O treinamento contra eventuais ataques do ‘novo cangaço’ realizado na noite dessa quarta-feira (23) em Ponta Porã, na fronteira com Pedro Juan Caballero, atraiu os olhares de centenas de moradores, tanto do Brasil quanto do Paraguai.

Para garantir a segurança dos participantes, o Bope (Batalhão de Operações Especiais) e o 4º Batalhão da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, responsáveis pela ação, tiveram que fechar as principais ruas de Ponta Porã. A logística também envolveu agentes paraguaios da Força Nacional.

O objetivo da simulação, de acordo com informações do tenente-coronel da PM, Vinicius de Souza Almeida, é preparar as forças policiais para situações emergenciais decorrentes de ações criminosas contra instituições financeiras.

Com cenário montado para ficar o mais próximo do que seria um ataque de criminosos ligados ao ‘novo cangaço’, foram feitos disparos de festim com armas de fogo, explosões e tomada de reféns. Praticamente todo o movimento foi acompanhado de perto por populares.

O Plano de Defesa foi desenvolvido por especialistas da PM e envolveu toda a estrutura operacional da polícia, além da integração com outras instituições como a PRF (Polícia Rodoviária Federal), Polícia Civil, Polícia Federal, Guarda Municipal, Bombeiros, Associação dos Comerciantes e outros colaboradores civis que permanecerão sob sigilo para preservação da segurança de cada um dos participantes.

O ‘novo cangaço’ é uma modalidade de crime que vem ocorrendo no Brasil e já atingiu estados vizinhos, como São Paulo, Santa Catarina e Paraná. As ações dos grupos criminosos geram pânico e medo na população. Em alguns locais, resultaram em mortes, entre policiais e a população local.

Plano de ação contra ‘novo cangaço’

Em outubro deste ano, foi publicada em Diário Oficial, a designação de servidores da segurança pública para o plano de defesa contra o ‘Novo Cangaço’ em Mato Grosso do Sul. Foram designados 16 membros entre titulares e suplentes.

Entre os membros estão policiais militares, peritos criminais, delegados, agentes policiais penais, bombeiros, policiais do DOF (Departamento de Operações de Fronteira), além de servidores do Ciops e da SAS (Superintendência de Assistência Socioeducativa). A designação foi assinada pelo secretário da Sejusp, Antônio Carlos Videira.

Novo Cangaço

O cangaço noturno em Mato Grosso do Sul começou com o fracasso do novo cangaço em 2006 nas cidades de Costa Rica, Pedro Gomes e Sonora. 

Em 2011, os criminosos optaram pelas explosões aos bancos durante a noite, escolhendo sempre cidades menores, mas com grande fluxo de dinheiro por causa de indústrias e lavouras. Antônio João em 2011, Aral Moreira também em 2011, Sonora em 2016, Pedro Gomes também em 2016, Paraíso das Águas em 2017, Amambai e Coronel Sapucaia em 2019, foram cidades alvos destes criminosos, sendo que muitos acabaram presos e outros morreram em confrontos policiais.