Foi condenado a 26 anos e 5 meses de prisão Fabiano Querino dos Santos, de 35 anos, autor do feminicídio da ex-mulher Eloisa Rodrigues de Oliveira, 36 anos. O crime aconteceu na noite do dia 17 de março deste ano, na casa da vítima, no Parque do Lageado.

Em julgamento nesta quarta-feira (16), Fabiano foi condenado a cumprir os mais de 26 anos de prisão, por feminicídio qualificado por motivo torpe e com recurso que dificultou a defesa da vítima. Ele está preso desde o dia seguinte ao crime, 18 de março.

Eloisa chegou a ser socorrida após as facadas, mas morreu na Santa Casa. Ela foi esfaqueada na frente dos filhos e socorrida por vizinhos após a fuga de Fabiano, que acabou preso se escondendo em Ribas do Rio Pardo, na casa de amigos.

Durante o júri, Fabiano afirmou que Eloisa não precisava mentir para ele que estava se relacionando com outra pessoa, e que a preocupação que tinha era se o novo namorado não iria maltratar as crianças. Mas, o argumento usado por ele durante o julgamento foi rebatido pela tia da vítima.

Aldaiza Rodrigues da Silva, de 65 anos, tia de Eloisa contou que Fabiano ‘não saía da cola da sobrinha'. Segundo ela, era uma situação muito ruim porque ele fazia ameaças a Eloisa. “Tudo que ele está falando é mentira”, disse.

“Fico muito chateada porque nossa família está muito triste”, falou a Aldaiza. Eloisa já tinha registrado nove boletins de ocorrência contra Fabiano. Em uma das vezes em que foi agredida, a filha tentou socorrer a mãe.

A filha de 5 anos de Eloisa em depoimento especial revelou que era agredida por Fabiano que dava tapas nela e no irmão de 2 anos.

Fabiano ainda disse para os jurados que todos estavam armando contra ele, inclusive, o pastor da igreja arrumando marido para Eloisa e que ele sabia que se matasse alguém iria trazer problemas para ele. O réu ainda tentou justificar dizendo que o novo namorado da vítima no dia do crime teria atirado contra ele, e por isso, matou a ex-mulher.

Sobre saber onde estavam as facas na casa, Fabiano contou que ajudou na mudança e sabia onde estavam todos os móveis e utensílios da casa. Fabiano ainda disse que havia se afastado da igreja e que já estava há 1 ano no ‘mundo'.

Os filhos de Eloisa estão sob os cuidados da ex-sogra da vítima, que não foi ao julgamento.

Depoimento após a prisão

Durante depoimento às delegadas da (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), Elaine Benicasa e Maíra Pacheco, Fabiano se mostrou uma pessoa fria e tentou justificar o feminicídio. “Estava bem calmo e, de certa forma, não demonstrou arrependimento”, disse a delegada Maíra.

O acusado teria negado qualquer outra agressão contra a vítima, mas não se preocupou ao confirmar as quatro facadas que terminaram com a morte de Eloisa.

Fabiano insistiu em afirmar que matou Eloisa porque ela mantinha um relacionamento com outra pessoa. No entanto, não soube nem dizer o nome deste suposto amante. A suspeita é de que o acusado tenha inventado tal informação, agindo por motivo fútil.

Na noite do crime, o casal cozinhava quando ele pegou a e atingiu a vítima. Além disso, Fabiano não teria gostado de não ter ou sapato na casa da vítima.

Ele também dizia que tinha sido “envergonhado diante da sociedade e da polícia”, por conta dos boletins de ocorrência já registrados pela vítima contra ele, 9 no total. Após as facadas, Fabiano saiu calmamente da casa, enquanto Eloisa gritava por socorro.

As delegadas ainda ressaltam que Fabiano contou que sentia revolta no momento em que dava as facadas na vítima, mais uma vez relatando não sentir arrependimento. Assim, Fabiano atribuiu à vítima a culpa das facadas, que acabaram com a morte de Eloisa na Santa Casa de .

Sobre outras denúncias por agressões já feitas pela vítima, Fabiano negou e disse que não a ofendia nem a agredia. “Disse que apenas a matou”, relatou a delegada Maíra. Como se nada fosse, Fabiano minimizou o fato, mas confirmou o feminicídio, alegando que optou por não agredir a vítima, ao invés disso, escolheu matar.

Também de acordo com as delegadas, Eloisa deixa 6 filhos, dos quais três são menores de idade – as crianças têm 8, 5 e 1 ano e 7 meses. Destas, as duas mais velhas presenciaram o assassinato da mãe e foram ouvidas em depoimento especial, quando confirmaram que também eram agredidas por Fabiano.

Um boletim de ocorrência foi registrado na Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente) por maus-tratos. A princípio, o acusado agredia a menina de 5 anos e o próprio filho de 1 ano e 7 meses.

Também foi feita na época recomendação para que as crianças passem por acompanhamento psicológico, por terem presenciado o crime.