Política / Justiça

Agosto marca os 20 anos do sumiço do missionário do CIMI, Hilarius Paulus

Missionário teria ido para Toledo (PR) buscar o diploma e nunca mais voltou.

Midiamax Publicado em 14/08/2017, às 17h27

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Missionário teria ido para Toledo (PR) buscar o diploma e nunca mais voltou.

Há exatamente vinte anos, no dia cinco de agosto, desapareceu misteriosamente de Dourados, Hilarius Paulus, missionário do CIMI (Conselho Indigenista Missionário) órgão vinculado à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) com forte atuação na defesa das indígenas.

Hilarius saiu de Dourados para uma viagem que não teve volta. O advogado Aquiles Paulus que ainda mora em Dourados disse que a última informação que família teve dava conta que o missionário estaria na cidade paranaense de Foz do Iguaçu, na tríplice fronteira Brasil-Argentina-Paraguai.

Passadas duas décadas a família e amigos acreditam que Hilarius ainda possa estar vivo morando em um país qualquer já que sua possível morte não foi confirmada.  Quando desapareceu Hilário que chegou a ser coordenador regional do CIMI, tinha 44 anos de idade, era casado com a jornalista Veronice Lavato Rossato e tinha duas filhas pequenas.

Uma das mais importantes ações de Hilário aconteceu no dia 25 de julho de 1987 quando aconteceu em Mato Grosso do Sul, o “Tribunal da Terra” onde foi um dos jurados. Em seu depoimento Hilarius denunciou a forma como forma expulsos os índios de seus territórios tradicionais.

 “Perseguindo-os com cães, matando-os com arma, doença, fome, armadilhas, água e alimento envenenado, apoiados por uma política indigenista oficial que sempre lhes deu respaldo”, disse Hilarius neste tribunal. Em 1987 houve vários despejos, dois em Caarapó, seis na Aldeia Paraguaçu em Amambai, em Maracaju e na Aldeia Jaguapiré.

Conforme notícia publicada no jornal Correio do Estado, em 1997, Hilarius havia saído de Dourados no dia três de agosto tendo como destino a cidade de Toledo no Paraná onde iria buscar o diploma da faculdade de Filosofia pois teria que apresentá-lo na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) em Campo Grande onde pretendia se inscrever no curso de Mestrado em Educação.

Hilarius estava em Dourados desde 1981 onde além de trabalhar no CIMI atuava na Comissão Pastoral da Terra (CPT) também ligada a CNBB. O missionário chegou a ser agraciado com o prêmio Marçal Tupã-Y outorgado pela Câmara Municipal de Dourados.

Na época, do desaparecimento, Aquiles disse ao Correio do Estado, que o irmão havia deixado uma carta com diversas recomendações para a esposa e aos colegas do CIMI. “Eram coisas corriqueiras como, por exemplo, contas a serem pagas”, dizia o irmão de Hilarius.

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