Jovem que provocou revolta nas redes sociais é doente e usa drogas, diz mãe

A mulher que causou furor nas redes sociais por ter chutado uma na última terça-feira (26) tem problemas com drogas e é paciente psiquiátrica. A informação é da mãe dela, Isabel, de 70 anos, localizada depois que vizinhos reconheceram e apontaram a autora da , cometida dentro do Terminal . Ela mora no bairro Caiçara e é conhecida na região pela agressividade.

Os conhecidos temem que a jovem seja vítima de ‘justiceiros’ revoltados com as atitudes dela e dizem que a família não recebe nenhum tipo de assistência por parte do poder público. 

Segundo Isabel, a filha, que completou 30 anos nesta semana, foi criada sozinha. “Ela perdeu o pai muito cedo. Então tive de ser mãe e pai. Saía para trabalhar enquanto ela deveria estudar, mas as más companhias deram outro rumo para a vida dela”, lamenta.

O episódio no Terminal Bandeirantes, quando ela teria agredido uma criança com um chute, ganhou notoriedade porque na hora populares se aglomeraram para agredir a moça e a GCM (Guarda Civil Municipal) teve de intervir. Nas redes sociais, até fotos dela foram divulgadas, com alerta para que os pais da região cuidem dos filhos pequenos perto da agressora.

Ela mora com a mãe em um casebre de apenas uma peça com banheiro do lado de fora. “Logo cedo ela sai de casa e não tem como segurar, não consigo”, conta Isabel. A idosa disse que já procurou ajuda das autoridades, mas reclama que nunca foi atendida.

“Uma vez ela ficou descontrolada, jogou uma telha sobre mim e estava querendo quebrar a casa do vizinho. Chamamos o (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), eles vieram, levaram ela para o posto de saúde onde aplicaram uma injeção e depois ela estava aqui de novo”, recorda.

Isabel não sabe a quem recorrer. “Ela não era assim… Ela é uma pessoa boa, eu sei”, diz.

Vizinhança

No Bairro Caiçara, região sudoeste de Campo Grande, os populares a conhecem e descreveram como ‘doidinha’, por fazer pequenas ‘travessuras’. “Temos horário para deixar o lixo na rua, senão ela passa e joga para dentro de casa ou então espalha pela calçada e rua. Quando intercedemos perguntando ‘por que fez isso?’, ela simplesmente sai correndo”, relata um morador.

“Ela não era violenta. Isso começou de uns cinco meses para cá”, lembra a comerciante Maria Aparecida, de 47 anos. “Ela chegava aqui e pedia uma fruta ou algo, sempre demos. Então, ela vai embora. Mas, ultimamente ela passa por aqui e joga tudo que vê no chão e foge”, fala.

Outra moradora, que preferiu não se identificar, recorda que uma vez ela chegou a dar um tapa na cara de uma idosa. “A senhorinha nem tinha visto que ela estava perto. De repente, ela deu o tapa. Voaram os óculos da senhora, que ficou meio atordoada”, diz.

Durante o trajeto que faz pelo bairro, ela também atormenta o dono de uma oficina. “É eu descuidar, ela passar aqui e joga cimento ou terra sobre os carros. E depois sai correndo”, comenta outro empresário, que também preferiu não se identificar. Entretanto, ele ressalta que nunca a viu agredindo ninguém.

Perigo das redes sociais

Nas redes sociais, a notícia sobre o chute contra uma criança de 1 ano e 4 meses no terminal se espalhou. Muitos chegaram a insinuar que a mulher teria agredido outras crianças, entretanto, o fato não foi confirmado por quem a conhece. “Sempre temos medo da proporção que um boato toma. Sei que ela tem problemas, precisa de um tratamento ou uma assistência, porque com certeza, ela não pode responder por si só”, revela outro vizinho, que também preferiu não se identificar, e completa, “já vi ela atravessar aquela avenida em frente ao Terminal Bandeirantes correndo, sem olhar para os lados. É o jeito dela”.

Há pouco mais de um ano, em 3 de maio, Fabiane Maria de Jesus, foi espancada e morta em Guarujá, no litoral de , ao ser confundida com uma suposta sequestradora de crianças que praticava rituais de magia negra. As imagens da suposta agressora foram colocadas na internet e a vítima foi confundida com ela, pois tinha recém-pintado o cabelo de loiro.

Alerta

A titular da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento a Mulher), Rosely Molina, revelou que este tipo de julgamento é perigoso e o fato tem ocorrido por conta da recorrente onda de violência. “O índice de violência está alto, tanto em Campo Grande, quanto no Brasil, e muitas vezes a população vê uma onda de impunidade e tenta tomar alguma atitude e isso pode gerar ainda mais conflito. Sei que algumas vezes ouvimos ‘isso não vai dar em nada’, mas temos que acreditar que algo vai acontecer, pois profissionais são diferentes e muitas vezes”, comenta.

A delegada explica que por mais cruel que possa parecer um caso, as leis têm de ser respeitadas. “Temos que seguir normas e condutas, e acreditar que o sistema criado possa fazer algo. Pois elas, com certeza, foram criadas para facilitar o convívio da sociedade. Temos de respeitar o outro para que não haja julgamentos precipitados e muitas vezes incontornáveis”, fala.

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