Vereador de Campo Grande, André Luis (Rede) disse nesta terça-feira (28) já ter tido acesso a parte da ‘folha secreta’, onde estão nomeados todos os servidores do Proinc (Programa de Inclusão Profissional), e que será conferido ‘nome a nome’ da lista.

“Aconteceu um engano. Ganhamos em primeira e segunda instância. [O juiz] apresentou um período para o município juntar a lista e juntaram dia 31 de janeiro, mas o juiz deu um despacho como se não tivesse juntado como transitado e julgado. Pedi o cumprimento da sentença ontem e entrei agora com o pedido de reconsideração porque a lista já está lá e já estou repassando para todo mundo”, disse André em relação ao Proinc.

Isso porque na segunda-feira (28) foi feito, segundo o vereador, um pedido por engano na ação de cumprimento de sentença, que incluía até pedido de busca e apreensão na Prefeitura de Campo Grande.

Nome a nome

Agora, segundo o parlamentar, serão analisados todos da lista. “Vamos pegar todos os nomes que recebemos denúncias para saber se estão presentes na lista. Iremos fazer uma análise prévia e estamos encaminhando ao Ministério Público e para Ana Cláudia Medina que está conduzindo o inquérito policial”, informou.

Proinc

Após as suspeitas, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) abriu procedimento preparatório para averiguar possíveis irregularidades no programa, que chegou a ser investigado pela Polícia Civil por suspeita de cabide de emprego.

O programa da prefeitura de Campo Grande é destinado a pessoas de baixa renda. Entretanto, como noticiado pelo Jornal Midiamax, se tornou cabide de empregos, segundo denúncia que tramita há mais de um ano no Judiciário de Mato Grosso do Sul.

Em agosto do ano passado, os vereadores André Luís Soares (Rede) e Marcos Tabosa (PDT) coletaram assinaturas para a abertura de uma CPI. Contudo, não obtiveram apoio suficiente para dar prosseguimento.

‘Folha secreta’

Diante da falta de transparência da prefeitura sobre os dados com gastos de dinheiro público, os vereadores André Luís Soares (Rede) e Marcos Tabosa (PDT) adiantaram a intenção de impetrar um mandado de segurança para solicitar acesso à informação aos dados da prefeitura.

Por meio da Comissão de Finanças, a Câmara de Campo Grande solicitou manifestação da Prefeitura. Assinado pela vereadora, Luiza Ribeiro (PT), a Comissão questiona o “considerável crescimento da despesa com pessoal do Poder Executivo no período de 2019 a 2022”.

O TCE-MS (Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul) investiga a suposta ‘folha secreta’ da gestão do ex-prefeito. Em auditoria operacional, o Tribunal verifica indícios de fraude e corrupção no setor público.

O procedimento investiga os anos de 2021 e 2022 e foi iniciado enquanto Marquinhos ainda estava à frente da Prefeitura. O relatório condensado da auditoria deverá ficar pronto em até dez dias, e a Prefeitura deverá justificar ao TCE-MS os dados encontrados.

Além disso, uma servidora teria recebido R$ 74 mil em um mês. O Jornal Midiamax tentou contato com a servidora citada na denúncia do vereador, mas não há registros de telefones em nome dela. A reportagem também tentou contato no gabinete da prefeitura, local de trabalho da servidora, mas, mesmo durante horário de expediente, as ligações não foram atendidas. O Jornal Midiamax registrou os contatos e o espaço segue aberto para manifestação.

Dados ocultos

Questionado anteriormente pelo Jornal Midiamax sobre a suspeita de folha secreta, o ex-prefeito negou o pagamento de qualquer tipo aos secretários. Marquinhos pede que tudo seja consultado no Portal da Transparência, justamente o alvo de reclamação dos vereadores por falta de dados.

Durante audiência pública de prestação de contas para exposição de Relatório de Gestão Fiscal, o advogado dos sindicatos da Guarda Civil Metropolitana, dos Médicos e dos Profissionais de Enfermagem, Márcio Almeida, questionou a atual secretária municipal de Finanças e Orçamento, Márcia Helena Hokama, sobre a possível existência do que ele denomina de “folha secreta”.

Hokama assumiu a pasta depois que Pedro Pedrossian Neto (PSD), titular das finanças na gestão de Marquinhos Trad, saiu para se candidatar a deputado estadual.

Uma das suspeitas, inclusive, é de que o inchaço nos pagamentos de pessoal na prefeitura de Campo Grande tenha a ver com a campanha do PSD nas últimas eleições de 2022 em Mato Grosso do Sul.

Trad renunciou ao cargo para concorrer ao Governo do Estado, mas acabou em sexto lugar após ser implicado em escândalo de assédio sexual. Ele virou réu por assédio sexual contra 7 mulheres e o caso continua na Justiça.