Ocupação não tem data para acabar

 

Artistas ocupam Iphan em protesto contra atraso de verbas na CapitalPor volta das 8h desta sexta-feira (20), artistas e militantes de causas sociais ocuparam a sede do Iphan (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), localizada na rua Gal. Melo, na Esplanada Ferroviária.

O objetivo da ocupação é protestar contra a extinção do MinC (Ministério da Cultura), anunciada pelo governo interino de Michel Temer (PMDB) há alguns dias. “Isso é um retrocesso, é um absurdo. Nós estamos em plena votação de um Sistem Estadual de Cultura, marcada para a semana que vem, como faremos isso a partir de agora é que fica a questão”, afirmou a presidente do Fórum Estadual de Cultura Fernanda Teixeira. 

Para os militantes, a questão abalou toda a estrutura de lutas culturais que estavam sendo travadas há muitos anos, mas também interfere em vários tipos de níveis da cultura no Brasil. Porém há algum tempo a cultura em Campo Grande sofre com falta de pagamento de fundos de investimentos culturais publicados em diário (como o Fmic e o Fomteatro), além de outros “golpes”, segundo os artistas. “A extinção do MinC é a somatização de tudo que estamos enfrentando na cultura de Campo Grande. Ocupar o Iphan é um ato de resistência”, ressaltou o presidente do Fórum Municipal de Cultura, Airton Raes Fernandes. 

Artistas não sabem quando ocupação terminará / Foto: Daiane Libero

 

Durante a ocupação a diretoria do Iphan não deu declarações sobre o ocorrido, mas a superintendente do órgão, Norma Ribeiro foi criticada por artistas pela postura junto à ocupação. “A gente espera que o Iphan se posicione de outra forma, já que eles também devem se prejudicar com tudo que está acontecendo, e a superintendência reagiu de forma negativa à ocupação”, disse Fernanda. Até o fechamento desta reportagem, o Iphan não se manifestou sobre o assunto. 

‘Ninguém sabe como será’

Artistas redigem carta de repúdio e formalizam assembleia da ocupação / Foto: Daiane LiberoSegundo diretor do Teatro Imaginário Maracangalha, Fernando Cruz, não somente a cultura de modo geral se prejudica com o fechamento do MinC como os próprios grupos em seus projetos individuais.

Ele relata que o Maracangalha tinha um projeto de circulação do MinC, o edital Redes, aprovado e publicado, aguardando pagamento de verba para poder levar o grupo para se apresentar pelo Brasil. “Agora eles dizem que ninguém sabe como será. Estamos aguardando mas por lá ninguém sabe como as coisas vão ficar”, enfatiza. É possível, segundo ele, que essas verbas jamais sejam pagas. 

Outros editais em parceria com Ancine (Agência Nacional de Cinema) e com o MinC, que aguardavam contrapartidas da Fundac (Fundação Municipal de Cultura), que já estavam em atraso, também podem ser prejudicados. Porém, segundo os artistas, ainda não há como saber.

A ocupação do Iphan permanece por tempo indeterminado, e segundo Fernando, as atividades culturais dos grupos estão sendo movidas para lá. “Faremos um sarau, apresentações, terá música, teatro, muita coisa aqui”, divulga. Além disso, ele explica que a partir de agora começam as assembleias para decidir os rumos e ações da ocupação.