Política

Prisão de Artuzi atinge campanha de André Puccinelli, Moka e Rigo em Dourados

O prefeito, que está na cadeia, chegou a convocar servidores para declarar publicamente voto e apoio nas candidaturas de Puccinelli, Moka e Rigo. Em Dourados, alguns comitês estão parados desde as prisões da Operação Uragano.

Arquivo Publicado em 03/09/2010, às 23h28

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O prefeito, que está na cadeia, chegou a convocar servidores para declarar publicamente voto e apoio nas candidaturas de Puccinelli, Moka e Rigo. Em Dourados, alguns comitês estão parados desde as prisões da Operação Uragano.

A prisão do prefeito Ari Artuzi (PDT) na manhã desta quarta-feira em Dourados atingiu diretamente as campanhas do governador André Puccinelli (PMDB) e do deputado estadual Ary Rigo à reeleição e do deputado federal Valdemir Moka ao Senado.


O prejuízo político ainda não avaliado pelas lideranças locais, conforme afirmou o presidente do diretório municipal do PMDB, Laudir Munaretto, ao acrescentar que o partido não pode aceitar mais o apoio do prefeito Ari Artuzi depois do envolvimento dele no escândalo da Operação Uragano. “Vamos publicar uma nota oficial sobre estas prisões”, disse Munaretto.


Os comitês de campanha de Puccinelli, Moka e Rigo em Dourados estavam às moscas hoje e raríssimas pessoas apareceram, ao contrário do intenso movimento antes da Operação Uragano. O apoio de Artuzi às candidaturas dos três era de conhecimento público.


Com o deputado Rigo, o prefeito mantinha uma ligação bem próxima e resistiu à saída do parlamentar do PDT, partido de Artuzi, para se filiar ao PSDB. Hoje a reportagem tentou conversar com o assessor de Rigo, conhecido como Peninha, que tinha livre acesso a prefeitura e ao gabinete de Artuzi. Ele não foi localizado pelo celular e “desapareceu do mapa”.


A secretária do escritório do deputado Ary Rigo confirmou que ele está em Dourados, mas que não tinha conhecimento de seu destino, mas informou que ele estaria com Peninha.


Artuzi, no período pré-eleitoral, avisou que só daria apoio a quem lhe ajudasse. E as obras anunciadas pelo governador teriam pavimentado a aliança. A ligação do prefeito com Puccinelli foi selada quando foi lançada a obra da Perimetral Norte, que consumirá mais de R$ 40 milhões de recursos do Governo do Estado. Outra obra que está sendo realizada com recursos estaduais é a recuperação da pavimentação asfáltica das ruas de Dourados.


O recapeamento, segundo dados oficiais, teria um investimento de cerca de R$ 10 milhões e está sendo feito pela Construtora CGR, atingida pela Operação Uragano. O diretor da construtora, Carlos Gilberto Recalde, foi preso por suposto envolvimento no esquema de propina e direcionamento de licitações comandado pelo prefeito Ari Artuzi.


A “amizade” de Artuzi com o governador ficou mais amiúde depois que Puccinelli teria “salvado” o prefeito recentemente no caso da Operação Owari enquanto o apoio político para a reeleição do candidato do PMDB seria uma “permuta” por causa da construção da Perimetral Norte.


Entre os inúmeros contratos da prefeitura com empreiteiras, fornecedores e prestadores de serviço que estão sob suspeita e investigação na Operação Uragano está aquele sobre o transporte escolar fechado com a empresa GWA. O ex-secretário de Governo Eleandro Passaia, em entrevista coletiva, disse falou da relação de Artuzi com a GWA e até os valores que eram repassados como propina.


DECLARAÇÃO DE VOTO


O prefeito preso, ao preterir os candidatos do seu partido, cometeu infidelidade partidária e sem medo de punições chegou a declarar publicamente quais seriam os seus candidatos na eleição de três de outubro.


A declaração aconteceu no sábado, dia 31 de julho, no Clube Harmonia durante uma reunião com funcionários comissionados da prefeitura convocada por ele para anunciar quem seriam seus candidatos. Ao iniciar seu discurso Artuzi disse as jornalistas: “Podem gravar. Podem filmar tudo o que vou falar”.


Para mais de quinhentos servidores, visivelmente constrangidos, Artuzi disse que iria votar em Ary Rigo (PSDB) para deputado estadual, Waldemir Moka (PMDB) para Senador e André Puccinelli (PMDB) para o Governo do Estado. Artuzi na época não disse quem seria seu candidato a deputado federal. Murilo Zauith que estava ao lado de Artuzi ficou sem ouvir que seria o candidato do prefeito.


Quando declarou voto em Moka e Puccinelli, o prefeito estava vivendo um verdadeiro “inferno astral” por causa de votação sobre processo no Tribunal de Justiça que estava suspenso por pedido de vistas por causa da Operação Owari.


Na época, ele preferiu contrariar a decisão do PDT e não apoiar a coligação A Força do Povo. Ainda no seu discurso Artuzi disse que todos os seus secretários iriam trabalhar pela reeleição de Puccinelli. Agora, com a deflagração da Operação Uragano e a prisão de Artuzi, servidores comissionados e secretários da Prefeitura que restaram fora da cadeia estão “sem comandante” e não estão mais constrangidos a votar nos candidatos indicados pelo prefeito preso.


Com isso a grande “força de trabalho” eleitoral que estava a serviço de Moka e Puccinelli está livre para votar. Além deste “exercito de cabos eleitorais” disperso sem comando, o governador André Puccinelli terá dificuldades para encaminhar a realização de parcerias firmadas entre Artuzi e o Governo do Estado para realizar obras públicas em Dourados.


EXPULSÃO


Os estragos na coligação de Puccinelli vão mais longe. O PSDB partido que integra a coligação Amor, Trabalho e Fé teve um vereador, Zezinho da Farmácia preso na Operação Uragano. O diretório municipal do partido já pediu ao diretório estadual a expulsão de Zezinho que foi filmado recebendo propina vai pedir a expulsão.


O vereador, um dos oito que estão presos, era um dos mais ardorosos cabos eleitorais de Puccinelli e atuava como coordenador da campanha de Reinaldo Azambuja (PSDB) a deputado federal.


Além do estrago causado pela prisão de Artuzi, o governador Andre Puccinelli teve mais baixas com as dos dois candidatos a deputado estadual que lhe apoiava: Sidlei Alves (DEM), Marcelo Barros (DEM) que tinha como “mote” de campanha o fato de ser “candidato ficha limpa”.





Jornal Midiamax