Polícia

Para criar álibi, advogado teria mandado mensagens para ex-líder do PSL em MS após matá-la

Investigação aponta que o crime pode ter sido premeditado

Renata Portela Publicado em 10/06/2021, às 14h43

Alexandre no posto em que lavou os vidros do carro após o crime
Alexandre no posto em que lavou os vidros do carro após o crime - (Foto: Jornal da Nova)

Análise em um dos celulares apreendidos com o advogado Alexandre França Pessoa apontam que ele teria enviado mensagens para a ex-líder do PSL em Mato Grosso do Sul, Fernanda Daniele de Paula Ribeiro dos Santos, de 36 anos, após matá-la. A investigação policial mostra que o crime pode ter sido premeditado e as mensagens seriam uma forma do advogado criar um falso álibi.

De acordo com o relatório da investigação, da Delegacia de Batayporã com apoio do SIG (Setor de Investigações Gerais) da 1ª Delegacia de Nova Andradina, foram extraídas do celular apreendido conversas entre o advogado e a vítima durante todo o dia em que o crime ocorreu. O localizador do aparelho também mostra que Alexandre esteve na casa de Fernanda e depois próximo ao local onde o corpo dela foi encontrado.

Uma testemunha no caso, conhecida de Fernanda, também confirmou que naquele dia 28 de abril, dia do crime, entre 15h40 e 17h10 a vítima combinou de sair com Alexandre, marcando um encontro para o início da noite. O casal trocou mensagens pelo WhatsApp desde o início da manhã, conforme informações do site Jornal da Nova.

Já por volta de meio-dia, o casal volta a trocar mensagens e a vítima diz “Quero muitos beijos hoje”. Às 12h27, o advogado pergunta que horas Fernanda iria ao salão e ela responde que iria às 16 horas e que às 17 estaria em casa. Depois, Alexandre afirma que às 18h30 estaria na residência da vítima.

As conversas reveladas na investigação mostram a intimidade do casal, que teria combinado um encontro para o dia em que ocorreu o crime e inclusive falava sobre uma fantasia sexual. À tarde, por volta das 14h17, o advogado manda mensagem para Fernanda sobre preço de produtos de uma farmácia e as imagens das câmeras do estabelecimento comprovam que ele estava no local. As provas indicam que realmente o aparelho era usado pelo acusado e que trocava mensagens com a vítima.

Depois, às 17h17, Alexandre envia um áudio para Fernanda dizendo que iria na farmácia e em um cliente. Entre este horário e 19h57 o casal teria se encontrado, conforme indicado pelo GPS do celular de Alexandre. Às 19h57, possivelmente após cometer o crime, o advogado novamente manda mensagens para a vítima.

Tentou criar um álibi

A polícia acredita que as mensagens que Alexandre enviou a partir deste horário foram na intenção de criar um álibi, uma vez que Fernanda já estaria morta. Ele diz que iria até a casa de uma pessoa, depois implicada como testemunha no processo, para tomar tereré. Na casa do conhecido, ele tirou ‘selfies’ e gravou vídeos, o que uma terceira testemunha chegou a estranhar, mas que para a polícia novamente implica na tentativa de criar o álibi.

Antes de ir até a casa do conhecido, o advogado teria ido para a casa dele, onde trocou de roupa e limpou o carro, um Ford Fusion preto. Ele ainda passou em um posto, abasteceu e lavou os vidros do carro. Toda a movimentação foi filmada por câmeras de segurança. Alexandre estaria nervoso, o que foi identificado pelos amigos. No dia seguinte ao crime, as filmagens mostram o advogado com o carro já limpo.

No período da manhã do dia 29 a Polícia Civil encontrou o corpo de Fernanda. As mensagens enviadas pelo advogado para uma testemunha não mostram qualquer reação do investigado. Ele teria se mostrado indiferente, o que aponta que estaria ciente do crime. Alexandre nem mesmo foi ao velório, alegando que deixou de ir porque era “taxado como suspeito”.

Já no dia 1º de maio a Polícia Civil conseguiu o mandado de busca e apreensão na casa do advogado e, no dia seguinte, ele foi preso temporariamente. A prisão foi convertida em preventiva e ele segue detido no Presídio Militar em Campo Grande. Para a polícia, Alexandre agiu sozinho.

Jornal Midiamax