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Babá de cachorro: saiba como funciona e o que precisa para ser petsitter em Campo Grande

Será que só o amor é necessário para atuar nesse ramo?

João Ramos Publicado em 01/08/2021, às 08h45

Bianca está em seu quarto ano trabalhando como petsitter
Bianca está em seu quarto ano trabalhando como petsitter

Preparar a mochila com o brinquedo que eles mais gostam, roupinhas que costumam usar, o lanchinho que comem e tudo o que for necessário para que fiquem bem com a babá não é mais um cuidado que se restringe aos filhos. O amor pelos bichinhos leva muita gente a tê-los como verdadeiros herdeiros legítimos e o zelo e a preocupação permanecem principalmente quando os donos não podem estar por perto.

Em Campo Grande, uma profissão relativamente nova vem se destacando para atender essa demanda: os petsitters. Bianca Bianchi é uma das muitas profissionais que desempenham esse trabalho na Capital. Ela, que também é jornalista, começou a cuidar dos animais em 2017, como uma forma de renda extra, mas tudo deu tão certo que hoje pensa em trabalhar só como cuidadora dos bichinhos.

"Sabe quando você contrata uma babá para os seus filhos? É basicamente a mesma coisa, só que para os seus pets. É para garantir a segurança do animal por meio da alimentação, cuidados com higiene, medicação (se for o caso), garantindo que ele fique quentinho se estiver frio e não sofra com a baixa temperatura, cuidar dele de forma geral... e por aí vai", explica a petsitter ao Jornal Midiamax.

Chocolat companheirão (Foto: Arquivo Pessoal)

Por que não deixar sob o cuidado de parentes, amigos ou vizinhos e optar pelo profissional que zela e protege o animal? "Posso comparar com os hotéis que as pessoas costumam deixar os pets. O problema é que no hotel os animais costumam ficar presos numa gaiola, um fator estressante para eles, e ficam com pouco tempo de exposição ao sol", relata Bianca.

Segundo a petsitter, a principal vantagem é que esses profissionais cuidam dos pets como se fossem seus. "Eles ficam na minha casa, que não tem estrutura nenhuma de gaiola, soltos, me fazendo companhia como se fossem meus. Então, eu estou trabalhando, tem uma que quer ficar no colo, estou assistindo televisão e outro deita do lado no sofá, algumas até dormem na cama comigo", conta.

Num período de altíssima temporada, que é o de final de ano, natal, ano novo, o máximo de pets que ela pega são sete. Bianca, então, promove toda a interação entre eles para não ter problema de desentendimento ou briga, e depois os animais convivem pacificamente ali, com mais cinco ou seis na casa, no máximo.

Se precisar, ela busca os animais em casa (Foto: Arquivo Pessoal)

É necessário se profissionalizar?

A jornalista conta ao MidiaMAIS que fez curso de petsitter online, sobre comportamento, primeiros socorros e outras habilidades básicas. Ela também fez curso de auxiliar de veterinária, por um ano e meio, para se profissionalizar e agregar peso e valor ao seu trabalho. Essas formações passam mais credibilidade ao dono e também ajudam na cobrança do serviço, já que houve uma preocupação com a especialização.

Entretanto, a formação não é uma exigência para trabalhar na área. "Como não é uma profissão regulamentada, não existe nada nesse sentido. Se a pessoa se sentir confiante para cuidar do pet de outra pessoa, que, às vezes, é até um filho, sem ter um curso, nem nada, aí vai de cada profissional. Eu preferi me preparar antes de começar a oferecer o serviço. E tô sempre pesquisando, lendo... tenho o interesse de fazer o curso de adestramento porque é meu sonho trabalhar com isso", pontua.

"Eu defini o preço muito baseado nos valores do mercado, claro que fui me especializando e garantindo o serviço exclusivo. Fui colocando meu valor e hoje em dia eu cobro 50 reais a diária para hospedagem por cachorro, mas todo valor é negociável. Tem algumas pessoas que fazem viagens muito longas, coisa de um mês, dois meses fora, e aí, claro que a gente negocia e abaixa o preço para não ficar muito pesado", explica Bianca.

Abigail, Lauren e Edgard (Foto: Arquivo Pessoal)

Em relação aos gatos, ela não retira esses animais do ambiente em que vivem. "Não levo para minha casa, eu faço visita na casa da pessoa e cobro por visita, aí varia um pouco mais por conta da distância. Se for muito longe da minha casa, com o preço da gasolina, isso acaba pesando, mas as visitas variam, geralmente, entre 40 e 60 reais", relata.

Para ficar com a babá, o animal precisa estar com todas as vacinas em dia, de preferência ser castrado, principalmente se for macho. Se for fêmea, é preferível que esteja longe do período de cio porque haverá o contato entre cães. Se possível, Bianca também orienta o uso de coleira antipulgas e carrapatos.

"Já aconteceu de cachorro fugir no meio do passeio porque estourou a coleira e do tutor não avisar que a cadelinha poderia entrar no cio, e aí ela entrou no cio e o outro cachorro quase pegou. Só não pegou porque eu fui muito rápida. Evito pegar cachorro que não é castrado, mas acontece", conta.

A petsitter costuma fazer uma visita inicial de avaliação. "Não pego cachorro que eu nunca vi na vida, chega lá em casa e fica. Então, faço a visita para conhecer os donos, o animal no ambiente dele, para ele entender que pode confiar em mim. Preencho um questionário com os donos a respeito de histórico de doenças, histórico de comportamento, se tem medo de fogos, de chuva, de pessoas, se costuma morder outros animais etc.", relata.

Souris com a Tia Bibis (Foto: Arquivo Pessoal)

Amor é o que move

O trabalho de petsitter surgiu como uma renda extra para Bianca. "Eu estava no meu antigo trabalho, um pouco frustrada, meio sem perspectiva e nós teríamos recesso no final do ano, queria ter uma nova fonte de renda, e aí conversando com uma amiga que é petsitter, ela falou que muita gente a procurava perguntando se ela cuidava de cachorro, mas ela não oferecia o serviço por não ter familiaridade com o animal", relembra.

"Eu avalio que hoje, trabalhar como petsitter, é mais pelo apego, pelo amor e pelo carinho com os pets do que por uma necessidade financeira"

A jornalista recebeu um conselho da amiga para suprir essa demanda e embarcou. "Só que os clientes nunca mais pararam de me procurar, e aí viraram fixos que precisavam de mim toda semana ou todo mês, e aí eu fui tocando, sabe. E nunca mais abandonei", conta.

Na pandemia, a petsitter ficou quatro meses sem receber nenhum hóspede e isso acabou adiando seus planos. "As pessoas desmarcaram viagem, foi um período bem complicado para o mercado e eu dei uma segurada na ideia de trabalhar só como petsitter e largar a comunicação. Quem sabe no futuro, depois que passar essa pandemia, eu não faça de fato a migração de carreira para trabalhar só como petsitter", completa.

Jornal Midiamax