A Aspra-MS (Associação dos Praças da e Corpo de Militar do Mato Grosso do Sul) afirmou em nota que não recebeu denúncias de policiais militares sobre perseguição de seus superiores, conforme apresentado em matérias do Jornal Midiamax com relatos de servidores.

Questionada sobre dados dos afastamentos de policiais, a Aspra informou que não possui os dados e o controle é feito pela Policlínica da PM, que recebe e homologa os afastamentos feitos pelos médicos, psiquiatras ou psicólogos. 

“Sobre os relatos que perseguição, nenhum relato ou denúncias chegou via associação. Apenas tivemos conhecimento pela imprensa de fato recente e emitimos uma nota que está disponível na página da associação no Instagram”.

No Instagram, a associação afirmou que ficou sabendo do caso em que o policial foi preso ao pedir licença para tratamento psicológico, através da reportagem do Jornal Midiamax e não soube de mais detalhes da situação, nem os motivos que levaram o policial a pedir apoio, nem os motivos para sua prisão.

“No entanto, é preocupante que, em situações de grande estresse vividos pelos militares dentro das instituições militares, a primeira opção seja a prisão e não condução destes militares aos organismos de apoio psicossocial como preconiza normas da instituição”, diz a nota.

A Aspra ainda informou que realizou o seminário Saúde Mental e Qualidade de Vida na Segurança Pública. Pelo FAF (Fundo de Assistência Feminina) da PM, foi realizado o 2º Empório em Saúde Mental. Pelo CABS/Sejusp, ocorreu o Seminário em Saúde Mental e Gerenciamento de Crises Existenciais, além de outros encontros realizados pelas universidades, outros órgãos governamentais e da sociedade civil. 

“A Aspra-MS acompanhará o desenrolar desta situação e se coloca à disposição dos militares para acompanhamento biopsicossociais através de nosso Fundo de Assistência a Saúde”.

Perseguições e denúncias

“A tropa está doente, desmotivada e ninguém faz nada”. Policiais militares de Campo Grande denunciam que estão sendo vítimas de perseguição por parte de seus superiores, principalmente quando o assunto é ‘saúde mental’. As denúncias chegaram ao Jornal Midiamax após a publicação da matéria que fala sobre a prisão de um policial que havia solicitado licença para fazer tratamento psicológico e foi acusado de ‘não querer trabalhar’.

Um militar contou que os oficiais estão ‘forçando’ o pessoal de rua a cumprirem escalas e serviços que não suportam. “Fazem sob o pretexto de reforçar o policiamento da área. Estão fazendo os policiais chegarem à exaustão. Os oficiais mesmo não atendem ocorrência em viatura”, conta. “Depois que um tenente é promovido a capitão já não trabalha mais nas ruas”, explicou.

Ainda segundo o policial, são usados vários argumentos para impedir que o saia para tratamento. “Quando o policial não aguenta mais a carga de serviço e pede ajuda, os oficiais usam de suas prerrogativas e do regulamento disciplinar para enquadrar e punir seu subordinado. Tudo sob égide do militarismo”.

Outro policial relatou que também tem sido perseguido. “Eu já fui transferido 9 vezes. Três vezes em um único mês. A lei diz que podemos ser transferidos apenas uma vez por ano”, explicou. Ele ainda afirma que o Brasil tem a polícia que mais comete suicídio.

“Precisamos que esses policiais antigos, do tempo da ditadura, com mentalidade arcaica e violenta, sejam aposentados ou sejam submetidos a reciclagem mensal de adequação constitucional para que se submetam ao novo ordenamento jurídico pátrio, o qual preza pelos direitos humanos de todos os cidadãos, inclusive, do próprio policial militar, que é uma pessoa humana”, detalhou.

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