Há 4 anos, pai de santo era morto em terreiro de umbanda por ‘parceiro amoroso’ em Campo Grande

Autor disse que começou a ser chantageado pelo pai de santo
| 05/08/2022
- 06:10
pai de santo morto
Local do crime (Foto: Mariana Rodrigues / Arquivo / Jornal Midiamax)

No dia 31 de julho de 2018, o Pai de Santo Michael Morgan Noronha Andreoli, de 57 anos, foi asfixiado com um fio, morto e encontrado seminu na própria casa, no bairro Vila Piratininga. Na época, as autoridades policiais trabalhavam com a possibilidade de homicídio ou latrocínio. Mas uma das linhas de investigação foi descartada após uma reviravolta no caso, com o depoimento do autor. Relembre este caso, e entenda a série de fatos que levaram ao crime.

O pai de santo foi encontrado morto na sua casa, pelo filho, onde funciona um terreiro de Umbanda. O da vítima disse na que o pai era pai de santo e tinha o costume de buscá-lo no serviço e levá-lo até a sua casa, mas na segunda-feira, 30 de agosto de 2018, não o fez. Então, estranhando o sumiço do pai, o homem foi até a sua casa.

Quando chegou à residência encontrou o imóvel revirado e Michael morto enforcado com um fio de ventilador deitado no chão e sem as roupas de baixo. Da casa foram levados um celular, um notebook e a carteira da vítima. O filho não soube dizer quem poderia ter cometido o crime.

No dia em que o corpo foi encontrado, o delegado Hoffman D’Ávila disse que as linhas de investigações eram de homicídio e latrocínio, já que a hipótese de suicídio foi descartada pela posição como o corpo foi encontrado e pelo fato da casa ter sido revirada e objetos levados.

O caso foi investigado pela 5ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande. Uma amiga de Michael contou ao Jornal Midiamax que ele era uma pessoa pacata, tranquila e nunca soube de alguém com quem o pai de santo tivesse problemas.

Investigação acredita que crime foi de latrocínio

No dia 2 de agosto daquele ano, a polícia concluiu que o assassinato do pai de santo Michael Morgan Noronha Andreoli, de 57 anos, tratava-se de um latrocínio, ou seja, roubo seguido de morte. E o caso passou a ser investigado pela Derf (Delegacia de Roubos e Furtos).

Segundo informações do delegado da 5ª Delegacia de Polícia, Gustavo Bueno, “há indicativos que levaram a polícia a tratar o crime como latrocínio”, disse ele se referindo aos objetos que foram levados.

Suspeito é identificado, e dúvidas sobre a qualificação do crime reaparecem

Em 13 de agosto de 2018, a polícia já tinha um suspeito para o assassinato de Michael Morgan Noronha Andreoli, de 57 anos, encontrado morto em sua casa.

Segundo o delegado Matheus Zampiere da Derf (Delegacia Especializada de Roubos e Furtos), a polícia já teria identificado um suspeito, mas ainda faltava saber a motivação para o crime. “Não sabemos na realidade se foi latrocínio ou homicídio seguido de furto. Já que o autor pode ter roubado os objetos da casa para ocultar provas do crime”, explicou Zampiere.

Prisão, chantagem e reviravolta no caso

Já no final do mês de agosto, no dia 30, uma capa de celular ajudou os investigadores da 5ª Delegacia Civil a chegarem até o autor do assassinato. O objeto foi encontrado na casa de Leonardo Rodrigues, de 24 anos, e reconhecido pelo filho da vítima.

Durante buscas na casa do principal suspeito, os policiais encontraram a capa de um celular e levaram para reconhecimento. O filho da vítima apontou como sendo objeto pessoal do seu pai, já que “tinha cheiro do perfume dele”.

Leonardo foi preso na casa de um amigo, na quinta-feira, 30 de agosto, e teria confessado o crime. Ao delegado responsável pelo caso, Ricardo Meirelles, o suspeito justificou que estava sendo chantageado por ter um “caso” com o pai de santo.

Por depoimento, o autor relatou que se encontrava escondido com Michael e começou a ser chantageado por ele. Com medo que as pessoas descobrissem a relação entre os dois, Leonardo marcou um encontro e enforcou o pai de santo com um fio de telefone.

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Delegado responsável pelo caso na época, Ricardo Meirelles (Foto: Arquivo / Jornal Midiamax)

Segundo o autor do homicídio, imagens com cena de sexo gravadas sem consentimento estariam no computador e no celular da vítima e por isso os itens foram roubados após o assassinato.

A Polícia Civil foi até o terreiro onde o homem atendia, na Vila Piratininga, e encontrou uma falsa lâmpada com uma câmera de filmagem escondida dentro.

Além da capa do telefone, na residência de Leonardo também foram encontrados 500 gramas de cocaína divididos em 26 trouxinhas.

Para o delegado Ricardo Meirelles, o autor é “uma pessoa perigosa porque além de cometer um assassinato cruel ele também traficava. Além disso, tinha passagem por tráfico de drogas”.

Condenação e mudança na qualificação do crime

No dia 4 de junho de 2019, o júri condenou a 14 anos de prisão o pintor Leonardo Rodrigues Jure, de 25 anos, pela morte do pai de Santo Michael Morgan Andreoli Noronha.

Segundo sentença proferida pela juíza Denise Barros Dodero, durante julgamento no Fórum da Capital, o réu foi condenado por homicídio qualificado por meio cruel e por recurso que dificultou a defesa da vítima. Ele foi absolvido do furto do notebook e celular de Michael.

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