Organização criminosa responsável por movimentar mais de R$ 80 milhões no tráfico de drogas, nos último seis anos, foi denunciada à pelo (Ministério Público Federal). O grupo agia principalmente em Corumbá, cidade a cerca de 430 quilômetros de Campo Grande e que faz fronteira com a Bolívia.

De acordo com a denúncia, a organização, desarticulada em 2021 durante a Operação Mamon, deflagrada pela Polícia Federal, utilizava estabelecimentos comerciais na fronteira para realizar lavagem de do tráfico internacional de drogas.

Investigações conduzidas pelo MPF e Polícia Federal analisaram extratos bancários, faturas de cartão de crédito, mensagens apreendidas nos telefones celulares dos investigados, além de relatórios de inteligência financeira que apontaram indícios das relações criminosas entre os integrantes da organização.

Negócio de Família

Ale Tahir Della e Ioneide Nogueira Martins, são apontados como líderes do grupo. Eles não registravam bens em seus nomes e não realizavam movimentações bancárias. As investigações mostraram que eles usavam contas de familiares para movimentar o dinheiro, além de empresas de pequeno porte, de fachada, criada apenas para justificar a movimentação financeira.

A investigação mostra que Della empreendia seus dois filhos, Matheus Prado Della e Allex Prado Della, no esquema de lavagem de dinheiro. Martins, usava os irmãos Ademilson Dias Bezerra, conhecido como “Paranazinho”, e Maria Lúcia Martins; o sobrinho, Lukas Martins Nogueira e a cunhada, Mayara Pinho Tucan.

Além deles, as investigações apontaram dois empresários, acusados de emprestarem seus estabelecimentos comerciais para a lavagem de dinheiro em troca de benefícios em bens ou espécie.

Um pequeno mercado que pertence ao grupo, movimentou R$ 63 milhões no período de quatro anos, entre 2017 e 2021. Já uma conveniência usada pela organização movimentou R$ 23 milhões em dois anos.

“As empresas constituídas em nome dos investigados são precipuamente de fachada. Ainda que exerçam alguma atividade lícita, os valores desta são irrisórios perto do montante movimentado por eles”, afirma a denúncia registrada pelo MPF.

Em um dos estabelecimentos investigados, aproximadamente 90% do faturamento vinha de cartões de crédito de integrantes da família. Um deles, tinha uma máquina de cartão de crédito de Belo Horizonte em Minas Gerais, na qual efetuava compras em uma conveniência de fachada, em Corumbá.

Outras pessoas, fora do círculo familiar eram usadas no esquema de movimentação financeira, a maioria delas investigadas, processadas e condenadas por tráfico e outros crimes. Conforme aponta a denúncia, a polícia apreendeu mais de R$ 7 milhões em cheques emitidos por mais de 600 pessoas usadas pela organização criminosa. Em mensagens analisadas pela polícia, o grupo tratava sobre formas de receber e enviar dinheiro para a Bolívia por meio de câmbio ilegal.

Os envolvidos foram denunciados pelos crimes de organização criminosa, de caráter transnacional, lavagem e ocultação de bens. Além das penas de reclusão, o MPF pede a fixação de indenização por danos morais coletivos, em valores que chegam a R$ 2 milhões para os líderes do esquema.

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