Parlamentares reclamaram de exposição contra a pedofilia

Não foi unanime aprovação ao Boletim de Ocorrência registrado por três deputados estaduais contra uma exposição no Marco contra a pedofilia. Alguns colegas chamara a atenção para a ‘hipocrisia’  do ato de Paulo Siufi (PMDB), Coronel David (PSC) e Herculano Borges (SD).

 “Não podemos ser hipócritas de que todo mundo que ver o quadro será influenciado”, destacou o deputado Renato Câmara, Renato Câmara, do mesmo partido de Siufi, mas que se disse contrário à interferência política em manifestações artistas.Deputados chamam de ‘hipocrisia’ BO de colegas contra obras de arte

Amarildo Cruz (PT) alegou que não se manifestou na sessão da última quinta-feira (14), data do BO, porque não acreditava no que os colegas diziam na sessão contra as obras de arte.

“Ordem de prisão para o quadro? Vai ter que fechar outros museus. Vai estudar história da arte, é um absurdo um negócio desses”, disparou Amarildo, que emendou que os colegas terão que se manifestar também contra as ‘novelas da Globo’.

Os também petistas João Grandão, líder da bancada, e Cabo Almi, criticaram a ação dos colegas. “Foi uma pirotecnia à toa”, frisou Almi.

Até mesmo quem apoio as críticas contra a exposição, julgou desnecessário o boletim de ocorrência. “Toda movimentação que fizemos foi ruim, porque chamou atenção para uma pessoa inexpressiva”, disse Flávio Kayatt (PSDB), que classificou as obras como ‘livro de sexo’.

Já um dos autores do BO, Herculano Borges, voltou a frisar que o grupo fez ‘o correto’, e destacou que a ação elevou a classificação etária da exposição para 18 anos. Segundo ele, se as obras tivessem virado notícia antes (expostas de junho) as queixas também teriam começado mais cedo. 

A própria artista, Alessandra Cunha, conhecida como Ropre, repudiou a ação dos deputados. “Assusta um pouco saber que as pessoas não conseguem entender uma crítica óbvia, mas é uma reação natural do machismo, que é justamente o que eu denuncio na minha série. Essa reação na contramão é o próprio machismo tentando reprimir as questões que a gente coloca contra ele”, disse ela.