Polícia

3 meses em cárcere: ‘pessoas de bem’ fora de casa, agressores podem ser difíceis de identificar

Em caso recente jovem foi resgatada após pedir socorro aos familiares

Renata Portela Publicado em 19/11/2021, às 16h49

Imagem ilustrativa
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Sinais já no início de um relacionamento podem ajudar possíveis vítimas a identificarem se o homem com quem estão pode vir a ser um agressor, um abusador. Com muitos homens que acabam se passando por ‘bons moços’ entre amigos ou a família das vítimas, a situação de violência doméstica pode ser difícil de identificar para quem está de fora. Assim como no caso da jovem de 22 anos, resgatada após ficar três meses em cárcere privado.

A vítima de agressões físicas e psicológicas, além do cárcere privado, relatou à polícia de Aparecida do Taboado que nos últimos três meses não podia receber nem visita da mãe. Assim, a mãe só podia chegar até o portão da residência, sem entrar na casa. Mesmo assim, a família só entendeu a situação ao receber o pedido de socorro da vítima.

Conforme a delegada Elaine Benicasa, titular da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) de Campo Grande, os primeiros sinais são sempre os mesmos que refletem o ciclo da violência doméstica, o que também pode acabar levando aos crimes mais recorrentes. “Discussão, ciúme excessivo, situação de posse do autor para com as vítimas, ameaças, em seguida podem surgir agressões físicas e muitas vezes, infelizmente, o feminicídio”, pontuou.

Ainda segundo a autoridade policial, muitas vezes é difícil identificar inicialmente os agressores de mulheres, tanto de forma física, sexual ou moral. Isso, porque eles muitas vezes se demonstram ótimos filhos, vizinhos ou amigos. “Mas às vezes, dentro de uma situação íntima, de afeto ou familiar, com o passar do tempo acabam se mostrando agressivos”, diz a delegada.

É assim, dia após dia, que as condutas do agressor vão se somando e acabam resultando nos crimes noticiados diariamente. “Para que isso não aconteça, é importante sempre, antes mesmo de nos lançarmos em relacionamentos mais sérios, nos percebermos dentro de uma relação saudável. Se o companheiro te respeita, se não é uma pessoa descontrolada. Tudo isso pode contribuir para um futuro agravamento na relação”, relata.

Até mesmo a família, uma vez percebendo qualquer sinal ou indício de que a mulher é vítima de violência doméstica, deve procurar a polícia, civil ou militar.

A quem recorrer?

Além do 180, Central de Atendimento à Mulher que é o canal para denúncia de violência doméstica, ou mesmo 190 para acionar a Polícia Militar, a vítima pode procurar a Deam. Em Campo Grande, fica localizada na Casa da Mulher Brasileira, no Jardim Imá. Nas cidades do interior também há delegacias especializadas, mas toda delegacia deve, ao menos, orientar a vítima.

Caso a mulher prefira, pode registrar o caso pela internet. É possível pelo site da Delegacia Virtual fazer o registro do boletim de ocorrência. Em Mato Grosso do Sul, o programa Não se Cale traz dados e divulgação sobre o enfrentamento da violência contra a mulher.

No site do Instituto Maria da Penha, que traz a explicação sobre o ciclo da violência doméstica, texto ressalta que é necessário quebrar esse ciclo. “As mulheres que sofrem violência não falam sobre o problema por um misto de sentimentos: vergonha, medo, constrangimento. Os agressores, por sua vez, não raro, constroem uma autoimagem de parceiros perfeitos e bons pais, dificultando a revelação da violência pela mulher. Por isso, é inaceitável a ideia de que a mulher permanece na relação violenta por gostar de apanhar”.

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