Todo dia é dia de samba, mas 2 de dezembro, é oficialmente a data desse gênero musical que tem os corações dos brasileiros. O ‘Dia do Samba’ foi estabelecido nos anos 60, quando o vereador baiano Luís Monteiro da Costa homenageou o compositor mineiro Ary Barroso, que na época já era conhecido pela canção ‘Aquarela do Brasil’, escrevendo a letra de ‘Na Baixa do Sapateiro’, para marcar sua primeira visita à cidade de Salvador.

Considerado uma das principais manifestações culturais populares do Brasil, o samba tem raízes africanas e uma mistura de ritmos que originaram esse som tão particular do nosso país. Em , duas cidades perpetuam o ritmo e carregam, com orgulho, o samba no corpo e na alma: Campo Grande e principalmente, Corumbá.

Para Alan Catarinelli, presidente da Lienca (Liga das Entidades Carnavalescas de Campo Grande), a criação da data é de grande relevância para toda a comunidade carnavalesca e confirma a importância da maior festa popular do Brasil, o carnaval. “Campo Grande já tem uma tradição, tem blocos desde a década de 60”, conta ele. “Essa lei nos ampara e valoriza a nossa cultura carnavalesca. É uma data muito emblemática para nós, carnavalescos, sambistas, onde a gente congrega. É uma comemoração única!”, enfatiza ele.

Catarinelli, inclusive, é um dos organizadores do ‘Lançamento do 2024’, que acontece neste sábado (2), a partir das 17h, no Armazém Cultural.

Victor Raphael, presidente da Liesco (Liga Independente das Escolas de Samba de Corumbá), também comemora a existência da data, que valida ainda mais o gênero musical. “Eu acho que nós somos muito felizes, né? O estado de Mato Grosso do Sul tem matrizes muito fortes do samba”, afirma.

“Corumbá tem um histórico de samba praticamente centenário. O fato dos cariocas virem a Corumbá e a Ladário por meio da Marinha do Brasil, consolidou muito essa presença do samba desde o início do século passado, aqui no município. Isso se traduziu na criação das escolas de samba e no fortalecimento do carnaval da região”.

Ele afirma que o samba chegou em Corumbá para ser brincado no Carnaval, na década de 30, e lá acabou se consolidando. Com isso, diversos expoentes surgiram e até hoje a cidade conta com uma excelente geração de sambistas. São pessoas e famílias importantíssimas, não só para o samba na cidade, mas também para o país.

“Nós temos a família Colombo, que até hoje comanda a escola ‘Pesada’, nós temos a família Duarte, que criou a ‘Império do Morro’, que hoje é a escola de samba mais antiga em atividade do estado do Mato Grosso e do Sul”, afirma. “Temos os Cambarates, que fizeram também muito sucesso com a ‘Imperatriz’ e tem a Dona Gregório, que fundou a Vila Mamonas, que é uma escola de samba tradicionalíssima”, continua ele.

Samba o ano inteiro

Não tem hora para se fazer e curtir o samba. E no estado temos diversos artistas que provam que nem só de sertanejo se vive o sul-mato-grossense. O Grupo Sampri, por exemplo, é composto por três irmãs que têm a nas veias: Magally, Luciana e Renata. Tudo começou durante o aniversário de um tio. Na brincadeira, cada uma pegou um instrumento, começaram a cantar e aí veio a ideia de lançar um grupo feminino de samba. Adolescentes, as três decidiram trilhar o caminho artísticos e hoje são um dos maiores nomes no cenário musical.

Grupo Sampri. (Reprodução, Instagram)

“Quando começamos em 2002, a gente ouvia falar de uma mulher que cantava samba aqui: Juci Ibanez. Ela foi nos assistir uma vez, na extinta boate Mr. Dan, e deu uma canja. A segurança e propriedade dela foi uma referência de “alguém que sabia o que estava fazendo”. Isso foi importante, pois, ela encarava a rapaziada sem fraquejar, e nós entendemos a partir dali que a deveríamos subir no palco sem medo nem intimidação”, contam.

Para elas, o samba vem de família: tataravô, maestro da Sinfônica de Cuiabá, avô instrumentista, avó cantava divinamente bem (nunca profissionalmente), pai e tios ritmistas de escola de samba. Ou seja, para elas, fazer música é no mínimo natural.

“O samba é um dos gêneros da música popular brasileira que sempre representou a nossa identidade cultural, além de carregar a nossa ancestralidade. É fundamental termos em nosso Estado a representatividade do samba, ainda que em nossas fronteiras nacionais e internacionais, predomine o sertanejo. É vivenciar o sentimento de pertencimento, acolhendo a parcela da população que se identifica com o samba”, afirmam.

Juci Ibanez. (Reprodução, Instagram)

Sobre a importância do samba em Mato Grosso do Sul, Juci Ibanez, que canta desde os 11 anos e é um grande nome da música no estado, explica que, assim como é com todos os outros gêneros musicais, as pessoas precisam viver o samba com liberdade. “O importante é fomentar a cultura, todos os estilos e sem discriminação, deixar o povo falar a sua verdade, o que vem na alma. E a música tem esse direito e esse poder”, explica. “O samba é uma música genuinamente brasileira, que realmente atinge e mexe com o sangue de todo brasileiro”, afirma.

Segundo a artista, o tempo tem sido generoso com o ritmo aqui no estado. É que com o tempo, as pessoas estão cada vez mais abertas a curtir o samba. “Hoje a gente pode dizer que o povo já tem uma conexão bem bacana com esse gênero. Antigamente era bastante difícil, mas hoje em todo lugar, todo mundo gosta, todo mundo samba, todo mundo canta junto. Então já existe bastante essa cultura aqui no nosso estado”, explica.

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