Política

Para ser candidato a prefeito, Novo cobra R$ 2 mil de inscrição em processo seletivo

Um novo jeito de fazer política tem sido implementado pelo partido Novo, que pretende ter candidatos para disputar as eleições municipais em Campo Grande e Dourados, em 2020. O interessado precisa passar por um processo seletivo com três etapas e para tentar entrar na disputa de prefeito, pagar uma taxa de R$ 2 mil. O […]

Renata Volpe Publicado em 25/09/2019, às 08h49 - Atualizado às 11h04

Sede do partido em Campo Grande. (Google Maps)
Sede do partido em Campo Grande. (Google Maps) - Sede do partido em Campo Grande. (Google Maps)

Um novo jeito de fazer política tem sido implementado pelo partido Novo, que pretende ter candidatos para disputar as eleições municipais em Campo Grande e Dourados, em 2020. O interessado precisa passar por um processo seletivo com três etapas e para tentar entrar na disputa de prefeito, pagar uma taxa de R$ 2 mil. O valor cobrado para vereador é de R$ 350,00. Mas, o pagamento não garante que o candidato chegue até a etapa final. 

Primeiro, para fazer a inscrição no processo seletivo, é preciso se filiar ao partido. Assim como outras siglas, há uma taxa de cobrança e no Novo, segundo o site oficial, o valor cobrado é R$ 29,80 ao mês ou R$ 357,60 no plano anual. 

Tanto para prefeito quanto para vereador, há editais disponíveis do processo seletivo, com requisitos para participar. Na disputa à prefeitura, a primeira etapa é a inscrição, que encerra no dia 15 de outubro. Não paga nada para se inscrever, sendo necessário o preenchimento de um formulário com informações pessoais e profissionais.

Na segunda etapa precisa pagar os R$ 2 mil. O candidato vai participar de entrevistas realizadas por uma banca de avaliação formada por dirigentes e convidados do partido. O resultado também é divulgado pelo e-mail.

A terceira etapa é a entrevista final. De acordo com o edital, o candidato deve preparar e encaminhar por e-mail sua visão do estado atual do município, os principais desafios e breve plano inicial de ação, caso eleito.

De acordo com o presidente estadual do Novo, Rafael Rosso, para prefeito, o processo foi aberto há mais tempo, com seis inscritos. “Três ainda estão no processo. Alguns resolveram tentar vereador outros foram reprovados. Para vereador foi aberto muito recentemente. Deverão haver muitos interessados. Assim esperamos”. 

Em 2018, foram 19 inscritos para deputado federal e apenas cinco candidatos. “Muitos não são aprovados e também há desistência. O Novo é formado de gente comum, que tem suas atividades profissionais, o que torna sempre mais difícil a decisão de ser candidato”, explica Rosso.

Vereador

A disputa para vereador tem um trâmite diferente. A primeira etapa é feita pelo site e dividida em duas fases, sendo pré inscrição e inscrição. O prazo é até 8 de janeiro de 2020.  

A pré-inscrição consiste na filiação e no pagamento da taxa de inscrição do processo seletivo, no valor de R$ 350,00. Nos editais o partido deixa bem evidente que o pagamento deve ser feito pelo cartão de crédito do candidato, não sendo possível processar cartão de terceiros, ou boleto bancário.Também não tem como pagar por cartão de débito.

A inscrição completa precisa ter o preenchimento do cadastro do participante; prova de avaliação objetiva; e envio de um vídeo pessoal. A prova terá três testes de conteúdos específicos, que poderão ser realizados em momentos distintos. 

Na etapa dois, serão realizadas entrevistas individuais por conferência pela internet. A última etapa acontece entre fevereiro e 22 de março de 2020. O candidato vai fazer tarefas e atividades onde vivenciará situações práticas e públicas, relacionadas às atividades partidárias, além de treinamentos e na preparação de temas para uma campanha eleitoral.

Desafios

Em 2018, o Novo lançou apenas cinco candidatos a deputados federais e não disputou nenhuma vaga majoritária. Conquistou 18.693 votos pelos políticos, mas nenhum deles foi eleito. 

A auditora de controle externo, Priscila Afonso foi a candidata do partido mais votada no ano passado. Recebeu 6.611 votos. Apesar do bom resultado para quem disputava um cargo político pela primeira vez, não pretende concorrer nenhuma vaga em 2020, por questões pessoais. Ela falou sobre os desafios de estar no Novo. “Como [o partido] não usa dinheiro público, trabalha muito e é exaustivo, trabalho de unha. Entrei nessa para divulgar valores novos, para mudar a mentalidade e como as coisas poderiam ser”, definiu.

Priscila passou por processo seletivo e acha a ideia da sigla boa. “É bom instrumento para barrar gente oportunista. O Novo disputou em 2018 a primeira eleição para deputado, mas acho que o processo poderia ser mais rigoroso”. 

A auditora relembra ter gasto R$ 20 mil do próprio bolso para disputar a campanha. “Meu gasto nem se compara com outros candidatos, é bem pouco dinheiro, obtém pessoas que acreditam nos valores que defendemos. É difícil trabalhar sem dinheiro, mas as pessoas acabaram apostando na gente na reta final  Começamos com trabalho de formiguinha”.

Jornal Midiamax