Polícia

“A gente não pode passar pano”, diz dono de bar onde advogado foi preso por homofobia

Suspeito teria ficado bastante alterado com a situação

Renata Portela Publicado em 06/09/2021, às 16h47

Caso aconteceu no bar, que fica no centro de Campo Grande
Caso aconteceu no bar, que fica no centro de Campo Grande - (Foto: Reprodução, Google)

Detido pela Polícia Militar na noite de sábado (6) após comentário homofóbico contra uma funcionária do Mr. Hoppy, advogado ainda teria discutido com o proprietário. A discussão teve início após ele se negar a usar máscara de proteção para fazer o pedido no balcão do estabelecimento.

Segundo o proprietário do estabelecimento, Sanderson Jorgensen, o advogado foi até o balcão para ser atendido e estaria com o nariz escorrendo. A funcionária pediu que ele colocasse a máscara, norma de biossegurança adotada pelo bar durante os atendimentos no balcão. Mesmo assim, o cliente se negou.

A princípio, ele já teria negado usar a máscara uma vez e, na segunda, a funcionária então pediu para outra pessoa atender o advogado. “Ele virou para o amigo e falou que ‘aquela sapatão não queria atender ele’”, contou Sanderson. Após o ocorrido, a funcionária se sentiu muito constrangida e chateada com a situação.

“Conversei com ele, disse que queria pedir para ele ter mais respeito e educação com os funcionários e ele começou a gritar, se alterou”, relatou o proprietário do local. Ainda segundo ele, o advogado questionou o que tinha acontecido e ele disse que o cliente tinha feito o comentário homofóbico, ao que o advogado respondeu “É mesmo”.

“Disse que se esse era o posicionamento dele, eu iria chamar a polícia e ele respondeu ‘pode chamar quem você quiser’”, contou o empresário. “A gente não pode passar o pano e deixar quieto, porque se não mais pessoas acham que esse tipo de coisa é normal”, disse. Após o ocorrido, Polícia Militar foi acionada e o advogado encaminhado para a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Centro.

Foi registrado o boletim de ocorrência e arbitrada fiança, paga pelo suspeito. A rede Mr. Hoppy também se posicionou sobre o fato. “A rede de franquias reitera sua posição de combate à homofobia e qualquer tipo de discriminação e agressão por gênero, raça ou condição social. Reforça que continuará, sempre que necessário, denunciando qualquer conduta do tipo dentro de suas unidades. Nossa solidariedade a todos que já tiveram que enfrentar situação semelhante”, diz a nota

“A rede reafirma também o compromisso ao cumprimento de todas as medidas de saúde, seguindo a legislação vigente, em relação ao controle da pandemia, para que a segurança e integridade de todos os colaboradores e clientes sejam garantidas”, conclui.

Jornal Midiamax