Polícia investiga o caso

O bebê Kaio Cabral Benites faleceu no sábado (28), antes de completar dois meses de vida. A criança foi deixada em um abrigo onze dias antes da morte, após ser retirado dos pais pela Justiça. Os familiares procuraram a polícia nesta segunda-feira (30) para que o caso seja investigado.

De acordo com o delegado Paulo Sérgio Lauretto, da Depca (Delegacia Especializada de Atendimento à Criança e ao Adolescente), Kaio e a irmã gêmea nasceram no dia 2 de abril e, com menos de dois meses, no dia 17 de maio, foram tirados dos pais. A mãe teria perdido a guarda das crianças sob alegação de ter feito uso de entorpecentes durante a gravidez e não ter feito pré-natal ou qualquer exame médico.

A suposta negligência resultou na retirada das crianças dos pais pela Vara da Infância e Juventude. Os bebês foram levados para um abrigo da Capital, na Vila Vilas Boas e, conforme depoimento da mãe à polícia, ela fazia visitas diárias aos bebês. Dez dias após as crianças chegarem ao abrigo, no último sábado, Kaio foi levado para a Santa Casa e morreu um dia depois, sob suspeita de pneumonia.

No depoimento, a mãe dos gêmeos declarou que na sexta-feira (27) foi informada que Kaio passou mal após mamar e foi levado para o hospital. No dia 28 ela procurou o abrigo para saber o estado de saúde da criança e recebeu informação que ele seguia internado. Meia hora depois, responsáveis pelo abrigo ligaram para a mãe, contando que o bebê havia morrido na Santa Casa.

O laudo do hospital constatou morte por pneumonia. Para a mãe, a diretora do abrigo chegou a dizer que o bebê teve convulsões e que passou mal por crise de abstinência, uma vez que a mulher teria usado drogas durante a gestação. Ela chegou a questionar se isso poderia ocorrer. Segundo o delegado Lauretto, ele guiará as investigações a partir do laudo do hospital.

Ainda conforme o delegado, outros laudos médicos deverão ser encaminhados para a polícia. O bebê já foi velado e enterrado e, por isso, não há laudo necroscópico. A polícia agora tentará investigar sem que seja necessário fazer exumação do corpo da criança. Funcionários do abrigo, onde a irmã de Kaio ainda está, serão ouvidos nos próximos dias, além de familiares da vítima.