Nesta terça-feira (14), deputados estaduais destacaram a urgência de duplicação na BR-163 em Mato Grosso do Sul. Parlamentares lamentaram o acidente deste final de semana que matou quatro pessoas em trecho da rodovia entre Campo Grande e Jaraguari.

O deputado (União Brasil) usou a tribuna durante grande expediente para prestar condolências à família e cobrar melhorias na rodovia. “Infelizmente veio a acontecer esse trágico acidente que ceifou a vida de quatro jovens do nosso Estado e quero aqui transmitir minhas condolências às famílias”, disse.

Assim, apontou que a rodovia não oferece condições aos motoristas. “Eu como engenheiro rodoviário, sempre trabalhei cuidando de rodovias, a gente sabe o quanto é triste, complicado, quando acontecem acidentes. Mas quando também as rodovias não oferecem as condições necessárias para segurança daqueles que a utilizam”, afirmou.

O parlamentar lembrou que houve prorrogação do contrato com a CCR MSVia por mais dois anos. “Essa prorrogação não estabelece o compromisso de continuar fazendo a duplicação da rodovia BR-163. Tão somente a da mesma com recursos que são fruto de pedágio”, explicou.

Contudo, Roberto ressaltou que “dos 847 quilômetros, só foram duplicados até então 150 quilômetros”. Além disso, apontou que a divisão de trechos pode prejudicar os usuários da via.

“O ideal, no meu entendimento, é que fosse relicitado o trecho todo, porque todo o trecho licitado nós teríamos a equalização do pedágio”, finalizou.

Comissão de deputados

O deputado Roberto Hashioka afirmou que foi criada uma comissão para a audiência púbica com a ANTT sobre a BR-163 — que acontece no próximo dia 21. Segundo ele, fazem parte o deputado Junior Mochi (MDB), Mara Caseiro (PSDB) e Pedro Kemp (PT).

Mochi disse que os valores de arrecadação e custo de duplicação não são coerentes. “Arrecadou nesse período de concessão, R$ 2 bilhões. Na previsão de dois anos de concessão, está prevista a arrecadação de R$ 5 bilhões, aliás, uma previsão de custo para duplicar por R$ 5 bilhões. A outra empresa quando concluir vai ter que considerar um débito com a concessionária atual de R$ 1 bilhão, esse cálculo não fecha”, disse.

Conforme o parlamentar, a BR-163 “é a principal artéria viária do Estado”. A deputada Mara Caseiro (MDB) destacou a falta de acostamento em trechos da BR-163.

“A pessoa morre ou morre, nós tivemos várias mortes nesse trecho. Nem isso vai se pensar? Nem isso vai se questionar? Vamos continuar perdendo vidas nesses trechos?”, questionou.

Por fim, a deputada disse que a desobrigação de investimentos é problemática. “Para mim causa tristeza a ANTT criar um acordo com a CCR-Via para que a BR-163 continue sendo concessionada e desobrigue ela a fazer investimentos nesses trechos perigosos”, disse.

O acidente com quatro mortes

A colisão envolvendo um Fiat Argo e uma caminhonete Toyota Hilux, que terminou na das quatro mulheres, aconteceu na BR-163, entre Campo Grande e Jaraguari. Levantamento da perícia aponta que ultrapassagem em faixa contínua teria provocado a colisão. 

Conforme informações do boletim de ocorrência, o carro em que as jovens estavam com uma quinta mulher, saiu de Campo Grande com destino a Rio Verde. A caminhonete era ocupada por um homem de 45 anos, que seguia no sentido Jaraguari – Campo Grande.

A Polícia Civil e a Perícia constataram, após análise prévia da dinâmica do acidente, que a motorista do Argo teria tentado ultrapassagem em faixa contínua, quando colidiu frontalmente com a caminhonete. 

O caso foi registrado como lesão corporal culposa e homicídio culposo na direção de veículo automotor.

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