Política

Vacas magras: tempo e recurso menor de campanha derrubam lucro de gráficas

O uso intenso das redes sociais também é tida como ruim

Midiamax Publicado em 02/09/2016, às 14h58

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O uso intenso das redes sociais também é tida como ruim

Um período que antes era muito esperado pelo setor gráfico, já não surte a mesma expectativa neste ano. Esta eleição de 2016 é a primeira após a reforma política de 2015 e com ela veio vários mudanças para o período eleitoral. Dois principais seriam o tempo de campanha, que agora é somente de 45 dias e a proibição de empresas fazerem doações. Isso, para o setor gráfico tem refletido negativamente e diminuindo drasticamente o fluxo de trabalho nesta época.

A reportagem conversou com em algumas gráficas e foi unanime a fala de que as mudanças sem dúvida refletiram no setor, principalmente a questão financeira reduzida e pouco tempo para propaganda. Eles enfatizam ainda que o uso intenso das redes sociais que não ocorria tem ajudado muito a diminuição dos pedidos de trabalhos impressos.

Julião Gaúna, sócio-proprietário de uma gráfica há 33 anos e presidente do Sindigraf (Sindicato das Indústrias Gráficas do Estado de Mato Grosso do Sul), relatou que seus trabalhos devem diminuir em torno de 20% a 30 %, comparado com as eleições anteriores.

“Para se ter uma ideia, nós fazíamos para o interior do estado cerca de 40 mil santinhos e nesta estamos fazendo no máximo 5 mil. Para Campo Grande, chegamos a fazer até 300 mil santinhos e agora não passam de 50 mil. Não tenho os números exatos ainda, mas creio em uma diminuição de 20% a 30 % a menos nos nossos impressos.”, contou Gaúna.

Ele ressaltou que sem duvida todas essas mudanças da lei e o surgimento da rede social são causadores dessa diminuição. “Eu como cidadão aprovo as mudanças, mas como empresário traz dificuldades. De qualquer forma, penso que devemos tentar nos habituar com as mudanças e procurar outros meios para acompanhar as alterações em todos os sentidos”.

Rafael Bogamil, gerente comercial de uma gráfica que atua no mercado há 42 anos, destacou que este período de campanha já não é desejado como antes e o uso da internet está intensificado até pela facilidade de atuação e menos custo.

“Antes esperávamos ansiosamente para este período de campanha, onde poderíamos ganhar a quantia que valia para um ano todo. Agora nem criamos expectativas, ainda mais com este pouco tempo de propaganda política. Além disso tem a questão das redes sociais que estão tomando nosso espaço. A legalidade é boa, mas a burocracia dificulta”.

O proprietário de uma gráfica há 25 anos, Rafael Ribeiro, foi na mesma linha dos demais. Segundo ele, a expectativa para esta eleição é praticamente zero. “Nem estou contando com trabalhos para esta eleição. Esta redução na verba e menos tempo de campanha traz reflexos negativos para nós do setor. Eu atendia muito o interior e hoje não mais, pois preferem pedir na própria cidade, por ser em menos quantidade e na Capital o fluxo é muito menor”.

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