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Com vendas em pequena mercearia na aldeia, Valdete vai formar os 4 filhos

"Não me sinto estrangeira, vivo aqui desde muito pequena", diz.

Midiamax Publicado em 04/05/2016, às 09h00

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"Não me sinto estrangeira, vivo aqui desde muito pequena", diz.

Com apenas 4 anos de idade, Valdete Santos da Cruz, hoje com 50 anos, foi morar no Distrito de Taunay, que é a porta de entrada de várias aldeias terenas localizadas no município de Aquidauana – distante a 140,5 quilômetros de Campo Grande. Ali casou-se, formou família e hoje já está com um filho formado, dois na faculdade e a mais nova, mora com a irmã em Prudente (SP) para poder ter melhor estudo e também entrar na faculdade.

Valdete conta que é com as vendas da pequena mercearia, onde 99% dos clientes são terena, e 90% são anotadas na caderneta, que vê o sonho de toda mãe se realizar: dar estudo para os filhos e uma oportunidade melhor que a que teve.

O filho mais velho se formou em Ciências Contábeis, o do meio está terminando Engenharia, assim como afilha do meio, está fazendo Medicina. Já a mais nova, ainda cursa o 9º ano, mas já se transferiu para Prudente, onde a do meio faz faculdade para se preparar para o futuro.

Valdete conta com alegria ver a conquista que a mercearia, em meio ao aldeia, lhe proporciona. Ele pontua que o distrito é muito pequeno, e as relações ali formadas são de confiança. “Vendemos quase que o total das vendas na caderneta. A relação aqui é 100% na confiança. Às vezes acontece de eu levar um calote, como em todo comércio”, revela.

Ela conta ainda que não precisa ficar cobrando, e quem dá mais trabalho para receber são o funcionários contratados, que tem atraso no pagamento.

Mercearia da dona Valdete / Henrique Kawaminami

A vendinha, como ela diz, começou pequena e aos poucos foi crescendo. Hoje é a maior do distrito e vende de tudo. De armarinhos, a carne e até material de construção. “Temos um pouco de tudo, aqui é uma mini cidade. Tem correspondente bancário, pro pessoal receber o Bolsa família, os Correios entregam as cartas três vezes por semana, e há 4 anos passou a ter coleta de lixo”, diz.

Questionada se sente diferente, em meio a comunidade, diz na lata. “Não me sinto estrangeira, vivo aqui desde muito pequena e até a língua terena aprendi a falar. 80% das pessoas que vivem aqui tem parentesco com o índios e que não tem, acaba tendo, porque a comunidade é quase toda indígena”, finaliza.

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