As últimas eleições mostraram que há uma polarização muito forte na população, mesmo em Mato Grosso do Sul, que tradicionalmente tem predominância de ter uma sociedade mais conservadora. E essa divisão evidenciou também a dificuldade de relacionamento entre pessoas de posicionamento político opostos.

Já que ninguém chega com uma “marca na testa” declarando suas preferências políticas, opções como o aplicativo Lefty (palavra da língua inglesa que significa esquerda) surgiram no ano passado para facilitar a vida de quem é de esquerda e prefere se conectar a pessoas com ideais e valores políticos semelhantes. A ferramenta lembra o aplicativo de relacionamento mais famoso da atualidade, o , mas direcionada a um nicho.

O MidiaMAIS testou o Lefty neste mês de janeiro usando um perfil falso, só para ter ideia do que é ser um usuário em Mato Grosso do Sul. E o que mais chamou a atenção foi a baixa quantidade de pessoas disponíveis para dar match, que é quando dois usuários demonstram interesse um pelo outro e podem conversar por mensagem. Apareciam aproximadamente 50 pessoas na lista, mesmo quando se aplicavam filtros que abriam um “menu” mais amplo com homens, mulheres e pessoas LGBTQIA+ que acessavam de uma distância de mais de 100 quilômetros da capital, Campo Grande.

Maioria homem

A maioria dos usuários vistos é do gênero masculino. Em seus perfis, a maior parte declara buscar relacionamento amoroso sério.

Poucos escrevem alguma coisa no espaço reservado à biografia, mas é possível ler em alguns “gosto de pessoas que sentam no meio-fio”, a frase inclinada ao machismo “não quero mulheres desequilibradas” ou então o @ do perfil do usuário no Instagram, convidando a conhecê-lo melhor por lá.

A estudante de 20 anos, Fernanda Alves*, é uma das poucas usuárias mulheres do Lefty em Mato Grosso do Sul. Baixou o aplicativo na esperança de encontrar mais pessoas que morassem no estado, mas se decepcionou. “Só usei um dia porque não vi muita gente daqui. Logo desisti, só que esqueci o perfil ativo lá”. Ela resolveu se aventurar preferir se relacionar com pessoas de esquerda, após ter tido experiências negativas com pessoas de direita. “Tive alguns problemas com fakenews. Tem pessoas que recebem falsas todos os dias e não aceitam quando a gente vai desmentir”, relata.

Outro usuário, o engenheiro civil Gabriel dos Santos*, de 26 anos, fez o download e manteve o aplicativo por poucos dias no celular. Preferiu deixar somente a frase “na tentativa de achar algo legal” e @ do perfil do Instagram e Twitter para que o procurasse por lá. Sem dar detalhes, ele afirma não ter boas experiências ao tentar se relacionar com pessoas de direita.

*Os usuários não quiseram ser identificados e pediram que o nome verdadeiro fosse substituído por um fictício.

Idades, profissões e fotos

Pessoas de 18 até 50 e poucos anos declarados estão com perfis ativos no aplicativo em Mato Grosso do Sul. Entre as profissões informadas por algumas na biografia estão juiz, advogado, empresário, médico, fotógrafo, psicólogo e professor.

Nem todas colocam fotos de si mesmas. Umas optam até em usar foto do presidente no perfil, enquanto outras postam imagem em que escondem o rosto com um boné do MST, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.

Zero a zero

Entre os usuários que toparam falar com o MidiaMAIS, nenhum confirmou ter conseguido marcar um encontro com alguém no Lefty.

É possível, no entanto, que isso mude com os investimentos previstos pela startup Similar Souls, criadora do aplicativo. “Para o ano de 2023 queremos aumentar ainda mais o número de usuários, pois a popularização da discussão política entre os cidadãos brasileiros trouxe várias questões para a vida cotidiana. O que antes era considerado tabu, hoje está presente desde o papo de bar até na conversa das festas familiares. Isso tem acarretado inúmeros conflitos interpessoais, e nada melhor para solucionar isso do que uma plataforma com o nicho direcionado para o que você busca”, comenta o SEO da empresa, Alex Felipelli.

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