Varíola dos macacos, doença endêmica da África que tem se espalhado pelo mundo, motivou alerta emitido neste domingo (6) pela OMS (Organização Mundial da Saúde). Já são 780 casos registrados em 27 países fora da África. Um dos casos suspeitos da doença é de adolescente de 16 anos que continua internado em Corumbá, distante 444 quilômetros de Campo Grande.

Em boletim divulgado na última sexta (3), a diretoria-técnica da Santa Casa de Corumbá informou que o adolescente boliviano passa bem, teve melhoras nas lesões que possui pelo corpo e que a equipe médica aguarda resultado dos exames. O laudo que vai determinar a infecção que acometeu o jovem fica pronto em meados do dia 20 de junho.

De acordo com alerta da OMS, os 780 casos foram registrados no intervalo de 13 de maio a 2 de junho.

“A repentina e inesperada aparição de varíola dos macacos simultaneamente em variados países onde a doença não é endêmica sugere a possibilidade de transmissão desconhecida já por algum tempo, seguida de eventos recentes que espalharam o vírus”, afirmou a OMS.

Segundo a organização, o risco global da doença no momento é moderado porque essa é a primeira vez que tantos casos são registrados fora da África.

Plano de contingência contra varíola dos macacos em MS

Na semana passada, o MPMS (Ministério Público Estadual) determinou a implementação de um plano de contingência contra a varíola dos macacos em Mato Grosso do Sul.

O grupo contará com a SES-MS (Secretaria de Estado de Saúde), a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) de Campo Grande, Conselho Municipal de Saúde, Conselho Regional de Enfermagem, Comissão de Saúde da Câmara Municipal, Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa e Comissão de Saúde da OAB-MS.

Os trabalhos do grupo devem seguir orientações emitidas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em nota técnica publicada no mês passado que detalha o que se sabe até agora sobre a doença e procedimentos para notificação de casos.

O que se sabe até agora sobre a varíola dos macacos

Originalmente conhecida como Monkeypox, a varíola dos macacos é uma doença endêmica da África e recentemente tem causado alerta no mundo por conta de infecções registradas desde o início de maio na América do Norte e Europa.

O que chama atenção das autoridades mundiais em saúde é que essa é a primeira vez que a doença causa surto em várias partes do mundo sem que os pacientes com a doença tenham viajado para a África.

De acordo com o Instituto Butantan, a varíola dos macacos pode ser definida como uma “doença febril” aguda, que ocorre de forma parecida à da varíola humana.

Principais formas de contágio da varíola dos macacos

A infecção pelo vírus se dá de três formas: em contato com um macaco infectado com o vírus, com outra pessoa doente e também com materiais contaminados. De pessoa para pessoa, o vírus é transmitido no contato com lesões, fluidos corporais, gotículas respiratórias e materiais contaminados, como roupas de cama.

Portanto, as formas mais comuns de contágio são as seguintes:

• do contato com roupas ou lençóis (como roupas de cama ou toalhas) usados por uma pessoa infectada; 

• do contato direto com lesões ou crostas de varíola de macaco; 

• da exposição próxima à tosse ou a espirro de um indivíduo com erupção cutânea de varíola. 

Sintomas e prevenção

Segundo as autoridades, o período de incubação do vírus varia de sete a 21 dias e os sintomas costumam aparecer após 10 ou 14 dias. Além das erupções cutâneas, a varíola dos macacos causa dores musculares, na cabeça e nas costas, febre, calafrios, cansaço e inchaço dos gânglios linfáticos.

Em nota emitida na semana passada, o Ministério da Saúde afirma que o melhor método de prevenção para o contágio é reforçar a higiene das mãos e ter cuidado no manuseio de roupas de cama, toalhas e lençóis usados por pessoas infectadas.

Vale ressaltar que não há tratamento específico para a doença ou vacina contra o vírus, no entanto, a vacina padrão contra varíola também protege contra esse vírus. A varíola foi erradicada no mundo em 1980.

Nos Estados Unidos, último país fora do continente africano a registrar surto da doença no início dos anos 2000, não houve nenhuma morte causada pela doença. Segundo especialistas, esse cenário revela que, com assistência adequada, a doença, apesar de grave, pode não representar uma epidemia, como a causada por vírus respiratórios, como a Covid-19.