Polícia

PMs teriam negociado R$ 50 mil com liderança do PCC para liberar drogas e armas em MS

Processo contra policiais tramita no Judiciário e aguarda decisão

Renata Portela Publicado em 28/09/2021, às 07h00

Imagem ilustrativa
Imagem ilustrativa - (Arquivo, Midiamax)

Apontado como liderança do PCC (Primeiro Comando da Capital), Vicente Rodrigues Júnior, assassinado em junho, aos 33 anos, é peça-chave de uma investigação contra quatro policiais militares de Mato Grosso do Sul. A denúncia aponta que em maio, Vicente foi abordado pelos militares, que negociaram R$ 50 mil para deixarem o criminoso ‘passar’ com drogas e armas.

Conforme apurado pelo Jornal Midiamax, a denúncia foi feita de forma anônima, em 30 de maio. A informação era de que Vicente seria liderança do PCC e que aproximadamente um mês antes teria sido abordado por uma equipe policial em Sanga Puitã, distrito de Ponta Porã, a 346 quilômetros de Campo Grande.

O denunciante deu detalhes que Vicente estava acompanhado de um suposto pistoleiro, além de Maicon Douglas Moura, de 22 anos, em uma Hilux preta. A equipe policial teria ficado aproximadamente duas horas com os abordados, quando Vicente fez o ‘acerto’ de R$ 50 mil com os policiais. Assim, foi instaurado procedimento interno para apuração dos fatos.

O que dizem os policiais

Em depoimento, um dos policiais, que comandava a equipe, relatou que fez abordagem à Hilux ocupada pelos três homens. Foi feita checagem aos abordados e também ao veículo, mas sem alteração ou mandado de prisão ou busca e apreensão em aberto contra os suspeitos. No relatório de serviço, consta que os policiais iniciaram policiamento em Sanga Puitã às 15h40.

Já às 16h40 estavam no Posto do Pacuri e às 17 horas na Rodovia BR-463. Assim, o intervalo seria inferior ao denunciado inicialmente, de duas horas. Para o encarregado da investigação preliminar, não há elementos informativos robustos que indiquem indícios de conduta delituosa. Por fim, foi concluído pela não existência de crime militar ou transgressão da disciplina militar.

O denunciante anônimo chegou a marcar para se encontrar com o comando, para explicar melhor a denúncia. No entanto, ele desmarcou por duas vezes e, na terceira, alertou que Vicente tinha sido assassinado. Para o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), ainda é necessária diligência complementar para melhor elucidação dos fatos.

Com isso, foi solicitado depoimento detalhado dos policiais sobre a abordagem, também depoimento do militar responsável pela checagem dos ocupantes da Hilux. Por fim, oitiva do suspeito que estaria na camionete com Vicente e Maicon. O pedido da acusação foi feito neste mês e aguarda decisão.

Execuções

Na madrugada de 6 de junho, Vicente, Maicon, além de Lucimara Porto Colman, de 25 anos, foram executados durante uma festa em Sanga Puitã. Dois veículos estacionaram na frente da casa onde acontecia o evento e os pistoleiros desceram, invadiram o local e atiraram mais de 60 vezes.

Lucimara ainda foi socorrida, mas morreu no hospital. Outro rapaz também foi socorrido em estado grave. No local do crime, a perícia encontrou 36 cápsulas de fuzis calibre 5.56mm, 21 cápsulas de calibre 9mm, e sete de calibre 380 espalhadas pela garagem, varanda e fundos da residência.

Jornal Midiamax