta e sem contato com humanos, para que Apoena aprendesse a vivar na natureza.

O próprio passo seria a soltura no Pantanal. Conforme publicado pelo Jornal Midiamax o local já tinha sido escolhido: Refúgio Ecológico Caiman, na região de Miranda. Lá, ele seria acompanhado pelas equipes do Onçafari e ICMBioCenap (Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros).

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Amanací e Apoena, aos 7 meses (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Filhote de lendas da fauna pantaneira

O Apoena já nasceu com uma importante missão, substituir a mãe, Amanací, na natureza. Ela e o macho ‘Ousado’ foram resgatados do Pantanal em 2020, com as patas gravemente queimadas. A dupla recebeu tratamento no Instituto NEX.

Enquanto Amanací acabou condenada a viver em cativeiro, pois perdeu as garras, Ousado passou por tratamento, reabilitação e pôde voltar para o Pantanal. De lá para cá, Amanací começou a “namorar” com o macho Guarani.

O instituto cuidadosamente planejou esse encontro, como uma forma de compensar a falta da Amanací no Pantanal, para que um dia, um filhote dos dois pudesse ocupar o lugar que um dia foi de sua mãe. Guarani

Conforme o instituto, com o diagnóstico de Apoena, houve apenas uma mudança de planos. “O que podemos dizer para vocês é que o sonho nunca acaba. Vamos continuar fazendo tudo o estiver ao nosso alcance para que as onças continuem existindo na natureza”, publicou.

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Filhote Apoena (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)