Política

Bolsonaro empolga apoiadores com notícia no Telegram sobre ação da PF contra desvios na saúde de MS

Operação investiga esquema em hospital 'cedido' por Reinaldo Azambuja

Mylena Rocha Publicado em 05/08/2021, às 09h00

Notícia foi divulgada no canal de transmissão de Bolsonaro.
Notícia foi divulgada no canal de transmissão de Bolsonaro. - Reprodução/Telegram

O presidente Jair Bolsonaro empolgou os apoiadores em seu canal no Telegram ao divulgar a notícia sobre ação da PF (Polícia Federal) contra os desvios na saúde em Mato Grosso do Sul. Bolsonaro divulgou notícia sobre a operação SOS Saúde, deflagrada nesta semana e que investiga organização criminosa por falsificação de documentos, dispensa irregular de licitação, peculato e organização criminosa. 

No canal do Telegram de Bolsonaro, que conta com mais de 803 mil membros, os apoiadores comemoraram a operação. “O Mato Grosso do Sul agradece. É necessário descobrir, punir, prender, bloquear bens destes elementos desprezíveis”, disse um dos membros. 

A operação SOS Saúde foi deflagrada na quarta (4) pela Polícia Federal, CGU (Controladoria-Geral da União) e Receita Federal. A organização criminosa teria recebido quase R$ 1 bilhão entre os anos de 2014 e 2019. O esquema tinha a seguinte dinâmica: a Organização Social firmou, em 2016, contrato de gestão com o governo de Mato Grosso do Sul, e  através desse contrato passou a receber elevados valores com o compromisso de gerenciar o Hospital Regional de Ponta Porã; entretanto, acaba por desviar os recursos que deveriam ser aplicados na área da saúde em proveito de empresas vinculadas aos próprios dirigentes da Organização Social.

O Inquérito policial foi instaurado, em 14 de fevereiro de 2019, para apurar diversas irregularidades praticadas pela Organização Social, entre os anos de 2016 e 2017, no Hospital Regional Dr. José Simone Netto, em Ponta Porã.

Operação mirou ex-diretor de hospital em MS

Os únicos mandados da Operação SOS-Saúde cumpridos em Campo Grande tiveram como alvo Franco Monteiro Xavier, ex-diretor do Hospital Regional Doutor José de Simone Netto, de Ponta Porã. Conforme apurado pela reportagem, as medidas de busca e apreensão miraram um endereço de Xavier no condomínio Belvedere Residence, no Bairro São Francisco, região central da cidade. Ele também foi alvo de mandado de sequestro de bens, que determinou o confisco de valores constantes nas contas em seu nome.

Franco Monteiro Xavier dirigiu o Hospital Regional de Ponta Porã à época dos supostos crimes investigados pela Polícia Federal. As apurações da PF apontaram indícios de dispensa irregular de licitação, peculato, falsificação de documentos e organização criminosa, cometidos por meio de contrato do Instituto Gerir com o governo do Estado.

Esquema pode ter desviado R$ 27,4 milhões da saúde de MS

Alvo da operação, o Instituto Gerir usou empresas ligadas a seus próprios diretores para desviar pelo menos R$ 27,4 milhões da Saúde Estadual. As investigações apontam que a OS (Organização Social) contratada para administrar o Hospital Regional de Ponta Porã também ganhou com o superfaturamento de contratos.

Segundo a PF, somente os desvios por meio de contratos do instituto com as empresas Tclin Serviços de Saúde Ltda-EPP e Andrade Hospitalar ME, também chamada de A Medical, podem chegar a R$ 20,3 milhões. As duas tiveram sigilos bancários quebrados, o que possibilitou a identificação de diversas transferências bancárias suspeitas, para pessoas físicas e jurídicas, que aparentam ter beneficiado intermediários e empresas de fachada.

(Colaborou Jones Mário)

Jornal Midiamax