Polícia

Aspra-MS diz que agente não é fiscal de trânsito e não deveria ter atirado contra carro de PM

Associação que representa praças da PM emitiu nota de repúdio

Danielle Errobidarte Publicado em 31/07/2021, às 19h18

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(Foto: Henrique Arakaki - Midiamax)

A Aspra-MS (Associação dos Praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul) emitiu uma nota de repúdio pelo episódio envolvendo um soldado da PMMS e um policial penal, ocorrido nesta sexta-feira (30) na Avenida Eduardo Elias Zahran, na Capital.Segundo a associação, os agentes penitenciários "os agentes penitenciários não são responsáveis por exercer poder de policiamento nas ruas e muito menos estão aptos para desempenhar a fiscalização de trânsito".

Consta na nota que, o policial penal deveria ter acionado o Batalhão de Trânsito da Polícia Militar, ao invés de ter atirado contra o carro do soldado, sob a alegação de que ele estaria dirigindo em zigue-zague. Segundo a associação, "por muito pouco a ação despreparada do agente penitenciário não resultou em uma tragédia".

A Aspra-MS classificou a atitude do agente como temerária e que "ultrapassa os limites de suas atribuições no âmbito da segurança pública estadual".

"Uma situação que, por muito pouco, não terminou em homicídio do policial e/ou de outras pessoas que por ali passavam, pois o tiro entrou na janela traseira, transfixou o banco do passageiro e passou de raspão pelo casaco que o Soldado PM usava no momento", completa a nota.

A associação que representa os praças da PMMS afirma ter colocado o corpo jurídico a disposição do policial, e considerou que "nenhuma circunstância justifica o disparo de arma de fogo". Por fim, consideram que o caso foi isolado dentro da Agepen (Agênciab Estadual de Administração do Sistema Penitenciário).

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(Foto: Henrique Arakaki - Midiamax)

Disparo de arma de fogo

O policial militar de 29 anos, que teve o vidro traseiro do carro atingido por um tiro na manhã desta sexta-feira (30), na Avenida Eduardo Elias Zahran, foi ouvido na 4ª Delegacia de Polícia Civil e liberado. Já o agente penitenciário, de 41 anos, foi detido em flagrante pelo disparo de arma de fogo.

Conforme as informações da Polícia Militar, equipes foram chamadas por conta de dois homens que estariam em vias de fato, sendo que um estaria armado. Os militares não encontraram os suspeitos no local indicado, mas depois localizaram os dois envolvidos na Zahran, já nas proximidades da escola Hércules Maymone.

O Fiat Argo estava parado na via e o motorista, policial militar, detido e algemado pelo agente penitenciário, que estava fardado. O Midiamax apurou que o policial é lotado no Batalhão de Guarda e Escolta, ou seja, também atua nos presídios. A princípio, o militar e oagente não se conheciam.

Versões do caso

O agente penitenciário contou que estava seguindo para o serviço, fardado, quando perto do Hemosul viu o motorista do Argo apontando uma arma de fogo para outros motoristas. O policial ainda estaria dirigindo de “forma anormal”, furando sinal vermelho e fazendo manobras perigosas.

Por conta disso, o agente teria acionado a Polícia Militar pelo 190, informando os fatos. Em determinado momento, o carro dele emparelhou com o Argo, por conta do congestionamento. O agente viu o policial colocar a mão na perna e retirar uma arma de fogo, momento em que ele teria se identificado como ‘polícia’.

O agente então, conforme o relato dele, sacou a arma de fogo e foi em direção ao Argo, momento em que o motorista, ainda sem se identificar como PM, teria também apontado a arma em direção ao agente. O agente foi para trás do carro do policial e fez um disparo, quando o PM então se identificou e colocou a arma no banco do passageiro.

Assim, o agente pediu que ele colocasse as mãos para fora do veículo, o que foi feito. De acordo com o agente penitenciário, o policial estava bastante alterado. Ele foi contido até a chegada da viatura. Já na versão do policial militar, ele dirigia devagar, por conta do congestionamento, e em determinado momento ouviu o barulho do tiro.

Depois do barulho, ele viu o vulto do projétil, passar perto do peito dele. Foi quando o militar viu o homem armado do lado de fora do carro, se identificando como “polícia”. Então, ele também se identificou e foi retirado do carro, “jogado no chão e algemado”, segundo relato dele. O militar alega que estava com a arma na cintura o tempo todo.

Teste de bafômetro

O agente penitenciário fez o teste de bafômetro, que deu resultado negativo. Já o policial militar se negou, mas segundo os policiais que foram ao local ele não apresentava sinais de embriaguez, por isso não foi feito termo de constatação. Além de Polícia Militar, Polícia Civil e Perícia também estiveram no local.

Após trabalho da Perícia, que deixou a via interditada, os dois homens foram encaminhados para a 4ª Delegacia. O policial militar prestou depoimento e foi liberado já no período da tarde. Uma testemunha e o agente também foram ouvidos e consta no registro que o agente foi detido em flagrante pelo disparo de arma de fogo.

Já o policial poderá responder por trafegar em velocidade incompatível com a via. Conforme o delegado Nilson Friedrich, o agente pagou fiança e também foi liberado da delegacia. As armas de fogo dos dois envolvidos e também os carros foram apreendidos.

Jornal Midiamax