Das maiores estrelas da MPB dos anos 90 até hoje, a cantora Marisa Monte esteve pela última vez em Campo Grande há cerca de 25 anos, quando fez dois shows que lotaram o Palácio Popular da . Quem estava lá garante que as apresentações foram muito especiais, a ponto de renderem emoções e histórias ainda pulsantes na memória.

A pouco mais de um mês do retorno da cantora à capital sul-mato-grossense, o MidiaMAIS conta o #tbt de dois casais que narram casos de amor e desamor, além de impressões relacionadas à última passagem da cantora.

Por ter sido realizado numa época em que as câmeras fotográficas eram analógicas, não estavam ao alcance de todos e tinham uso restrito em casas de espetáculos, a última apresentação de Marisa em Campo Grande não conta com registros públicos e nem de quem estava na plateia. Os relatos, no entanto, descrevem tudo com detalhes e deixam o resto por conta da imaginação.

Insulto, término e nova chance no amor

A empresária Fabiana Carvalima era adolescente quando ouviu pela primeira vez “Ainda Lembro” na voz da cantora. Ela passava férias na casa da tia de uma amiga no Rio de Janeiro naquele dia. “Sou fã desde que ouvi tocar essa e outras músicas no vinil. Foi um momento marcante”, lembra.

De volta a Campo Grande, Fabiana começou a namorar um rapaz. Ao saber que Marisa faria um show na Capital, ficou muito empolgada e pediu que ele a acompanhasse. Mas o convite foi recusado e, o que é pior, com um insulto gratuito à artista admirada pela então namorada.

“Show da Marisa Monte de merda, eu não vou”, disse o moço. Fabiana não tolerou. “Terminei ali mesmo. Imagina que eu iria continuar namorando alguém que desmerece o trabalho tão lindo dela?! Falta total de sensibilidade e respeito ofender alguém assim, ainda mais a Marisa Monte”, relata.

A empresária acabou perdendo a chance de ir àquela apresentação. No entanto, por coincidência ou destino, o próximo dela começou embalado com a letra “De noite na cama eu fico pensando/ Se você me ama e quando”, também na voz da cantora.

Nada estava planejado, pois a música tocou aleatoriamente no rádio assim que ela entrou no carro do pretendente. Se ainda tinha dúvidas com relação ao novo namorado, elas sumiram quando Fabiana soube que assistiu ao show da Marisa Monte no Palácio Popular da Cultura. “Imagina, ele foi para acompanhar a mãe, aos 13 anos. Como a entrada de menores de idade era vetada, teve que vestir um terno azul do pai para disfarçar e parecer que era mais velho”, conta. Não à toa, ele é seu marido há 23 anos e o pai de seus dois filhos.

Fabiana e o marido Felipe estão casados há 23 anos (Foto: acervo pessoal)

Memórias de outras fases inesquecíveis da vida de Fabiana têm Marisa Monte no fundo musical. Elas são sobre a gestação da empresária, que ouvia “Rosa”, canção interpretada pela cantora, para se conectar mais intimamente com a experiência de ser mulher e gerar vida. “Ouvia também para me acalmar, várias vezes. A música dela seguiu tocando em nossas vidas”, finaliza.

Juntos em pelo menos 2 noites de shows

Ver a cantora Marisa Monte de perto no Palácio Popular da Cultura foi um acontecimento cheio de sensações e impressões compartilhadas pelo casal Ângelo Arruda e Ana Arruda, arquiteto e psicóloga que já moraram em Campo Grande e hoje vive em Florianópolis (SC). Eles se impressionaram com toda a composição de palco, cenário e qualidade musical do que assistiram juntinhos.

“Lembro que ela tinha uma ginga de braços muito bonita, usava uma roupa branca, que trocou algumas vezes. O cenário também era branco. Um conjunto muito especial”, lembra Ângelo. Outro detalhe que chamou atenção foi a forma que a cantora tratou os músicos e toda a equipe. “Ela fez uma apresentação detalhada de todos, inclusive do pessoal que fez a limpeza do local, reconhecendo a importância de cada um para o espetáculo acontecer”, ele completa.

A memória do casal aponta que os shows foram realizados entre 1996 e 1998, com um público de mais de 1 mil pessoas em cada apresentação. Encantados com a presença da Campo Grande, eles resolveram comprar ingressos para dois shows, o que valeu muito a pena, confirma Ana.

Ângelo e Ana, que curtem duas vezes os shows da cantora quando podem (Foto: acervo pessoal)

Desde que viram Marisa Monte na capital de Mato Grosso do Sul, prometeram que iriam comprar ingressos para duas noites de apresentações sempre que tivessem oportunidade. Assim foi quando a assistiram em Nova Iorque, em 2004, e em (PE) ainda este ano, quando foram a dois shows da turnê “Portas”, a mesma que a cantora trará a Campo Grande. “Foram dois shows. Vimos que a Marisa Monte amadureceu e que está em um patamar diferente, mas ela continua igualmente humilde, valorizando as parcerias e dando um espetáculo”, conclui Ângelo.

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