Preso desde fevereiro de 2018 no Rio de Janeiro, enquanto fazia uma tatuagem, Elton Leonel Rumich, o ‘Galã do PCC’ teve a prisão reavaliada e mantida por juiz federal de Campo Grande. Considerado um dos líderes da facção, Elton foi condenado a 8 anos de prisão, em regime fechado, por lavagem de dinheiro e cumpre pena em presídio federal.

A reavaliação da prisão é feita aproximadamente a cada 90 dias, conforme estipula o artigo 316 do Código de Processo Penal. Assim, conforme decisão do juiz federal Bruno Cezar da Cunha Teixeira, Elton continuará em regime fechado, em unidade federal.

Conforme a decisão do magistrado, o ‘Galã’, integrante do Primeiro Comando da Capital, está preso preventivamente no Presídio Federal de Mossoró (RN) por força de mais de um mandado. Além disso, ele tem longo histórico criminal, por receptação, tráfico de drogas, posse de armas de fogo, uso de documento falso e homicídio, entre outros.

Pelo processo em questão, Elton foi denunciado por lavagem de dinheiro por uma empresa ‘laranja’ que gerenciava em Ponta Porã. Ele foi preso em 2018 no Rio de Janeiro e precisou ser transferido, já que havia um plano de fuga pela porta da frente da unidade prisional, plano pelo qual desembolsaria R$ 2 milhões. Segundo o juiz, o réu se dedica ao crime e ao PCC dede 2005, sendo a prisão cautelar medida indispensável para manter a ordem pública.

Frisou-se ainda que ELTON LEONEL não é considerado um preso comum, de casos corriqueiros; ao contrário, é tido pelas autoridades de segurança pública como um criminoso audaz, de ostensiva periculosidade e integrante de uma grande facção criminosa”, pontuou o magistrado. Com isso, há alto risco em caso de substituição da prisão por medida cautelar.

Por fim, foi definido que a prisão preventiva foi mantida, no estabelecimento penal em que atualmente se encontra.

Condenação

Em dezembro de 2020, Elton Leonel foi condenado a 8 anos por lavagem de dinheiro, após denúncia feita pelo MPF (Ministério Público Federal) sobre provas obtidas em perícia realizada nos celulares do réu, apreendidos no dia da prisão em 2018. A partir das imagens e mensagens trocadas, foi possível verificar a ocorrência de transações bancárias, mediadas por doleiro, que comprovam a prática dos crimes de lavagem de dinheiro.

Os valores eram provenientes de inúmeros crimes, especialmente o tráfico internacional de drogas. Em apenas um dia foram realizados 16 depósitos em favor de cinco pessoas jurídicas diferentes, ‘laranjas’, totalizando R$ 197 mil. Assim que recebia os depósitos, Galã os repassava ao doleiro que providenciava a conversão dos valores.

Galã já havia sido condenado a 19 anos de prisão por organização criminosa em 2019. Elton ainda possui mais uma ação penal contra si na Justiça Federal em Mato Grosso do Sul, também por participação em organização criminosa e lavagem de dinheiro. Essa denúncia trata especificamente da abertura de uma empresa de fachada com sede em Ponta Porã.

A Construtora JB Progresso era a empresa ‘laranja’ por meio da qual outros cinco denunciados, sob o comando de Galã, adquiriam imóveis e veículos para ocultar e dissimular a procedência ilícita e a real propriedade dos bens. Elton Leonel é considerado um dos principais nomes do PCC na região de fronteira e é o principal suspeito de ser o mandante do assassinato do Jorge Toumani Rafaat, em julho de 2016.