Após morte de jovem, ONG denuncia sumiço de indígenas em área de conflito com produtores em MS

| 30/05/2022
- 18:45
indígena
Grupo indígena reivindica posse de área em Amambai. (Foto: comunidade Taquaperi)

A ONG 'Kuñangue Aty Guasu' denunciou, nesta segunda-feira (30), em suas o desparecimento de duas indígenas em área de conflito com produtores rurais no município de Amambai, a 355 km de Campo Grande. Em nota, a organização informa que duas mulheres estão desaparecidas desde o último domingo (29).

Conforme a publicação, as mulheres teriam sido arrastadas pelo milharal e gritos foram ouvidos do galpão onde ficaria a privada dos proprietários. "E chegou um momento em que os gritos cessaram e elas continuam desaparecidas até o momento. A comunidade disse que pela violência dos gritos, relatam que as mesmas possam ter sido torturadas, estupradas e mortas", descreve a ONG em redes sociais.

A organização também esclarece que a comunidade teme novos ataques e reivindica a presença do Ministério Público ao local. Mais cedo, a PF (Polícia Federal) esteve na área.

Em nota, a PF informou que uma equipe foi até a região de conflito. "Onde houve uma fazenda invadida pelos indígenas em represália ao ocorrido, e Coronel Sapucaia para levantamento dos fatos e depoimento de eventuais testemunhas".

Ainda conforme a nota, já foi aberto procedimento para verificar se a morte do indígena tem relação com disputas territoriais locais "ou que atinja a comunidade indígena como um todo, já que, neste caso, seria de competência da Justiça Federal em processar e julgar".

Imagens divulgadas pelos indígenas mostram uma pessoa dentro de um trator avançando sobre o grupo no último domingo (29). No vídeo é possível perceber um grupo de indígenas em uma parte da terra, enquanto o trator passa por cima da plantação de milho.

Confira o vídeo:

Sobre o conflito, o Perito em Antropologia do MPF (Ministério Público Federal), Waldenir Bernini, explica que Amambai tem duas reservas indígenas, criadas no começo do século XX em que seu último reavivamento — procedimento em que a Funai percorre os limites da reserva e limpa a vegetação para a marcação dos pontos georreferenciais — se deu no ano de 2006.

No último domingo (29), os indígenas se reuniram em uma propriedade rural para reivindicar o pedaço da terra que pertence a sua reserva.

De acordo com Waldenir, cada reserva indígena deve ter 3.600 hectares, no entanto, foi constatado que a reserva tem apenas 2.200 hectares e o questionamento do movimento é sobre os 1.400 hectares restantes.

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