Polícia

‘Agiu ardilosamente’: condenado por matar boliviano, delegado perde cargo

Fernando foi condenado a 20 anos de prisão

Thatiana Melo Publicado em 25/06/2021, às 08h05

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(Arquivo)

“Agiu ardilosamente modificando o estado de coisas, bem como intimidou e coagiu testemunhas visando obter a sua impunidade quanto ao crime de homicídio praticado, o que reforça a incompatibilidade em permanecer exercendo o cargo para o qual foi nomeado”, assim declarou o magistrado André Luiz Monteiro ao dar a perda de cargo a Fernando Araújo da Cruz Júnior, ex-titular da Deaji (Delegacia de Atendimento à Infância, Juventude e do Idoso) de Corumbá, condenado pelo assassinato de Alfredo Rangel Weber dentro de uma ambulância, em fevereiro de 2019.

O delegado foi condenado a 20 anos e 10 meses de prisão, não podendo recorrer em liberdade. Na sua decisão, o juiz afirmou que “Com efeito, a perda do cargo público se mostra imperiosa. Em primeiro lugar por conta do preenchimento dos requisitos legais, sobretudo ante a incompatibilidade do regime fechado e a função de Delegado”.

Ainda segundo o magistrado, “ Em segundo, porque as circunstâncias do crime demonstram a inaptidão do réu em cotejo com o cargo no qual ocupa, uma vez que o crime foi praticado com extrema violência contra pessoa, e por agente estatal que deveria mostrar equilíbrio em suas ações”.

Assassinato

O boliviano Alfredo foi esfaqueado em uma festa e depois socorrido, sendo levado de ambulância para Corumbá. Então, o delegado interceptou a ambulância e o matou a tiros antes de chegar ao hospital. Mas Fernando, achando que não havia testemunhas do crime, foi pego de surpresa quando foi informado pelo investigador da Polícia Civil, Emmanuel Contis, de que a irmã da vítima estava na ambulância e viu o assassinato.

Em meio a toda a trama do homicídio, testemunhas foram coagidas sendo uma delas o motorista da ambulância, que teve como advogada a mulher de Fernando, Silvia. No entanto, o que o casal não esperava era que policiais bolivianos e até um promotor usassem de chantagem para extorquir os dois, com pedido de R$ 100 mil para que não implicassem o delegado ao assassinato.

Na tentativa de encobrir os rastros do crime até execuções dos policiais e delegados que estavam investigando o caso foi arquitetada por Fernando e Emmanuel, que informava ao delegado todos os passos das investigações.

Tráfico x Minotauro

O delegado ainda estaria ligado ao tráfico de drogas, já que ele e a mulher estariam em contato com Fernando Limpias, que já havia trabalhado para Adair José Belo conhecido como ‘Belo’ e para Sérgio de Arruda Quintiliano, o Minotauro, que foi preso em Santa Catarina, no dia 4 de abril.

Fernando Limpias estaria comprando fazendas, com pista de pouso, na Bolívia para o transporte de drogas e estava à procura de ‘parcerias’. Silvia, então, teria oferecido a ‘parceira’ através da logística de reabastecimento dos aviões. Nas conversas com o traficante é perceptível o domínio do assunto tanto pelo delegado como por sua mulher. A defesa do delegado negou as acusações sobre envolvimento com o tráfico de drogas.

Assim, Fernando e Emmanuel foram presos em 29 de março, em ação da DEH (Delegacia Especializada de Homicídios) e Garras (Delegacia Especializada em Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros).

Jornal Midiamax