Nas Eleições 2020, 3 em cada 4 jovens que vivem em Mato Grosso do Sul com idade entre 16 e 17 anos, que não são obrigados a votar, compareceram às urnas, sendo responsáveis pela inserção de 39.237 votos nas urnas eletrônicas. O comparecimento de 76,8% pode não destoar tanto do total nas urnas, contudo, numericamente, é o maior já registrado desde as Eleições 2014, conforme informações disponibilizadas pela Justiça Eleitoral.

A presença maior dos jovens nas urnas vai na contramão de outro público dispensado de votar: o dos idosos com 70 ou mais anos. Em comparação com as eleições anteriores, o comparecimento das 7 faixas etárias segregadas nesse grupo foi o mais baixo no ano passado em Mato Grosso do Sul, também conforme dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

A reportagem do Jornal Midiamax fez o comparativo dos dados considerando apenas o 1º turno das eleições, quando historicamente a presença nas urnas é maior.

A legislação faculta àqueles com menos de 18 anos e acima dos 70 a participação no processo eletivo. Assim, votam se quiserem, o que não significa que representam um público a ser desprezado.

Votos facultativos em 2020 garantiriam mandatos 2 anos antes

Em 2020, essas pessoas totalizaram um eleitorado de 176.437 pessoas, das quais 85.117 votaram –comparecimento total de 48,2%, não se devendo esquecer que esse todo inclui os 76,8% de jovens de 16 e 17 anos no Estado que votaram.

[Campanha do TSE em 2017 estimulava o alistamento de jovens para votar pela primeira vez. (Foto: TSE/Reprodução)]
Campanha do TSE em 2017 estimulava o alistamento de jovens para votar pela primeira vez. (Foto: TSE/Reprodução)

Em 2018, por exemplo, a diferença de votos no primeiro turno entre (PSDB) e Odilon de Oliveira (PDT) foi de 168.024 votos, inferior que o todo de votos facultativos em Mato Grosso do Sul 2 anos mais tarde. O total de votos obtidos por (PSDB), a deputada federal mais votada naquele ano, também é inferior a esse volume de eleitores (foram 120.901 votos).

Mesmo considerando apenas os eleitores que foram às urnas, o peso é importante em um colégio eleitoral como o sul-mato-grossense (com 1.932.293 votantes e comparecimento de 1.446.894 (74,88%, com uma abstenção de 485.399 pessoas, ou 25,12% dos votos no ano passado): em 2018, esses 85.117 votos facultativos computados superariam a diferença entre os senadores eleitos (PSD, 424.085 votos) e Soraya Thronicke (PSL, 373.712), bem como a desta para o terceiro colocado, o ex-senador Waldemir Moka (MDB, 357.427 ou 16.285 votos a menos que o necessário para renovar seu mandato).

Eles também representam mais votos do que o obtivo por 6 dos 8 deputados federais eleitos ou mesmo os do recordista de votos para a Assembleia Legislativa (Renan Contar, do PSL, que teve 78.390 votos). Ainda no Legislativo estadual, apenas os pouco mais de 39 mil votos dados por eleitores entre 16 e 17 anos superam a votação de 22 dos 24 deputados estaduais.

IBGE deu ‘sinal' sobre avanço do eleitorado no Censo 2010

O maior número de eleitores jovens em Mato Grosso do Sul já via sido sinalizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no Censo 2010, que apontou haver no Estado 197.821 pessoas com idade entre 5 e 9 anos –os dados fornecidos no site do órgão não segregam as idades isoladamente.

Fato é que uma boa parte dessas crianças atingiu a idade mínima para votar em 2020 –e o restante pode fazê-lo até o ano que vem, quando a sociedade irá às urnas para eleger deputados, senadores, governadores e presidente da República, desde que tenham providenciado o alistamento eleitoral a tempo.

Quanto maior a idade, menor o comparecimento nas urnas

[Eleitor com mais de 70 anos realiza biometria; presença de eleitores acima dessa faixa etária cai gradativamente. (Foto: TSE/Divulgação)]
Eleitor com mais de 70 anos realiza biometria; presença de eleitores acima dessa faixa etária cai gradativamente. (Foto: TSE/Divulgação)

Se entre a população mais jovem a participação na votação apresenta altos números, entre aqueles que deixaram de ter o voto como obrigação, como reza o senso comum, a presença nas seções eleitorais vem caindo cada vez mais. Em 2020, dos 53.737 eleitores cadastrados com idade entre 70 e 74 anos, 27.186 foram às urnas e 26.551 não votaram, uma abstenção de 49,3% em um ano no qual as eleições foram remarcadas devido ao risco do coronavírus.

Quanto maior a idade, maior a abstenção. Na faixa de 75 a 79 anos, que tinha 34.457 potenciais eleitores no ano passado em Mato Grosso do Sul, a abstenção chegou a 63,4% (21.871 pessoas não votaram). O percentual atinge 76,4% entre aqueles entre 80 e 84 anos (19.672, com 14.042 ausentes); 87,8% entre 85 e 89 anos (9.940 eleitores e 8.734 que preferiram não votar) e 95,1% nos de 90 a 94 aos (5.099 eleitores e 4.850 ausentes).

Acima dessa idade, o comparecimento é inferior a 1,5%, segundo o IBGE, com 2.038 pessoas entre 95 e 99 anos (2.021 ausentes, ou 99,6%) e 412 eleitores centenários (com 6 que foram às urnas.

Presença nas urnas dessas faixas etárias havia sido registrada anteriormente

A métrica já aparecia nas eleições anteriores. A abstenção dos eleitores de 16 anos em 2018 foi de 20,5% (dos 5.204, 1.072 não votaram), e de 23,6% entre aqueles com 17 (13.927 no total, com 3.287 faltosos). A queda no comparecimento também evolui com a idade: entre eleitores de 70 a 74 anos, a abstenção era de 38,6% (55.957 pessoas e 21.602 ausentes); sobe para 56,3% entre aqueles entre 75 e 79 anos e chega a 71,1% na população de 80 a 84 anos, superando os 83% entre quem tem de 85 a 89 anos e os 93% acima dessa faixa.

Em 2016 foram registradas as menores abstenções proporcionais entre os jovens no Estado. Dos 9.939 eleitores cadastrados com 16 anos, 1.731 não votaram (17,4%). Um ano acima, o não comparecimento somou 19% (19.406 no total e 3.695 faltosos). Os números entre os eleitores de mais idade se mantiveram próximos aos de 2018.

Nessa eleição, dos 53.509 votantes de 70 a 74 anos, 35% (18.746) não participaram. O percentual chegou a 53,5% entre aqueles de 75 a 79 anos (37.502, 20.067 ausentes), 68,7% entre os de 80 a 84 (23.616 no total e 16.244 ausentes) e 82,7% entre quem tinha de 85 a 89 anos (13.548 e 11.213 faltosos). Acima dessa faixa, a abstenção foi de 93,8% (90 a 94 aos), 95,3% (95 a 99) e 97,5% (397 dos 407 eleitores).

Por fim, nas Eleições 2014, a abstenção entre os eleitores mais jovens foi de 22,2% para os de 16 anos (7.067 no total e 1.570 faltosos) e de 25,1% entre quem tinha 17 (16.330 no total e 4.111 ausentes). O não comparecimento também cresce de acordo com o avanço da idade.

Entre os votantes de 70 a 74 anos (50.107 naquela eleição), foi de 40,1%, atingindo 57,9% entre quem tinha de 75 a 79 (34.879 eleitores) e 73,5% nos de 80 a 84 (21.112 no total). O percentual ainda atinge 85,6% entre aqueles de 85 a 89 anos, antes de superar os 94% nas faixas etárias acima.