Familiares e amigos do motociclista Thiago Rafael Yahn, de 27 anos, que “voou” após ser atingido por um carro, no cruzamento da rua Espírito Santo com a Avenida Afonso Pena, em Campo Grande, na última segunda-feira (25), realizaram hoje (30), cinco dias após o acidente, uma mobilização pedindo prudência e paz no trânsito.

A ação aconteceu na mesma avenida, mas no cruzamento com a rua Paraíba, um quadra depois da Espírito Santo. Distribuindo balas aos condutores que paravam nos semáforos, eles pediram mais cautela e responsabilidade na direção.

Entre as recomendações, a orientação para usar o cinto de segurança e não cruzar a via no sinal vermelho, por exemplo. São pedidos simples, mas que, no trânsito, se todo condutor colocar em prática, como manda a lei, faz grande diferença.

Irmã de Thiago, a jornalista Natália Yahn, de 29 anos, foi quem organizou o movimento. “Ele poderia morrer, então a gente quis fazer alguma coisa para mudar isso, porque as pessoas precisam se conscientizar”, disse, ao comentar que “não queria esperar uma tragédia para fazer alguma coisa”.

Ainda em recuperação, o motociclista fez questão de sair de casa hoje para participar do ato. Em entrevista, disse que agora vai ficar mais atento para não perder a vida, mas não pegou trauma da moto. “Fica a lição”, resumiu.

Sobre o autor do acidente, Thiago comentou que terá de acioná-lo judicialmente porque, até agora, não teve qualquer respaldo com relação aos gastos que teve. Enquanto isso, disse, quer fazer “algo mais” para ver mais pessoas vivas no trânsito.

Apoiadores – Ao contrário de muita gente, o motociclista, felizmente, teve sorte. A colisão, embora violenta, não lhe tirou a vida. David Del Valle Antunes, de 31 anos, não pôde contar a mesma história.

O segurança morreu na madrugada do dia 31 de maio de 2012, após ser atropelado, segundo a polícia, por um motorista bêbado, na avenida Afonso Pena.

Um ano e 7 meses depois, a esposa dele, Lays Mariane Oliveira da Silva, ainda não se conformou com a tragédia porque viu, meses depois, o responsável ser liberado da prisão. “Ele não tem consciência de que matou um pai de família”, afirmou.

É por isso, para chamar a atenção da sociedade, do poder publico e para ver se alguma coisa muda que Lays resolveu participar da mobilização hoje, junto com os familiares de Thiago. “Graças a Deus ele está vivo. E meu marido que está morto?”, questionou.

Para a jovem, a sensação que fica é de impunidade. “Existe justiça? Não estou sabendo”, ironizou, ao comentar a situação.