Victor Hugo de Matos Rech, de 24 anos, acusado de matar Mikael Douglas Sobrinho, de 25 anos, em 2022, no bairro Nova Lima, em Campo Grande, foi condenado durante julgamento ocorrido nesta terça-feira (23).

Victor confessou ter enforcado, algemado e carbonizado o desafeto. A justificativa dele seria porque Mikael teria estuprado a sobrinha, de três anos, de um colega do réu. O teria ocorrido em 2015.

O promotor de Justiça, José Arturo Iunes Bobadilla Garcia, que representa a denúncia do Ministério Público, disse que caso parece se tratar de um . Porém, ele nega pertencer a qualquer facção criminosa. A hipótese também foi levantada durante a investigação, sendo uma das suspeitas da Polícia Civil. “Não sou faccionado”, o réu nega.

O Conselho de Sentença rejeitou a qualificadora do meio cruel e o motivo torpe restou prejudicado, porém reconheceu a materialidade e a autoria do homicídio doloso qualificado pelo recurso que dificultou a defesa da vítima, assim como a causa especial de diminuição da pena, referente ao relevante valor moral e social. 

Victor foi condenado a pena de 10 anos de reclusão em regime fechado.

Confissão e assassinato

“Eu tinha uma filha de 11 meses na época, tinha acabado de perder minha esposa e estava criando ela sozinha. Fiquei muito revoltado, porque pensei que poderia ter sido com a minha filha. Então, decidi matar ele”, disse durante interrogatório.

O réu contou que, no dia do assassinato de Mikael, em 5 de outubro de , estava no prédio onde mora, no Jardim Canguru, quando a vítima chegou ao local, depois de ter ficado cerca de sete anos sumida após deixar a cadeia, em 2015. Victor Hugo é amigo do tio da criança que foi estuprada, e relata que a família ficou anos sem saber o que fazer, principalmente porque Mikael cometeu o crime quando ainda tinha 17 anos, ficou sete meses detido e, ao completar 18 anos, foi solto.

Foi, então, que decidiu matar o desafeto. Conta que, primeiro, deu um mata-leão em Mikael e, depois, enforcou a vítima com uma manta que tinha no local. O réu afirma que Mikael “colocou a língua para fora e arroxeou” após o enforcamento. “Notei também que ele tinha parado de respirar”.

O corpo de Mikael foi encontrado com as mãos algemadas, e Victor Hugo garante que o prendeu após a morte dele. “Fiquei com medo dele voltar e reagir”, conta.

Com ajuda de outro envolvido, que foi identificado apenas como ‘Nando', colocou o corpo da vítima em um veículo Volkswagen Gol, e levou até a Avenida Marquês de Herval, região conhecida como ‘corredor do Nova Lima'.

No meio da rua, tirou o cadáver do carro e ateou fogo. A ação foi filmada pelo autor. Depois, conta que arrastou o corpo para o meio-fio e que Nando teria efetuado seis disparos na região dele, dos quais três o atingiram.