Aconteceu na manhã desta sexta-feira (13) o curso “Estratégias para as mulheres conquistarem o poder político”, na ALMS (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul). O evento contou com nomes conhecidos no cenário político estadual e nacional, como a senadora, Simone Tebet (MDB/MS), a deputada, federal Rose Modesto (PSDB/MS) e a vice-prefeita, Adriane Lopes (Patri).

As cadeiras do plenário estavam lotadas por mulheres, que em primeiro momento ouviram a mesa de representantes femininas na política. Com discurso que fez lembrança e homenagem a deputada assassinada Marielle Franco, a professora Maria Rosana Dama destacou que “estamos em uma sociedade contemporânea” e que existe um pedido de “pluralidade”.

“Merecemos uma casa que represente melhor a sociedade que existe lá fora”, disse a professora. “Essa brincadeira de chapa a gente já conhece”, afirmou Maria ao citar a obrigatoriedade de 30% da chapa partidária ser feminina e questionou a falta de mulheres nas Casas sul-mato-grossenses.

Em seguida a vice-prefeita, Adriane Lopes (Patri) compartilhou algumas das dificuldades que encontrou nos bastidores políticos. “Muitas vezes eu ainda ouço e sofro violências políticas na minha cidade e até no estado”.

Mas o cenário pode se tornar positivo para a vice-prefeita. “Vejo que tem muitas mulheres na política e eu estranhei, mas gostei e vamos continuar ganhando espaço”. Adriane comentou que seu papel na política não é apenas representar as mulheres e que as representantes femininas podem “representar os homens e toda uma população”.

“Eu não quero cotas, quero cadeiras”, finalizou ela ao comentar sobre o espaço reservado para mulheres nas chapas eleitorais. A senadora, Simone Tebet (MDB/MS) lembrou as ouvintes que “não é a mulher que precisa da política, é o Brasil e a política brasileira que precisam das mulheres”.

Cotas não bastam

Com grandes mulheres da política de MS, curso ensina estratégias para conquista do poder político 
Foto: Dândara Genelhú.

Para a senadora é necessário mais incentivo além das cotas. “O Brasil só vai ser mais igualitário no poder quando tiver pelo menos 30% de mulheres nas cadeiras. Até agora nada era oferecido para incentivar as mulheres a estarem na política”.

A deputada federal, Rose Modesto (PSDB/MS) também comentou sobre os incentivos e admitiu que sua campanha contou com poucos recursos. Mas a deputada aproveitou para dar duas dicas para as mulheres presentes e interessadas em ingressar no cenário político.

“Primeiro vocês precisam organizar a campanha, ver quem você quer que ganhe junto com você”, começou ela. “Depois é preciso ter um pouco de recurso e muita, muita fé”, que segundo Rose é o que motiva a mulher a continuar mesmo com os empecilhos.

Momento das mulheres

A professora Josi de Souza participou do evento desde o início e conta que sua profissão a envolve diretamente com o cenário político. “Trabalho com educação especial há 20 anos, então a educação ela é um envolvimento político e eu tento participar de todos os eventos que acontecem nesta área”.

A design de interiores Ester Cabral considera o curso e outros movimentos sociais como novas na sociedade. Ela concorreu a vereadora na última eleição e considera que esse “é o momento das mulheres serem respeitadas e revindicar seus direitos”.

“Esse ano evoluiu muito os incentivos em comparação com a eleição passada”, diz a design de interiores. Sobre sua experiência como candidata ela comenta que eram tempos diferentes. “Se naquela época eu tivesse esse incentivo que estão dando agora, não digo que eu chegaria na Câmara, mas com certeza eu teria chego mais longe”.