Cotidiano

De agendamentos a esquemas de ‘pirâmides’, entenda os maiores golpes do Pix em MS

Especialistas alertam que moradores devem estar atentos para não ficar no prejuízo

Mariane Chianezi Publicado em 25/09/2021, às 09h19

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Leonardo de França, Midiamax

Nova tecnologia de transferências bancárias, o PIX tem se tornado ferramenta cada vez mais escolhida por consumidores. A facilidade de transferir uma ‘grana’ em segundos para qualquer conta de agência bancária tem se tornando a principal forma de pagamento em MS.

Porém, mesmo com a novidade, golpistas têm usado fraudes antigas para furtar e também aprimorar os golpes. De táticas envolvendo agendamentos até esquemas de ‘pirâmides’ já fizeram vítimas no Estado e especialistas alertam para as modalidades e cuidados para que você não fique no prejuízo.

Golpe do Pix agendado

O golpe do Pix agendado é quando o estelionatário diz pagar por um bem ou serviço, mas durante a transferência “errou” ao agendar o pagamento para o dia seguinte. Nesses casos, o dinheiro nunca chega à conta. Em Campo Grande, uma mulher aplicou o golpe em um pet shop, onde comprou R$ 2 mil em produtos e o dinheiro nunca chegou à conta do estabelecimento

Criado para transferência imediata e sem taxas bancárias adicionais, o Pix prometia que os usuários de bancos pelos aplicativos transferissem dinheiro imediatamente, fora do horário comercial — incluindo finais de semana e feriados — e sem as taxas cobradas pelo DOC e TED. Pensando dessa forma, não faz muito sentido aceitar uma transação pelo Pix que não caia na conta instantaneamente.

O golpe pode acontecer de diversas formas. Entretanto, a mais comum é os bandidos utilizarem a mesma “técnica” do “golpe da OLX”, onde uma pessoa manda o comprovante de TED ou DOC falsificado, com transação agendada para, geralmente, o próximo dia e alega não poder fazer a transferência novamente.

Além disso, a falta de padronização entre os bancos que permitem o cancelamento do agendamento é outro problema enfrentado na hora de receber o dinheiro de volta. Segundo as diretrizes do Banco Central, o Pix pode ser cancelado enquanto não for iniciado, ou seja, até a data de agendamento, quando há efetiva transferência do dinheiro. 

WhatsApp clonado 

"Oi, tia. Troquei de telefone, viu? Preciso da sua ajuda. Pode me depositar um dinheiro?". Essa é uma das táticas mais famosas dos golpistas para tirar dinheiro das vítimas em MS. Os criminosos clonam o telefone da vítima e começam a espalhar mensagens para os familiares e amigos. 

Advogada de 42 anos, moradora no Jardim Itamaracá, em Campo Grande, ingressou com ação por danos morais contra a Claro, depois de cair em um golpe do Pix e perder aproximadamente R$ 5,6 mil.Ela alega que o crime só foi possível porque teve o número clonado. Além disso, afirma que a operadora deve ser responsabilizada, pois autorizou que terceiros contratassem planos e serviços em nome dela sem que ela tivesse dado consentimento.

Em outro caso, uma jovem de 22 anos procurou a 3ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande para denunciar ter sido vítima de golpe de clonagem de WhatsApp. Usando o Pix, ela depositou 1,4 mil a um estelionatário, imaginando que fosse a tia.

Na Capital, em um único fim de semana, três vítimas procuraram a delegacia para denunciar golpe sofrido com pagamento pelo Pix após terem WhatsApp e Instagram clonados. Um homem, de 33 anos, procurou a delegacia para fazer o registro da ocorrência. Ele perdeu R$ 5.900 com a compra falsa de um iPhone. 

Ele contou que manteve contato com uma pessoa que achava ser sua amiga pelo Instagram, e que ela estaria vendendo um celular iPhone 12 Pro Max, por R$ 5.900. Como acreditou ser real acabou fazendo a transferência pelo Pix e só depois percebeu que era golpe, quando o noivo da amiga postou que a conta dela havia sido perdida. Um celular iPhone desse modelo novo em preço de mercado está custando em torno de R$ 10 mil. 

Um homem, de 50 anos, também procurou a delegacia para registrar um boletim de ocorrência ao perder R$ 9.960, com transferências pelo Pix. Ele acreditou quando entraram em contato se passando por sua filha, que pedia que fizesse a transação bancária já que ela havia comprado dois celulares iPhones, sendo que não estava conseguindo fazer o pagamento. A vítima só percebeu se tratar de um golpe quando a foto que fica no perfil do WhatsApp sumiu. 

Uma jovem, de 21 anos, também foi vítima de estelionatários, quando ao tentar um empréstimo de R$ 45 mil acabou caindo em um golpe pelo WhatsApp perdendo o valor de R$ 8.150, com o chamado pagamento de taxas para a liberação do empréstimo, muito comum entre os golpistas para arrancar dinheiro das vítimas.  

Pix de R$ 1

Os grupos de Pix por R$ 1 real no WhatsApp estão se tornando febre nas redes sociais. No entanto, a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul alerta para risco de golpe. Aqueles que decidem participar em busca de dinheiro fácil podem acabar caindo em um esquema de pirâmide financeira ou, ainda pior, podem ter dados pessoais e bancários roubados.

Os convites surgem pela internet. Geralmente são ofertas tentadoras para ganhar uma renda extra praticamente sem esforço. Os golpistas, como na maioria das vezes, convencem a vítima a ‘investir’ em uma oportunidade única de lucro fácil. Desta forma, oferecem a possibilidade de ingressar em um grupo ‘vip’ a partir do pagamento via PIX.

O valor geralmente é de R$ 1, mas pode chegar até R$ 5 em alguns casos. O interessado então paga ao administrador do grupo via transferência bancária e, uma vez com a transação consolidada, é adicionado ao grupo na condição de administrador, para que possa convidar mais participantes que irão lhe pagar. Assim, as pessoas ficam tentadas a entrar em mais grupos e enviar cada vez mais convites, até que não haja mais como todos receberem.

No entanto, a Polícia Civil alerta para os riscos dessas operações. O delegado João Eduardo Davanço, titular das Depacs (Delegacias de Pronto Atendimento Comunitário) de Campo Grande, disse que ainda não foram registrados boletins de ocorrência envolvendo casos do tipo na capital, mas afirma que não ficaria surpreso se as primeiras denúncias surgissem nos próximos dias.

Pagamento por Pix a distância 

Os golpes aplicados com o Pix induzem a um pagamento a distância. As vítimas acreditam se tratar de empresa séria, sem pesquisar referências, e acabam caindo no golpe. Uma campo-grandense, de 52 anos, foi vítima de um golpe de uma falsa empresa de viagens, denominada de 'Aviação', que vendeu uma passagem aérea, mas sumiu após o pagamento deixando um prejuízo de R$ 599 para a mulher.

De acordo com boletim de ocorrência, registrado na DERF (Delegacia Especializada de Roubos e Furtos), a mulher procurava comprar uma passagem de avião para uma amiga, de Maceió (AL), vir a Campo Grande para passar por uma perícia médica.

Ela narra que após encontrar o site da falsa empresa foi redirecionada para um contato de WhatsApp onde foi feita toda a negociação. Conforme as conversas, obtidas pelo Jornal Midiamax, o golpista, se passando por vendedor, incitada a venda da passagem pelo preço de R$ 599 alegando que no outro dia já estaria com outro valor. 

Confiança excessiva 

Combinar uma compra, efetuar o pagamento e contar que receberá o produto também é um dos golpes mais aplicados pela modalidade do Pix. Em denúncia registrada na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) de Dourados, um homem de 30 anos, residente no Jardim Guaicurus, em Dourados, afirmou ter perdido R$ 2,5 mil durante uma transferência de PIX.

Segundo a vítima, por indicação de um conhecido, ele entrou em contato com uma pessoa que teria sobra de gesso acartonado de uma obra e que estaria interessada em vendê-la. Combinado o valor, ele fez a transferência do dinheiro, mas não recebeu o produto.

Ainda de acordo com a ocorrência, a vítima informou que após feita a transferência do valor, em nome de uma mulher, foi bloqueado pelo acusado. Nesse momento, percebeu que teria caído em um golpe.

Sempre desconfie

A primeira orientação é sempre desconfiar e prevenir, não deixar dados pessoais — CPF, RG, endereço, números de cartão — salvos em sites, redes sociais, blocos de anotações virtuais e no histórico de conversas do aplicativo.

Jornal Midiamax