Política / Transparência

Rosa Weber dá aval para Trutis acessar provas de investigação sobre suposto atentado

Ministra Rosa Weber, relatora do inquérito no STF, reforçou que já havia autorizado o acesso no dia seguinte ao da prisão de Loester Trutis.

Jones Mário Publicado em 03/12/2020, às 14h19 - Atualizado às 14h34

Polícia Federal concluiu que Toyota Corolla onde estava Loester Trutis não foi seguido | Foto: Reprodução | Facebook
Polícia Federal concluiu que Toyota Corolla onde estava Loester Trutis não foi seguido | Foto: Reprodução | Facebook - Polícia Federal concluiu que Toyota Corolla onde estava Loester Trutis não foi seguido | Foto: Reprodução | Facebook

Em despacho, a ministra do STF (Supremo Tribunal Federal) Rosa Weber deu aval para que a defesa de Loester Trutis (PSL-MS) tenha acesso aos elementos de prova obtidos pela Polícia Federal no âmbito das investigações sobre suposto atentado a tiros contra o deputado federal.

Rosa mandou oficiar o delegado Glauber Fonseca de Carvalho Araújo, chefe da Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado da Superintendência Regional da PF em Mato Grosso do Sul, sobre a autorização de acesso.

Trutis pleiteou a obtenção integral dos documentos da investigação em pedido de vistas dos autos, protocolado na última segunda-feira (30). Em oito páginas de petição, a defesa do deputado ainda induziu que os policiais produziram provas ilegais, cometeram abuso de poder e estariam retardando o fornecimento dos autos.

Relatora do inquérito que apura o caso no STF, Rosa Weber reforçou que autorizou acesso à documentação de investigação no dia seguinte à deflagração da Operação Tracker, quando Loester Trutis chegou a ser preso por porte de arma de uso restrito.

Apesar de avalizar o pedido da defesa de Trutis no despacho, emitido ontem (2), a ministra revelou que o deputado não apresentou qualquer documento que comprovasse tentativas frustradas de acesso aos autos de investigação.

A apuração da Polícia Federal se voltou contra o próprio parlamentar a partir de trabalhos periciais. Laudos balísticos, de exame de local e informações de georreferenciamento entraram em rota de colisão com o que alegava Loester Trutis e seu assessor, Ciro Nogueira Fidelis.

Assim, a PF concluiu que o atentado foi simulado por Trutis, de olho em dividendos políticos e eleitorais. O parlamentar é um entusiasta voraz da flexibilização do Estatuto do Desarmamento.

Trutis corre o risco de ter mandato cassado

A polícia identificou que ele sequer foi seguido no dia do suposto ataque à tiros, na BR-060, saída de Campo Grande para Sidrolândia. Além disso, a descrição dada pelo deputado sobre o veículo supostamente envolvido no atentado contra ele levou os investigadores a uma caminhonete “antiga e deteriorada, que certamente não teria condições mecânicas razoáveis para ser utilizada em um atentado em face de alguém que estava embarcado em um potente Toyota Corolla”, conforme descreve o inquérito.

Com base no trabalho da PF, a ministra Rosa Weber deferiu os pedidos para busca e apreensão contra Trutis, seu irmão, Alberto Carlos Gomes de Souza, Fidelis e Jovani Batista da Silva, ligado a um grupo chamado “Movimento Conservador de Mato Grosso do Sul”.

Loester Trutis pode ter seu mandato cassado caso algum partido político ou a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados represente contra ele no Conselho de Ética da Casa.

Jornal Midiamax