STF julgará nesta quarta pedido de suspeição

Próximo de terminar seu mandato à frente do MPF (Ministério Público Federal), o procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, enfrenta um julgamento nesta quarta-feira (13), no STF (Supremo Tribunal Federal), que pode impedi-lo de investigar seu principal alvo no momento, o presidente Michel Temer (PMDB).

O STF vai julgar as suspeitas de ilegalidades na condução do acordo de delação premiada conduzido por Janot e os executivos da JBS. A delação deu origem a primeira denúncia do procurador contra Temer, enterrada pela Câmara dos Deputados.

As suspeitas foram originadas de um grampo entre o dono da JBS, Joesley Batista, e um executivo do grupo, Ricardo Saud, em que há indícios de que os dois teriam discutido a delação premiada com a PGR (Procuradoria-Geral da República), por meio do ex-procurador da República Marcello Miller.

As supostas conversas entre JBS e PGR teriam ocorrido antes da gravação da conversa entre Joesley Batista e Temer, homologada na delação.Líder do MPF pode ser impedido nesta quarta de denunciar Temer

Se comprovadas. as tratativas demonstrariam que a gravação foi conduzida pela PGR sem autorização do Supremo, o que seria ilegal.

Em resposta, Janot disse que “tanto são os fatos e tão escancaradamente comprovados, que a estratégia de defesa [de Temer] não pode ser outra senão tentar desconstituir, desacreditar a figura das pessoas encarregadas do combate à corrupção”.

Tanto Joesley Batista, quanto Ricardo Saud e o ex-procurador Marcello Miller estão presos desde o início da semana, acusados de omitir informações da Polícia Federal e do MPF.