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De teatro a oficinas, Campo Grande amanhece agitada com programação cultural

eventos oportunizam a troca de conhecimentos e culturas que vivem em Mato Grosso do Sul

Nathália Rabelo Publicado em 27/11/2021, às 12h30

Crianças se reuniram no centro de Campo Grande para acompanhar teatro "Romeu e Julieta" de companhia paulista
Crianças se reuniram no centro de Campo Grande para acompanhar teatro "Romeu e Julieta" de companhia paulista - (Foto: Henrique Arakaki/Midiamax)

Campo Grande amanheceu agitada neste sábado (27) com várias atrações artistas. De teatro no centro da cidade a oficinas gratuitas, toda a programação está inclusa no “Festival Campão Cultural”. Hoje pela manhã, a agenda de eventos movimentou estudantes, famílias e comerciantes na Capital.

No Calçadão da Barão, na Rua Barão do Rio Branco, a Cia Talagadá, de São Paulo, reuniu uma legião de fãs com uma apresentação adaptada do clássico “Romeu e Julieta”. Assim, em meio ao lixo e tralhas, cinco moradores de rua tentam reverter essa situação por meio do universo lúdico em uma performance que encantou as crianças.

Segundo o palhaço e apresentador Pepa Quadrini, responsável por introduzir o grupo paulista, o teatro é uma ótima forma de apresentar a literatura de Shakespeare sob uma ótica mais atual. “Eles mexem com formas animadas, manipulação de objetos, fazem música com instrumentos excêntricos, misturam vários objetos para fazer som”, contou.

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Cia Talagadá se apresentou na Barão do Rio Branco (Foto: Henrique Arakaki/Midiamax)

A Fernanda Leão passava pela calçada da Barão do Rio Branco com o filhinho, Lorenzo, quando começou o espetáculo. De folga para aproveitar o sábado ao lado da família, ela, então, decidiu acompanhar a apresentação.

“Eu quis parar para ele poder ver o teatro, prestigiar a peça que está acontecendo aqui. É bem legal e ele gosta de teatro também”, contou ao Jornal Midiamax. Até mesmo comerciantes da região aproveitaram para curtir o show. Conforme apurado pela equipe de reportagem, os funcionários aproveitam os espetáculos em frete aos estabelecimentos para acompanhar a programação artística da Capital.

Mas se você pensa que acabou, está enganado(a)! Na manhã deste sábado (27), teve gente que acordou cedo para aprender técnicas milenares, como cerâmica terena e viola de cocho.

De geração em geração

A artesã de cerâmica terena Rosenir Batista, 54 anos, esteve no Memorial da Cultura Apolônio de Carvalho para ensinar aos alunos técnicas ancestrais da sua comunidade. Desde quinta-feira (25), ela mostra todo o processo da cerâmica terena.

Rosenir Batista ensinou cerãmica terena em oficina gratuita (Foto: Henrique Arakaki/Midiamax)

“Eu trouxe argila, a mistura, então eu passei tudo como é o processo da cerâmica. Elas [as pessoas que participaram] gostaram muito da modelagem e a pintura com barro vermelho”, contou ao Jornal Midiamax. Orgulhosa do resultado, ela se despede das aulas orgulhosa do resultado que alcançou.

Quem também estava no local era o Sebastião de Souza Brandão. Aos 77 anos, ele é referência no Brasil inteiro por causa das suas violas de cocho, instrumento tradicional de MS. Morador de Ladário, ele veio a Capital para ensinar outras pessoas a confeccionarem o instrumento musical e passar os conhecimentos que aprendeu ao longo dos anos.

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Sebastião é referência em viola de cocho no Brasil (Foto: Henrique Arakaki/Midiamax)

“Para mim, isso aqui está sendo uma beleza porque eu tenho observado que não está tendo mais pessoas produzindo essa cultura [da viola de cocho]. Então está sendo muito importante para mim porque estou passando para os professores e o professor é a vida do país. E eu sei que eles vão passar na sala de aula”, disse Sebastião.

A própria Sarita Sayuri Shirado Michels, referência por ser a única mulher de Campo Grande que confecciona o sanshin – instrumento musical de origem japonesa – esteve na oficina o Sebastião para aprender as técnicas da viola de cocho pela primeira vez.

“Estou gostando, é muito interessante o que o professor explicou. O preparo da viola é um patrimônio daqui e pouca gente conhece. Então é muito interessante a gente aprender isso, ainda mais que é da nossa região de Mato Grosso do Sul”, afirma.

Sarita ainda compartilhou as diferenças entre a confecção da viola de cocho e a do sanshin. “A maior diferença é o tipo de madeira, a madeira que o professor usa na viola é bem mole e mais macia. A madeira que o pessoal usa no Japão é mais dura”, afirma.

Além disso, ambos os instrumentos possuem quantidades distintas de cordas. Enquanto a viola de cocha possui cinco cordas, o sanshin tem apenas três e seu o corpo é revestido com couro de cobra. Assim, é importante destacar que esses tipos de eventos oportunizam a troca de conhecimentos e culturas que vivem em Mato Grosso do Sul.

Sarita aprendeu a fazer viola de cocho em Campo Grande (Foto: Henrique Arakaki/Midiamax)

Festival Campão Cultural

O ‘Festival Campão Cultural’ tem 14 dias com mais de 150 atrações em 20 áreas, como música, teatro, dança, circo, palestras, workshops e exposições.

O evento começou no dia 22 de novembro e segue até 5 de dezembro com objetivo de fomentar a produção artística sul-mato-grossense, promovendo a diversidade e cidadania, e inspirando uma nova visão de futuro, mais inclusiva e sustentável.

A abertura oficial acontece na noite deste sábado (27) na Esplanada Ferroviária e vai contar com os shows de Renato Jackson e Atitude 67.

Jornal Midiamax