Morto no confronto com equipes do Batalhão do Choque, na manhã desta quarta-feira (9), em Campo Grande, André Eduardo Vargas Maia, de 30 anos, chegou a comandar o PCC (Primeiro Comando da Capital) de dentro do presídio. Ele era o alvo principal da Operação Espartanos. 

André chegou a ser liderança do PCC em Mato Grosso do Sul e tem passagens desde 2011 por roubo majorado pelo uso de arma. Também responde por latrocínio, quando Severino Vicente da Silva Júnior, de 38 anos, foi morto durante um assalto, na Vila Bandeirante. Severino foi morto a tiros após chegar ao estabelecimento comercial invadido por André e um comparsa.

Durante a operação, três pessoas foram presas e uma está foragida. Contra todos havia mandados de prisão expedidos pela Justiça. As passagens dos faccionados vão desde furto a homicídio. Um dos presos foi encontrado no Bairro Jardim Batistão, outro no Bairro Aero Rancho e o terceiro no Loteamento Bela Laguna, segundo o comandante tenente-coronel Rocha, do Batalhão de Choque.

Comandante do Batalhão de Choque em coletiva a imprensa após a Operação Espartanos (Henrique Arakaki, Midiamax)

Durante a operação, Ana Paula, conhecida como ‘Boladona’, também morreu em troca de tiros com os policiais na sua casa no Bairro Caiobá.

‘Boladona’ roubava idosos

Ana Paula dos Santos Silva, conhecida como ‘Boladona’ do PCC era sempre confundida por suas vítimas como um homem pela maneira como se vestia.

As vítimas de ‘Boladona’ sempre eram idosas. Durante a confecção dos boletins de ocorrência pelos idosos, eles sempre afirmavam que Ana Paula estava vestida com bermudas, camisetão e tinha os cabelos cortados bem curtinhos. De compleição avantajada e trejeitos masculinos, o que fazia com que suas vítimas acreditassem que era um homem.

‘Boladona’ roubava suas vítimas nas saídas de lotéricas, estacionamentos de estabelecimentos comerciais e na rua, com abordagens que deixavam os idosos sem reação. Em um dos roubos, ela abordou um idoso no Mercadão Municipal.

As passagens de ‘Boladona’ começam em 2007, por furto, roubo e roubo majorado pelo emprego de arma. As vítimas escolhidas por Ana Paula sempre eram idosas, que no momento do crime ficavam sem reação. Ela abordava as vítimas nas ruas e em estacionamentos de estabelecimentos comerciais.

O modos operandi de ‘Boladona’ era fingir conhecer a vítima. Uma de suas vítimas, um idoso de 75 anos, foi abordado no estacionamento do Mercadão Municipal, quando Ana Paula disse ser amigo da esposa do idoso, que na época dos fatos negou conhecer a autora.

Mas, o idoso acabou enganado por ‘Boladona’ e teve R$ 500 roubados por ela, que fugiu em uma motocicleta. Outra vítima, uma idosa de 82 anos, estava indo até o açougue próximo a sua casa quando foi abordada por ‘Boladona’.

‘Boladona’ disse que tinha uma empresa de limpeza de joias e que poderia fazer a limpeza. A idosa ficou sem reação e teve as pulseiras, corrente e brincos levados por Ana Paula, que fugiu em uma motocicleta. 

Na época, a idosa reconheceu ‘Boladona’, em fotos na delegacia quando foi registrar o boletim de ocorrência. Segundo a polícia, ela também roubava idosos na saída de lotéricas.

Troca de tiros

Os policiais deflagraram a operação por volta das 5h30 da manhã desta quarta, tendo como bairros alvos, o Aero Rancho e o Caiobá. Na casa de André, conhecido como ‘Febem’, foi encontrada maconha. A arma que ele usou contra os policiais, um revólver calibre .38, foi apreendida.

Quando os policiais chegaram a casa de André, ele estava usando drogas na capinha do celular. Os dois mortos são faccionados do PCC (Primeiro Comando da Capital). 

Na casa de Ana Paula, foi encontrada maconha embaixo da cama e em uma caixa de sapato. Quando os policiais chegaram à residência de ‘Boladona’, ela atirou por quatro vezes contra os policiais que revidaram. Ela chegou a ser socorrida, mas morreu no Hospital Rosa Pedrossian.