Polícia

Família sepulta 2ª mulher carbonizada em MS em menos de 1 mês

Autor do crime ainda não foi encontrado 

Midiamax Publicado em 08/08/2017, às 16h35

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Autor do crime ainda não foi encontrado 

Um corpo na margem de uma estrada vicinal, completamente nu, com a cabeça enrolada com roupas e carbonizada. Desprotegida e abandonada por um assassino cruel, assim que Márcia Rodrigues Conceição foi encontrada na manhã desta segunda-feira (7) em Rio Brilhante, a 158 quilômetros de Campo Grande.

Márcia era usuária de drogas e segundo as filhas, fazia pequenos serviços para manter o vício. Perdeu a vida pelas mãos do descaso, mas nem de longe seu assassinato teve e repercussão merecida. O velório na manhã desta terça-feira (8) reuniu poucas pessoas.

Márcia foi enterrada em uma cova simples. Com orações e muita comoção, os cinco filhos, irmãos e o pai se despediram da mulher humilde, que há 10 anos se mudou de Corumbá para Rio Brilhante atrás de uma vida melhor.

Diante da dor, a família humilde ainda lida com medo. Medo da represália dos assassinos, mas ainda assim buscam respostas para o que de fato aconteceu com Márcia. Para a equipe do Jornal Midiamax, a filha mais velha da vítima contou que por conta própria tentam descobrir as últimas pessoas que viram a mãe viva, para assim tentarem chegar ao autor. 

Feminicídio

Mesmo de forma ainda discreta, a morte de Márcia, emblemática em casos de violência contra a mulher, revoltou as moradoras da cidade. A morte brutal da mulher trouxe mais uma vez o pedido de segurança e justiça à tona. “A mulheres de Rio Brilhante exigem reconhecimento para esse caso. Esse crime não pode ficar impune”, defendeu Maria Carmem Matsunaka Carlino, Instituto sul-mato-grossense de Defesa do Direito Pleno.

Família sepulta 2ª mulher carbonizada em MS em menos de 1 mês

“Como já nos mobilizamos antes, mas nos unir mais uma vez por justiça”. O caso ainda não é tratado como feminicídio, mas a morte da vítima de 38 anos aumenta as estatísticas e deixa claro que a luta contra a violência a mulher ainda está longe de acabar.

Do dia primeiro de janeiro até está terça-feira (8) a Polícia Civil registrou 18 casos de feminicídio em Mato Grosso do Sul, quatro deles em Campo Grande. Casos marcados pela crueldade, por ciúmes e pelo sentimento de possessão dos autores. Na maioria dos casos, vítimas de 30 a 50 anos, refém de relacionamentos abusivos por um longo tempo.

Em fevereiro, Luciene de Freitas Souza, de 43 anos, foi morta com um golpe no pescoço e teve o corpo jogado na piscina da própria casa pelo ex-marido Vagner Lope. Autor e vítima foram casados por três anos.

Preso, o suspeito disse que Luciene teria procurado por ele várias vezes para reatar o casamento, mas sempre desistia de retomar a relação, o que teria deixado ele ‘enfurecido’. Vagner, perseguiu, ameaçou e matou a mulher que dizia amar e fugiu. Foi preso no dia 16 de fevereiro, três dias depois do crime.

Em março, a recepcionista Pâmela Jennifer, de 32 anos, foi ferida por um tiro na cabeça enquanto trabalhava, passou mais de um mês internada na Santa Casa e no dia 25 de abril, não resistiu. O autor, o ex-marido preso em flagrante ainda por tentativa de homicídio. Horas antes do crime, a vítima foi a delegacia e registrou o sétimo boletim de ocorrência contra o suspeito.

Ramona Regilene Silva de Jesus, de 44 anos, foi morta a facadas pelo ex-marido no Residencial Celina Jallad, no Portal Caiobá, em julho deste ano. Ela foi perseguida dentro de casa, golpeada várias vezes e chegou a sair para pedir socorro na rua. Foi assassinada de forma cruel, em frente da vizinhança. O crime causou revolta e até a ‘caçada’ do suspeito, que também teve o carro depredado pelos moradores da região.

Família sepulta 2ª mulher carbonizada em MS em menos de 1 mês

O mais recente deles, o da musicista Mayara Amaral, de 27 anos, ainda é trato pela polícia como latrocínio – roubo seguido de morto – mas em um novo depoimento, o réu confesso Luís Alberto Bastos Barbosa afirmou que matou a vítima depois de uma discussão.

Os dois mantinham um relacionamento há algumas semanas e ofensas a namorada do suspeito teriam iniciado a discussão que culminou no crime. Mayara foi morta a golpes de martelo na cabeça, deve o corpo carbonizado e abandonado em uma das estradas de acesso a cachoeira do inferninho. O caso ganhou repercussão nacional e agora a defesa de Luís tenta reverter a acusação e fazer com que o rapaz responda na justiça por feminicídio.

Crimes no interior

Vanda Júlio Borges, de 42 anos, foi assassinada e enterrada pelo próprio marido, Luciano Nunes Brito, de 41 anos, após uma discussão por motivos banais. O crime aconteceu em Três Lagoas, a 338 quilômetros de Campo Grande em fevereiro deste ano. A mulher foi enforcada com um fio de nylon e ficou um dia desaparecida até que o corpo fosse encontrado.

Em março, Ademir Bispo Ferreira de 39 anos, foi preso em Coxim, a 253 quilômetros da Capital, por matar a ex-mulher Cristiane Silva Gonçalves, de 38 anos asfixiada em um motel da cidade. Depois do crime, ele abandonou o corpo da vítima nas margens de uma estrada vicinal.

Evelyn de Abreu Xavier, de 24 anos, foi encontrada morte dentro de sua casa em Três Lagoas no dia 25 de junho. O assassino, seu ex-marido Alan César Santos Morais, de 33 anos. Depois de matar a mulher, o suspeito mandou um áudio por WhatsApp confessando todo o crime e pedindo para que avisassem a família dela. Ele foi preso em Belo Horizonte no dia 10 do mês passado.

Arcenia Alarcon Nunez, de 57 anos, era paraguaia e tinha deficiência intelectual, ainda assim foi estuprada e agredida até a morte por Hércules Cardena Duarte, de 19 anos, em Ponta Porã, a 346 quilômetros da Capital. Ele ainda obrigou a namorada a assistir a violência contra a vítima. O corpo da idosa foi encontrada no dia 16 de maio em um matagal, onde todo o crime aconteceu. 

Jornal Midiamax