Moradores do Bairro Nova Campo Grande, onde Alexandre Alves Souza, de 21 anos, morreu durante uma perseguição na Avenida Dois na noite de quarta-feira (15), reclamam dos frequentes barulhos de motocicletas acelerando, outros motociclistas empinando, assim como em alta velocidade na região.

Segundo quem vive ali, a “bagunça” é frequente a qualquer horário do dia, porém à noite tem sido pior, como explica uma agente aeroportuária, de 23 anos. Ela mora desde dezembro com o irmão no bairro e reclama dos barulhos. “É principalmente à noite. Tem um bebê com a gente e ela acorda assustada com o barulho muito alto”, contou.

Sobre a perseguição e acidente, ela não chegou a presenciar, mas ouviu o forte barulho e ficou com medo de sair para ver o que era.

“A polícia tem que fazer alguma coisa”, cobra um empresário de 52 anos. Ele explicou que mora nos fundos do comércio e que mesmo assim o som alto das motos chega lá na madrugada. “Moro há um ano aqui e sempre foi assim”, lamenta.

Morando há 6 anos na região, outro empresário, de 34 anos, contou que a situação começou a piorar há 6 meses, quando o asfalto novo foi terminado. “Fica assim o dia inteiro, moto entregador, jovens, fazendo o randandandan, correndo, empinando. Falta uma lombada ou algo que force a diminuir a velocidade nesse trecho”, relata.

A situação continua sendo alvo de reclamação. Uma professora universitária, de 59 anos, falou que tem sido muito complicado até mesmo para trabalhar. Ela dá aula online duas vezes por semana. “É impossível por conta do barulho”, define.

De acordo com a moradora, quando acha que não dá para piorar, aos finais de semana há caminhonetes com som alto na caçamba.

Em contrapartida, uma mulher, de 34 anos, contou que o barulho ocorre mais em outro ponto do bairro. Ela contou que não o conhece, mas ouviu falar que a vítima era uma pessoa boa e trabalhadora, inclusive, acredita que o acidente tenha ocorrido de propósito.

Perseguição e acidente

De acordo com a polícia, Alexandre morreu ao colidir contra a lateral esquerda de um VW Gol, durante perseguição na Avenida Dois, no sentido à Avenida Duque de Caxias.

O motorista do Gol disse à polícia que estacionou o carro para falar ao celular. Ele então relatou que não viu a moto e a colisão ocorreu quando ele saía com o carro. O Corpo de Bombeiros chegou a ser acionado, porém ele morreu logo após a batida.

Houve princípio de tumulto, o motorista então foi retirado do local e os policiais acionaram reforço. O delegado Pablo Reis, da Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário Centro), disse que o condutor do Gol não é um policial, já que algumas pessoas chegaram a afirmar que o motorista tratava-se de um policial.

Ainda segundo a polícia, Alexandre fez manobras ilegais na região, próximo a uma feira, quando foi avistado por equipe da Polícia Militar. Houve então a perseguição, quando ele se chocou contra a lateral esquerda do VW Gol. Ainda segundo a polícia, Alexandre empinava a moto quando foi visto pela viatura. Chovia no momento e, em alta velocidade, ele teria perdido o controle da direção quando atingiu o carro.